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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Carioca, apaixonado pelo Rio de Janeiro, apreciador das artes, das viagens e das pessoas que têm algo a dizer.

terça-feira, 20 de maio de 2008

balcão nobre

Começamos a semana com o recital de Kathleen Battle, acompanhada pela OSB no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Um ótimo programa, melhor ainda na companhia de Claude. O Rio anda tão carente de bons espetáculos líricos que seria impensável não comparecer ao recital do soprano americano, tão comentado e tão elogiado. No repertório Rossini, Puccini e Villa-Lobos, além de alguns Spirituals e, claro, Azulão de Jayme Ovalle e Manuel Bandeira - parece que todos os sopranos gostam de cantar essa canção. Esta apresentação de Kathleen Battle, confirma o temperamento difícil do soprano, não menos famoso que a sua bela voz. As divas e seus pequenos ataques. Antes de iniciar a ária "O mio babbino caro", da ópera Gianni Schicchi de Puccini, Battle pediu um tempinho para se concentrar, o maestro ficou aguardando. Em seguida, no meio de "Melodia Sentimental" de Villa-Lobos, alguém no balcão simples fotografou, foi a gota d'água, Battle pôs a mão no rosto quase atrapalhando sua performance. Quando parou de cantar estava indignada e foi aquele zum zum zum. Reclamou muito, dizia: "no movies" e saiu do palco. Ficou o maior clima. O maestro foi atrás, conversou, voltou, pediu ao público para desligar aparelhos, máquinas e tudo mais. Houve quem vaiasse, foi um barraco. Sentados no balcão nobre, Claude e eu observávamos a confusão e nos perguntávamos se o soprano iria voltar. Depois de alguns minutos e todo suspense, Battle retornou, mas ficou olhando a platéia, observando os balcões e os camarotes com ar de desconfiança, fazendo gestos e pedindo "no photos, please". Pelo menos sua interpretação para "Azulão" foi irrepreensível e contou com a participação de um coro infantil - outra exigência da diva. O momento alto da noite foram os Spirituals, aliás foi quando o soprano ficou mais à vontade e, literalmente, "soltou" a voz. No bis, Battle brindou a platéia com "Swing Low Sweet Chariot" à capela e foi lindo! Temperamentos à parte, Battle foi simpática e autografou nossos programas.

Vídeo do dia, Kathleen Battle cantando "Swing Low Sweet Chariot" com o coro de meninos do Harlem.


Um comentário:

  1. Ah! Fortunato!!! Que texto delicioso, me fez sentir presente ao seu lado no balcão nobre.Você faz uma excelente reportagem!beijos Meg

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