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segunda-feira, 23 de junho de 2008

XVII - dia triste

Dois dias após o retorno à Lisboa, Bernadete estava inquieta, sentia-se mal, o coração disparava. Tentava em vão se acalmar. Alfredo Eugênio estava no trabalho, preferiu não ligar para não incomodá-lo. Eram 14 horas, o sol da tarde começava a invadir o apartamento. Bernadete foi até a janela para mudar a posição das persianas, o telefone tocou, correu para atender, mas a ligação caiu. De repente, a angústia aumentou e uma tristeza tomou conta do seu coração. Sentou-se e tomou a decisão de ligar para sua mãe, talvez fosse a culpa de ter saído do Brasil sem falar nada que estivesse a atormentando, mesmo sabendo que sua carta iria chegar em alguns dias, pegou o telefone e ligou para a casa dos pais. Demoraram um pouco para atender, mas Bernadete estranhou ao ouvir a voz de sua tia no aparelho, esta ao ouvir a voz da sobrinha exclamou:
_ Meu Deus!! Bernadete onde você está? Estamos todos aflitos procurando você, minha filha...
_ Calma tia Catarina, o que aconteceu?
_ Ah minha filha, uma tragédia Bernadete...
_ Tragédia? Como assim? Onde estão papai e mamãe? O que houve?
_ Bernadete, há dois dias atrás, ai meu Deus como te falar isso...
Um silêncio do outro lado da linha, Bernadete chorando pede à tia que fale. Dona Catarina, contendo a emoção, dá a triste notícia.
_ Seus pais Bernadete, há dois dias, foram fazer compras lá na Barra, no mercado de sempre, mas na volta, seu pai perdeu a direção e os dois sofreram um acidente. Forma levados para o hospital, mas não resistiram...
Do outro lado, Bernadete não queria acreditar nas palavras que acabara de ouvir, seus pais estavam mortos. As lágrimas de tristeza rolavam pelo seu rosto. Bernadete não conseguia falar.
_ Onde você está? Perguntou sua tia
Com a voz muito embargada, Bernadete respondeu que estava em Lisboa.
_ Que história é essa, em Lisboa? Espantou-se Dona Catarina
_ é uma longa história, dentro de alguns dias vai chegar uma carta explicando tudo...
_ Minha filha, o enterro foi ontem. A gente não sabia o que fazer. E agora, o apartamento, enfim, o que fazer Bernadete?
_ Eu não sei tia Catarina, eu ligo depois, a senhora vai ficar aí ou vai para sua casa?
_ Eu vou ter que ficar aqui até a semana que vem, depois eu volto para Petrópolis.
_ Eu ligo amanhã, obrigado tia Catarina, até amanhã.
Bernadete desligou o telefone, e era a pessoa mais triste do universo.

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