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sábado, 13 de setembro de 2008

la bohème, de Puccini

Num sábado qualquer do ano de 1988, fui ao Teatro Dulcina assistir a minha primeira ópera. Isso mesmo, no Teatro Dulcina! Era um projeto muito legal e a ópera era La Bohème de Puccini. A montagem era bem modesta, apenas com acompanhamento de piano, mas com ótimo elenco de cantores e coro, nomes que até hoje brilham no cenário operístico: Fernando Portari, bem jovem e em início de carreira fazia o papel do apaixonado Rodolfo; Francisco Neves como Schaunard e, se não me engano, Lício Bruno interpretava Marcelo e a Mimi, salvo algum lapso de memória, era Ruth Staerke. Foi um espetáculo maravilhoso e marcante, fiquei encantado com a música de Puccini.
Vinte anos depois, para comemorar os 150 anos do compositor, o Teatro Municipal do Rio de Janeiro, nos brinda com nova apresentação de La Bohème. Neste intervalo, já assisti outras montagens de La Bohème, com orquestras e outros intérpretes.


(Rue de Paris un jour de pluie - Gustave Caillebotte)

A história se passa em Paris no século XIX, e os personagens são artistas e intelectuais, porém pobres e sem dinheiro. Rodolfo é um poeta e mora com três amigos – um pintor, um filósofo e um músico. Mimi é uma simples costureira e Musetta uma jovem que gosta de namorar. Na véspera do Natal, Mimi e Rodolfo se conhecem e ficam apaixonados...daí é uma longa história e muitas emoções.
Na montagem atual, a cenografia é bem simples, com projeções de quadros de pintores impressionistas no palco, antes e durante o espetáculo, passando o clima da época vivida pelos personagens, o que torna a apresentação bem agradável.
O elenco tem ótimas vozes e o coro do Teatro está correto. Rodolfo, na sexta-feira, foi interpretado pelo tenor americano Jesus Garcia, uma bela voz, boa presença de cena, mas peca no final, quando faltou um pouco mais de emoção ao Rodolfo. Rosana Lamosa faz uma Mimi perfeita, com toda simplicidade e doçura e na primeira ária “Me chamam Mimi”, dá mostras de sua competência; outro destaque é Luis Ottavio Farias, excelente baixo que interpreta Colline. Homero Velho no papel de Schaunard e Rodrigo Esteves como Marcelo, ambos barítonos, estão corretos. Gabriella Pace faz uma fantástica Musetta, a soprano tem muita personalidade e voz maravilhosa, além de ótima presença cênica. A orquestra foi muito bem conduzida por Roberto Minczuk. La bohème é programa imperdível, digna dos nossos maiores aplausos, e certamente agradará aos ouvidos mais exigentes. Ainda serão apresentadas récitas nos dias 14, 16 e 19. Não perca! Não posso deixar em branco: Fernando Portari está no elenco desta montagem, revezando-se com Jesus Garcia no papel de Rodolfo. As duas últimas récitas serão com Fernando, que já cantou na estréia e no sábado.

Retirei do fundo do baú um trecho do final do primeiro ato da ópera, nas vozes de Luciano Pavarotti e Ileana Cotubras – belíssimo dueto “o soave fanciulla”, em apresentação no Scala de Milão em 1979!



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