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quinta-feira, 20 de novembro de 2008

É samba na veia, é Candeia


Está em cartaz até o dia 30 de novembro, no Teatro III do Centro Cultural Banco do Brasil, “É samba na veia, é Candeia”. O espetáculo é um musical sobre a vida e a obra de Antônio Candeia Filho, e presta uma grande homenagem ao artista, falecido há 30 anos.
Hoje, 20 de novembro, data que marca o dia da Consciência Negra, não poderia deixar de falar de Candeia, um homem talentoso, compositor de primeira linha e um líder carismático que brigou incansavelmente pelas nossas raízes. Criado em Oswaldo Cruz, subúrbio do Rio, Candeia foi fiel à sua vocação de sambista, com apenas 17 anos, compôs para a Portela o primeiro samba enredo do carnaval carioca a receber a nota máxima do júri. Dono de diversos sucessos, suas canções foram cantadas por grandes cantoras como Elizeth Cardoso e Clara Nunes, por sinal, a primeira cantora brasileira a romper a marcar de 500 mil discos vendidos com “O Mar Serenou”.
Certamente, a nova geração já ouviu músicas de Candeia, mas desconhece quem é o compositor de “Preciso me encontrar”, sucesso na voz de Marisa Monte –“ deixe-me ir preciso andar, vou por aí a procurar, rir pra não chorar...”
A encenação do espetáculo transporta o público para uma roda de samba no quintal da casa de Candeia, a platéia é recebida por cabrochas que oferecem cachaça e caldinho de feijão, as mesas estão forradas com toalhas de plástico e sobre elas, baldes com cerveja gelada. O clima é de total descontração, com o palco montado entre as mesas, colocando o público, literalmente dentro do espetáculo.

(Jorge Maya, interpretação emocionada)

O público é brindado com um ótimo texto de Eduardo Rieche e a direção competente de André Paes Leme, que conduz o elenco numeroso com maestria. Não cabe aqui, falar desse ou daquele ator, visto que todos estão muito bem no conjunto geral, seja cantando, dançando e interpretando diversos papéis. Porém, não podemos deixar de falar de Jorge Maya, veterano ator de musicais, que empresta seu talento à interpretação de Candeia, numa atuação convincente e emocionante que atinge o ápice na interpretação de “Preciso me encontrar”. Neste momento o público vai às lágrimas. Candeia, vítima de um acidente, está preso a uma cadeira de rodas, os versos da canção ganham muita força – “rir pra não chorar...”.
Esperamos que seja longa a trajetória deste espetáculo e que após a temporada do CCBB, ganhe outras praças, tamanha sua importância na cultura nacional, mostrando um compositor guerreiro que durante a década de 70, fundou a sua própria agremiação – Quilombo – para combater o gigantismo e a descaracterização que percebia nas escolas de samba. Infelizmente o protesto do artista parece não ter surtido efeito, e o que vemos hoje são Escolas de Samba S/A. Quem estiver no Rio não deve perder.


Do fundo do baú e para matar saudades, dois vídeos:
Clara Nunes canta "O mar serenou", de Candeia, lançando seu disco "Claridade" no programa "Globo de ouro", em 1975.
Apresentação da Escola Quilombo, fundada por Candeia (Fantástico - 1978)


Um comentário:

  1. O espetáculo É samaba na veia, é Candeia reestréia deia 08 de Maio no SESC Tijuca Rua Barão de Mesquita, n° 539 - Tijca de sexta a domingo às 20:00hs ingressos R$ 16,00 e R$8,00. Não Percam!

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