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Carioca, apaixonado pelo Rio de Janeiro, apreciador das artes, das viagens e das pessoas que têm algo a dizer.

terça-feira, 3 de junho de 2008

III - o segredo de Bernadete

Depois de tomar chá de camomila com flor de laranjeiras, Bernadete estava mais calma. Alfredo Eugênio pediu para que abrisse seu coração, ele estava ali para escutá-la. Bernadete sorriu e agradeceu. Por uns instantes ficou olhando nos olhos de Alfredo Eugênio e após respirar fundo, tomou coragem e iniciou o seu relato. Cansada de sofrer por conta de uma paixão - não queria ser uma destruidora de lares - Bernadete achou melhor viajar um pouco, estava sem trabalho e com o dinheiro que tinha poderia viver algum tempo em outra cidade. Começou a separar algumas roupas, quando seus pais entraram em casa discutindo. Não deu muita importância, seus pais viviam às turras. De repente a discussão ficou mais acalorada. Bernadete saiu do seu quarto no intuito de acalmar os ânimos, antes de chegar no final do corredor ouviu sua mãe gritar: "Ela não é sua filha, seu velho estúpido, o Ernani foi o único homem que eu amei e a Bernadete é filha dele." Aquela frase caiu como uma bomba, o Sr Ernani era o melhor amigo do pai de Bernadete. Um longo silêncio tomou conta do apartamento. Dona Suely começou a chorar, nunca pensou que um dia tivesse coragem de revelar tal segredo guardado há mais de 25 anos. O olhar do Sr Oswaldo em direção à Dona Suely era de muito ódio. O casal ignorava que Bernadete estivesse em casa. Esta voltou para o quarto lentamente sem fazer barulho e lá ficou chorando baixinho. Era demais para Bernadete, sem trabalho, sem amor e o homem que mais admirava no mundo não era seu pai.
Eu mesmo fiquei impressionado, pois conhecia o Sr Ernani, dos tempos que ia na casa de Bernadete. Jamais imaginei isso.
Alfredo Eugênio, emocionado, enxugava as lágrimas que rolavam pelo rosto de Bernadete...

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