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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Carioca, apaixonado pelo Rio de Janeiro, apreciador das artes, das viagens e das pessoas que têm algo a dizer.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

XXIII - Paris


O outono é sempre uma estação agradável, as folhas caem e formam um lindo tapete de cores múltiplas pelos parques e jardins de Paris. Bernadete e Alfredo Eugênio caminhavam pelo Jardin des Tuileries, indo em direção ao Louvre.


Conhecido como um dos museus mais importantes do mundo, o Louvre atrai turistas do mundo inteiro. Há quem faça comparações do tipo: ir à Paris e não visitar o Louvre é como ir à Roma e não ver o Papa. O Louvre abriga grandes obras de arte, sendo a mais famosa, a Monalisa de Da Vinci.

Bernadete ficou maravilhada ao ver o Arco do carrossel do Louvre, a Praça com as Pirâmides, enfim não imaginava ver tanta beleza reunida num só lugar.

XXII - lua-de-mel em Paris


Existe cidade mais romântica e mais charmosa que Paris? A resposta é não. Certamente por isso, Alfredo Eugênio escolheu a capital francesa para comemorar o 1º aniversário de casamento. Depois de tanta dor, a viagem seria um bálsamo de alegria.
Ao chegar no Aeroporto de Lisboa, ainda sem saber o seu destino, Bernadete fechou os olhos obedecendo às ordens do marido. Alfredo Eugênio pôs um envelope em suas mãos e pediu que abrisse os olhos, estava escrito "bon voyage, bienvenue à Paris". Bernadete pulou de alegria, era um sonho antigo, jamais pensou que Paris seria o destino, pensou que iriam à Madrid, onde a família tinha amigos. A felicidade era enorme.

Paris, a cidade luz, Bernadete não acreditava. Ao desembarcarem no Aeroporto Charles de Gaulle, Bernade deu um beijo apaixonado no marido e disse que era a mulher mais feliz do mundo.
Tomaram um táxi em direção ao 8ème arrondissement (8º distrito parisiense)para um dos endereços mais chics de Paris - Av. George V.



_ Meu Deus! Exclamou Bernadete ao descer em frente ao famoso hotel. Meu amor nós vamos ficar aqui? No Hotel George V?

_ Você merece muito mais que isso.



Era uma linda tarde, Bernadete estava na cidade mais romântica do mundo ao lado do homem mais romântico que conhecera em toda sua vida.
O Hotel George V, dispensa qualquer comentário. Próximo à famosa Champs Elysées, o Hotel é um santuário do bom gosto e do luxo.




sexta-feira, 27 de junho de 2008

XXI - lua-de-mel

A idéia de ser mãe, apesar de ser o sonho de quase todas as mulheres, não era o que Bernadete queria naquele momento. Estava tão empenhada na agência, tinha muitos planos. Para Alfredo Eugênio ser pai era um desejo antigo, felizmente o destinho lhe apresentou a mulher ideal para ser companheira e mãe dos seus filhos. Bernadete tentou mudar de assunto e disse que viajar seria muito bom. Alfredo Eugênio um pouco decepcionado, perguntou:
_ Não tens vontade ter um filho?
_ Alfredo, claro que quero ter um filho, mas podemos esperar um pouco...
_ Como você quiser. Mas eu não vou desistir minha senhora....
Durante o jantar fizeram muitos planos para a viagem. Alfredo Eugênio disse que seria uma surpresa, mas que estava pensando num lugar especial e romântico. Não ficariam muito tempo fora, apenas 2 semanas, mas o suficiente para festejar o aniversário de casamento. Apesar de tudo, a vida continuava. Bernadete já estava bem recuperada da perda que havia sofrido. De qualquer forma, ela pensava, "ainda tenho um pai". Bernadete não pensava em retornar ao Brasil, achava que era uma página virada na sua vida. Mesmo sabendo da existência do Sr ernani, seu pai biológico, decidiu que o mais importante era viver sua vida com Alfredo Eugênio e guardar as boas lembranças dos seus pais.
Três dias depois, Alfredo Eugênio já estava com tudo acertado, havia comprado passagens, feito as reservas do hotel, alugado carro, tudo pronto, dentro de uma semana embarcariam para a lua-de-mel tão esperada.
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Continua na segunda-feira

quinta-feira, 26 de junho de 2008

XX - trabalhando e amando

O trabalho na agência fazia muito bem à Bernadete. Domingas Leitão era uma ótima amiga e as duas trabalhavam com grande sintonia. Aos poucos Bernadete foi melhorando o astral, já fazia piadas e o brilho nos olhos havia voltado. Bernadete lembrava dos tempos em que era secretária de diretoria e contava muitas histórias engraçadas para Domingas e os demais funcionários da agência. Era um grupo pequeno, seis pessoas, mas segundo Bernadete era apenas o começo, o negócio deveria crescer.
Em casa sua relação com Alfredo Eugênio era a melhor possível, viviam apaixonados e namorando.
No aniversário de um ano de casamento, Alfredo Eugênio propôs que fizessem uma viagem de lua-de-mel. Embora estivesse muito envolvida com os projetos da agência de viagem, Bernadete ficou de pensar, mas não queria se afastar por muito tempo, no máximo 15 dias. Alfredo Eugênio, sob protestos concordou e disse: “E tu vais voltar com um Alfredinho na barriga!”. Bernadete sorriu.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

XIX - Casamento

Depois de seis meses em Lisboa, Alfredo Eugênio quis oficializar a relação com Bernadete. Não haveria festa, apenas um almoço na Quinta Rebouças Leitão. E assim foi, casaram-se num sábado pela manhã. Bernadete estava muito emocionada. Não havia como não lembrar-se dos pais, mas sabia que onde estivessem eles estariam felizes por ela. A cerimônia foi bem simples e para poucos amigos e alguns parentes próximos. Bernadete não quis viagem de lua de mel, disse que precisava curar a sua dor, mas que numa outra época fariam uma bela viagem.
Depois de tanto tempo em casa, Bernadete manifestou o desejo de trabalhar, embora não houvesse a menor necessidade. Mas não queria ficar sem fazer nada, queria ter uma atividade. Domingas, uma das primas de Alfredo Eugênio, acabara de montar uma agência de viagens e sabendo da vontade da mulher do primo, convidou Bernadete para trabalhar. Bernadete aceitou o convite prontamente e estava cheia de idéias.
Alfredo Eugênio, não se opôs ao fato de a esposa trabalhar, mas no fundo gostaria de tê-la em casa, cuidando dos filhos, etc. Bernadete tinha vontade de ser mãe, mas queria aguardar um pouco mais.

terça-feira, 24 de junho de 2008

XVIII - partida para Sintra

Por volta de 18 horas Alfredo Eugênio chegou. Bernadete estava na mesma posição, sentada no sofá, estava tão profundamente triste que nem notou a presença do companheiro. Ao ver Alfredo Eugênio na sua frente, Bernadete levantou e o abraçou, chorava copiosamente e em meio às lágrimas contou tudo a Alfredo Eugênio. Sentia-se culpada por não estar no Brasil, por não ter dado um adeus aos pais. Alfredo Eugênio a consolou e disse que o destino, infelizmente, reservava essas fatalidades e muitas vezes não havia como evita-las.
No dia seguinte, por volta de meio-dia, Bernadete falou com sua tia. Contou sobre a última semana no Brasil e disse que não sabia quanto tempo iria ficar em Portugal. Pediu à tia que vendesse todos os móveis do apartamento e que separasse alguns documentos e objetos. Alfredo Eugênio iria falar com um amigo, advogado, para que cuidasse de algumas formalidades. O apartamento da família era alugado, os pais de Bernadete tinham apenas um imóvel em Petrópolis, o apartamento onde Dona Catarina morava. No máximo em dois ou três dias tudo estaria acertado.
Bernadete não queria voltar ao Brasil, decidiu que sua vida iria recomeçar. Muito abalada e triste com tudo o que havia acontecido, pediu para passar um período na Quinta junto aos pais de Alfredo Eugênio.
No dia seguinte Bernadete partiu para Sintra e ficou por lá durante três semanas.
Os pais de Alfredo Eugênio foram muito carinhosos com Bernadete e ajudaram muito, a tratavam como uma filha.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

XVII - dia triste

Dois dias após o retorno à Lisboa, Bernadete estava inquieta, sentia-se mal, o coração disparava. Tentava em vão se acalmar. Alfredo Eugênio estava no trabalho, preferiu não ligar para não incomodá-lo. Eram 14 horas, o sol da tarde começava a invadir o apartamento. Bernadete foi até a janela para mudar a posição das persianas, o telefone tocou, correu para atender, mas a ligação caiu. De repente, a angústia aumentou e uma tristeza tomou conta do seu coração. Sentou-se e tomou a decisão de ligar para sua mãe, talvez fosse a culpa de ter saído do Brasil sem falar nada que estivesse a atormentando, mesmo sabendo que sua carta iria chegar em alguns dias, pegou o telefone e ligou para a casa dos pais. Demoraram um pouco para atender, mas Bernadete estranhou ao ouvir a voz de sua tia no aparelho, esta ao ouvir a voz da sobrinha exclamou:
_ Meu Deus!! Bernadete onde você está? Estamos todos aflitos procurando você, minha filha...
_ Calma tia Catarina, o que aconteceu?
_ Ah minha filha, uma tragédia Bernadete...
_ Tragédia? Como assim? Onde estão papai e mamãe? O que houve?
_ Bernadete, há dois dias atrás, ai meu Deus como te falar isso...
Um silêncio do outro lado da linha, Bernadete chorando pede à tia que fale. Dona Catarina, contendo a emoção, dá a triste notícia.
_ Seus pais Bernadete, há dois dias, foram fazer compras lá na Barra, no mercado de sempre, mas na volta, seu pai perdeu a direção e os dois sofreram um acidente. Forma levados para o hospital, mas não resistiram...
Do outro lado, Bernadete não queria acreditar nas palavras que acabara de ouvir, seus pais estavam mortos. As lágrimas de tristeza rolavam pelo seu rosto. Bernadete não conseguia falar.
_ Onde você está? Perguntou sua tia
Com a voz muito embargada, Bernadete respondeu que estava em Lisboa.
_ Que história é essa, em Lisboa? Espantou-se Dona Catarina
_ é uma longa história, dentro de alguns dias vai chegar uma carta explicando tudo...
_ Minha filha, o enterro foi ontem. A gente não sabia o que fazer. E agora, o apartamento, enfim, o que fazer Bernadete?
_ Eu não sei tia Catarina, eu ligo depois, a senhora vai ficar aí ou vai para sua casa?
_ Eu vou ter que ficar aqui até a semana que vem, depois eu volto para Petrópolis.
_ Eu ligo amanhã, obrigado tia Catarina, até amanhã.
Bernadete desligou o telefone, e era a pessoa mais triste do universo.

sábado, 21 de junho de 2008

Fête de la musique




A França celebra hoje, dia 21 de junho, a Fête de la Musique (Festa da Música). Um dia inteiro dedicado à música com diversos shows e manifestações artísticas. A festa que começou nos anos 80 e já está na sua 27ª edição, rompeu as fronteiras e hoje acontece em diversos lugares do mundo. Artistas profissionais e amadores ganham as ruas das cidades e celebram a música. Na França a festa toma o país inteiro. Em todas as cidades e vilarejos vários eventos acontecem. A Festa marca o início do verão. É tempo de sol, camisetas, bermudas, sorvete e muita música. Os organizadores do evento brincam com o slogan "Faites de la musique", um homófono de Fête de la musique, que quer dizer "Faça música", para promover a festa.



Em 2002, estava em Lyon no dia 21 de junho, era uma sexta-feira. Me lembro que a alegria era contagiante, o metrô foi liberado a partir das 14 horas, para que todos pudessem comparecer nos locais dos eventos. Na parte antiga da cidade, em cada rua havia um grupo de músicos ou cantores fazendo apresentações. Voltei à França em 2005 e mais uma vez participei da comemoração da Fête de la Musique, e naquele ano foi especial, pois era o ano do Brasil na França, até a Velha Guarda da Portela apareceu por lá, levando muita batucada ao Jardin de Luxembourg.
Como vocês já puderam observar eu sou totalmente musical. Tenho gosto bem eclético e na minha "vitrola" toca de tudo, samba, jazz, clássicos, mpb, etc...
A música é a mola propulsora da minha vida. Clássica ou popular ela está sempre presente, me levando para lugares inimagináveis ou me deixando com os pés no chão.
Para celebrar a Música, escolhi uma canção muito linda do Almir Sater, "Tocando em frente", na voz única e interpretação luxuosa de Maria Bethânia.
Viva a Música!!! Vive la Musique!!!





Ballet de Londrina


Estreou na última quinta-feira, no Teatro Cacilda Becker, o Ballet de Londrina apresentando "Decalque", sua mais nova coreografia, livremente inspirada em "Romeu e Julieta" de Shakeaspeare, com música do russo Prokofiev.
Há alguns anos venho acompanhando o trabalho desta companhia e foi com grande prazer que assisti ao novo espetáculo. Depois de 15 anos de formação, o grupo brinda a platéia carioca com um espetáculo de impactante beleza. A coreografia de Leonardo Ramos tem movimentos ousados, busca novas formas e exige muito dos bailarinos, o resultado é gratificante. Os bailarinos têm grande competência técnica e executam a coreografia com bastante precisão e sincronia, tornando o espetáculo uniforme. "Decalque" é, sem sombra de dúvidas, o melhor espetáculo já apresentado pelo Ballet de Londrina, demonstrando o amadurecimento do grupo. A curta temporada vai até domingo. Para os amantes da dança é um programa imperdível, digno dos nossos aplausos.


No vídeo de hoje, apresentamos um trecho da coreografia "Decalque".

sexta-feira, 20 de junho de 2008

XVI - Carta aos pais



A Quinta da família de Alfredo Eugênio era acolhedora, lá Bernadete sentia-se em casa. O fato de ver D. Alzira fazia Bernadete pensar na sua família. A moça vivia um momento único e estava muito feliz, pensou que seria melhor falar aos pais e dividir com eles sua alegria. Antes de ir dormir, escreveu uma longa carta contando tudo o que havia acontecido, inclusive os motivos que a levaram ao Aeroporto. Apenas omitiu o fato sobre o seu pai biológico. Não sabia ao certo qual seria a reação dos seus pais, mas na carta pedia perdão pela sua atitude e dizia que estava muito feliz e que não sabia quanto tempo iria ficar em Portugal. Como Bernadete sempre pregava peças nos pais, contando histórias absurdas, sabia que a carta seria a melhor solução, assim seus pais acreditariam nela, pois se telefonasse não iriam acreditar que a filha estivesse mesmo em Portugal.
No dia seguinte, após o café da manhã, retornaram à Lisboa. Ao passar pelo centro de Sintra, Bernadete avistou uma agência dos Correios e quis dali mesmo enviar a correspondência. O simples gesto de enviar a carta a deixou mais tranqüila. Porém, uma sensação estranha tomava conta da sua alma. Lembrou-se do passeio no Castelo dos Mouros e pensou que estava ainda envolvida com as lendas do lugar.
* * * * * * *
A história de Bernadete continua na segunda-feira.
Fechando a semana, um pouco de música na voz de Mariza, cantora portuguesa, intérprete de primeira linha.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

XV - Castelo dos Mouros

Os pais de Alfredo Eugênio estavam encantados com a beleza de Bernadete. Achavam que dessa vez o filho havia acertado e certamente um casamento estava a caminho. O almoço foi palco para as velhas histórias de família, a infância de Alfredo Eugênio, entre outros assuntos. Depois do almoço, Alfredo Eugênio sugeriu à Bernadete de visitar o Castelo dos Mouros a poucos metros da Quinta. A tarde estava ensolarada e o passeio era uma ótima opção. O Castelo dos Mouros foi construído pelos mouros no século VIII ou IX D.C., é circundado por muralhas e diversas torres.
O vento soprava um pouco forte, e de repente, Bernadete sentiu um leve arrepio. Não deu importância.
_ Está gostando do passeio, minha querida? perguntou Alfredo Eugênio preparando a máquina para mais uma fotografia.
_ Claro que estou. Este lugar é mágico, tenho a sensação que já estive aqui. Quem sabe? em outras vidas...
_ Certamente, mas ainda bem que você voltou neste século e eu a encontrei.

Caminharam muito e retornaram à Quinta onde pernoitariam e no dia seguinte voltariam à Lisboa.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

XIV - Sintra



Bernadete estava tão ansiosa que mal conseguiu dormir, acordou várias vezes durante a noite, estava realmente preocupada, embora não houvesse motivos.
Apesar da noite mal dormida, levantou-se às 06h30 e por volta de 08h00 saíram em direção à Sintra. Alfredo Eugênio disse que não iriam demorar, Sintra fica a uns 30 minutos de Lisboa e, dependendo das condições do trânsito, poderiam chegar até mais rápido.
Dentro do esperado chegaram à "Quinta Rebouças Leitão" na estrada que leva ao Castelo da Pena. No portão, D. Alzira aguardava o casal. Era uma senhorinha de uns 60 e poucos anos, estatura mediana e sorriso no rosto. Ao ver o filho, D. Alzira correu para abraçá-lo. Em seguida Alfredo Eugênio a apresentou à Bernadete, que imediatamente entregou à D. Alzira um lindo bouquet de flores. D. Alzira agradeceu a gentileza e elogiou a beleza da moça. Bernadete ficou espantada com o tamanho do terreno, enorme, arborizado e com uma casa que parecia um conto de fadas. Na sala, o pai de Alfredo Eugênio, Pedro Joaquim, ouvia fado e apreciava um Porto. O clima era de alegria. Sr Pedro Joaquim cumprimentou Bernadete como se fosse uma velha conhecida, a recepção a deixou mais à vontade. Os pais de Alfredo Eugênio eram pessoas muito simples, apesar de toda fortuna da família. Durante muitos anos moraram em Lisboa, mas havia 10 anos decidiram mudar-se para Sintra, pois gostavam da tranquilidade do lugar.
Enquanto isso, no Brasil, algo de muita grave acabara de acontecer.

terça-feira, 17 de junho de 2008

XIII - Conhecendo Lisboa


No dia seguinte acordaram bem cedo, o sol brilhava e iluminava a manhã. Alfredo Eugênio preparou um roteiro de tirar o fôlego. Começariam pelo Mosteiro dos Jerônimos, depois passariam no Museu das Carruagens e dariam uma volta às margens do Tejo, em seguida uma visita à Confeitaria de Belém. O almoço seria na Cervejaria Trindade e passariam a tarde no Chiado e de lá iriam para o Castelo de São Jorge. Bernadete estava empolgada, não poderia estar mais feliz. Ao lado do homem que amava e longe dos problemas.



Foi tudo perfeito. Bernadete estava apaixonada por Lisboa, as ruas, as ladeiras, a culinária, tudo agradava. Já era tarde quando chegaram ao apartamento. No dia seguinte partiriam para Sintra. Bernadete estava ansiosa para conhecer a família de Alfredo Eugênio, mas ao mesmo tempo estava preocupada, pois não sabia se seria bem recebida e aceita.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

XII - O céu de Lisboa


Os raios de sol do fim da tarde começavam a invadir o apartamento. Bernadete levantou-se e foi até a janela, o céu de Lisboa era diferente de tudo que já havia visto, um azul estonteante, lindo. Olhava o céu e não acreditava no que estava acontecendo e tudo em menos de uma semana. Estava feliz. Por alguns instantes pensou na sua família, nos seus dois pais, nos amigos que havia deixado. Teria que encontrar uma maneira de contar tudo aos pais, não sabia ainda como mas a solução teria que chegar no máximo em uma semana. Alfredo Eugênio a encontrou na sala e perguntou se gostaria de sair para passear pela cidade. Bernadete disse que estava muito curiosa para conhecer a "terrinha". Se arrumaram e foram passear. Foram até a Torre de Belém. Uma belíssima construção em estilo Manuelino, construída na época das descobertas. Bernadete ouvia tudo maravilhada. Além da Torre de belém, um pouco mais adiante está o Mosteiro dos Jerônimos. Alfredo Eugênio disse que iriam visitar tudo e só depois partiriam para a Quinta de sua família em Sintra.


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Não dá pra falar em Lisboa, sem lembrar do grupo Madredeus, Bernadete disse que adora o grupo e sua canção predileta é "haja o que houver", que vocês podem conferir no vídeo de hoje.



sábado, 14 de junho de 2008

XI - Lisboa




Depois de um vôo sem turbulências, Bernadete e Alfredo Eugênio chegaram à Lisboa. Fazia um lindo dia de primavera, o sol da manhã brilhava e o céu estava azul. Bernadete olhava tudo encantada. Do apartamento da Tijuca para Lisboa em 4 dias, que semana louca. Estava ansiosa para ver as ruas, o povo, o rio Tejo. Depois dos procedimentos de desembarque, tomaram um táxi e seguiram para o apartamento de Alfredo Eugênio no Bairro de Belém, onde fica a famosa Confeitaria Belém dos pastéis de Belém. Bernadete disse a Alfredo Eugênio que adorava comer pastéis de Belém e sempre que passava pela Casa Cavé comprava o doce. Alfredo Eugênio começou a rir e disse que era impossível comer pastéis de Belém no Rio de Janeiro, pois pastéis de Belém só em Belém. Os dois riram muito. De fato, os verdadeiros pastéis de Belém, somente na confeitaria de Lisboa. Em qualquer outro lugar o doce é chamado de pastel de nata. Chegaram no apartamento de Alfredo Eugênio, largaram as malas e como se fossem casados em lua de mel, Alfredo Eugênio levou Bernadete nos braços para o seu quarto. Uma nova vida começava...

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Milton Nascimento


12 de junho - dia dos namorados - recebi um convite irrecusável de Claude: show do Milton Nascimento no Canecão, cantando bossa nova com a participação do Jobim Trio. Programa nota 1000 para essa quinta-feira apaixonada. Em uma ótima mesa de cara para o palco, tomando nossos drinks, apreciamos "A Voz" - Milton é pura emoção - e o talento do cantor. Assim como o vinho, o tempo passa e Milton fica cada vez melhor, com sua voz aveludada, timbre único e capaz de surpreender cantando velhos hits. O show começou em tom de emoção com Daniel Jobim, de chapéu (totalmente Tom Jobim), cantando clássicos da bossa nova. Milton entra no palco a partir da terceira canção e o público vai ao delírio. Alternando bossa nova e antigos sucessos, Milton Nascimento prova porque é considerado um dos maiores cantores do país. É um verdadeiro clássico e, como vocês sabem, os clássicos são para sempre. Claude, fã de carteirinha, saiu quase sem voz do show, "é muito lindo, ele é fofo!", gritava sem parar. Claro que fomos aos bastidores para abraços, fotos e autógrafos. Milton Nascimento foi super simpático e gentil conosco. Claude estava agitadíssima, sapecou duas beijocas nas bochechas do cantor e saiu do camarim em estado de graça. Coisas da vida.



(Nos bastidores com Daniel Jobim)



(Muito prazer Milton, meu nome é Jorge)

(Claude e Jorge: tietagem total)


(Claude, Milton Nascimento e Jorge - Canecão 12/06/2008)

Entre as canções antigas que Milton Nascimento cantou neste show, estava a bela "Cais". No vídeo, Milton interpreta a canção no Festival de Jazz de Montreal. Vale a pena ver até o final.

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quinta-feira, 12 de junho de 2008

X - Classe Executiva


No dia seguinte, partiram para o aeroporto do Galeão, o vôo sairia às 17h15, chegaram cedo, por volta de 14h30 e fizeram o check-in. Após passar pela Polícia Federal e entrar na área de embarque, Bernadete estava tensa. Estava a poucas horas de sair do seu país, acompanhada de um homem que conhecera havia três dias. Alfredo Eugênio notou algo diferente e perguntou se estava tudo bem, Bernadete disse que sim e foram dar uma olhada nas lojas. Às 16h45 começou o embarque, Bernadete não havia reparado, mas iriam viajar de classe executiva. Na hora exata o vôo partiu. Bernadete fechou os olhos, e sem entender foi tomada por uma grande solidão, o coração batia acelerado. Vieram lembranças da sua infância ao lado dos pais, dos amigos. De repente, começou a tremer como se estivesse sentido muito frio. Alfredo Eugênio, tentando disfarçar a preocupação, perguntou:
_ Só pode ser medo de avião, calma meu amor, eu estou aqui do seu lado. Beijou-lhe a face e segurou firme em suas mãos. Em seguida, pediu à aeromoça que trouxesse água gelada. Bernadete bebeu a água de um gole só, quase sem respirar. Alfredo Eugênio a abraçava, como se quisesse protegê-la. Por fim, os tremores pararam, Bernadete ficou mais calma e relaxou.
_ Meu amor que susto você me deu. Disse Alfredo Eugênio, voz mansa, fazendo carinhos na mão de Bernadete.
_ Desculpe, não sei o que aconteceu.
_ Tudo bem, quero que você saiba que estou muito feliz de estar ao seu lado. Talvez você esteja pensando que é uma loucura viajar comigo, sem me conhecer muito bem...
_ Não, não é isso. Eu pensava na minha família, acho que não fiz bem, não sei como meus pais irão reagir. Eu deveria ter falado com meus pais. Mas eles não iriam permitir.
_ Meu amor, tudo vai dar certo, é uma loucura, mas estamos apaixonados, isso é o que importa.
_ Você tem razão.
Ficaram um bom tempo em silêncio, até que a Aeromoça ofereceu um drink e voltaram a conversar sobre a viagem e a fazer planos.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

IX - Entregues ao amor




Após ouvir a resposta de Bernadete, Alfredo Eugênio a beijou e começou a falar dos seus planos, estava empolgado. Falou de tudo que iriam ver e fazer e contou histórias da família. Porém quando tocou no assunto “família”, perguntou à Bernadete se iria passar em sua casa, pois precisaria contar aos seus pais da sua decisão. Bernadete disse que seria melhor deixar passar um tempo. Quando saiu de casa, disse que iria ficar duas ou três semanas fora. Achou melhor assim. Alfredo Eugênio não se opôs. Depois do café foram ao Shopping. Alfredo Eugênio comprou roupas e uma mala para Bernadete. Por sorte, Bernadete havia pegado todos os seus documentos, inclusive o passaporte. Foram ao escritório da companhia aérea e acertaram todos os detalhes. A viagem estava marcada para o dia seguinte. Bernadete não acreditava no que estava acontecendo, parecia coisa de novela. Nunca tinha feito uma viagem internacional, nem tampouco pensou em conhecer Portugal. Ir à Europa era um projeto a longuíssimo prazo. E no dia seguinte o sonho iria ser concretizado. Há poucas semanas vivia um inferno astral: a empresa onde trabalhava demitiu um grande número de empregados, inclusive ela; o homem por quem estava apaixonada era casado; descobriu que era filha de outro homem. E, como num sonho, um anjo, um príncipe cruza o seu caminho e a tira de toda essa confusão. Nunca sentira nada tão forte, realmente a sua vida ia mudar, não poderia desperdiçar a oportunidade. Afastou todos os fantasmas da cabeça, e estava disposta a tentar ser feliz. Alfredo Eugênio lhe inspirava toda confiança. Da mesma forma, Alfredo Eugênio só pensava em ser feliz. Havia entre eles uma confiança mútua, apesar de terem se conhecido a menos de 24 horas.
Alfredo Eugênio esperava no saguão do hotel, estava impaciente. Bernadete demorava demais. Quando levantou para ir até o balcão telefonar para o quarto de Bernadete, foi surpreendido com a imagem mais linda que já tinha visto: a bela morena apareceu no saguão, cabelos escovados, maquiagem leve, um vestido preto com um decote que valorizava o colo, um andar que parecia um ballet e um sorriso nos lábios que ele ansiava beijar.
_ Demorei muito? Perguntou Bernadete preocupada.
_ Foi um prazer aguardar você. Respondeu Alfredo Eugênio dando-lhe um beijo.
Nesta noite os dois se amaram e se entregaram um ao outro. Para Bernadete foi uma noite inesquecível.

terça-feira, 10 de junho de 2008

VIII - Flores do Campo



Durante o jantar Bernadete abriu o coração, mais uma vez, e disse que há poucos dias chorava por um amor impossível e vivia num inferno, mas que agora estava no céu. Alfredo Eugênio, encantado, ouvia atentamente segurando sua mão.
Já passava da meia-noite quando saíram do restaurante. Alfredo Eugênio pediu um quarto para Bernadete, embora tivesse vontade de tê-la em seus braços naquela noite, mas achou melhor que as coisas acontecessem no devido tempo.
No dia seguinte, Bernadete acordou leve, tomou um banho e quando estava terminando de se arrumar bateram à porta. Ao abrir foi recepcionada por um lindo buquê de flores do campo.
_ Sra. Bernadete, mandaram-lhe entregar, disse o mensageiro. Bernadete agradeceu, fechou a porta e com lágrimas nos olhos leu o cartão: “Bernadete, aceita ir comigo para Lisboa? Beijos, Alfredo Eugênio”.
Que loucura, meu Deus o que eu faço? Indagava-se, mas ao mesmo tempo parecia saber a resposta. Se o destino lhe preparou tantas surpresas, melhor seria seguir em frente. Desceu para tomar o café da manhã. Alfredo Eugênio a aguardava. Mesmo antes de dizer “bom dia”, Bernadete disse apenas uma palavra: “Sim”.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

VII - O beijo

Tenho recebido mensagens e telefonemas de pessoas querendo saber quem é Bernadete, de onde a conheço, etc. Já expliquei que sou amigo de Bernadete, de longa data. Depois de muitos anos, Bernadete me procurou, contou sua história e pediu que eu publicasse no blog. Só estou atendendo o pedido de uma amiga. Ontem, Bernadete me telefonou, disse que tem acompanhado as publicações e está muito satisfeita. E pediu para que eu não poupasse os leitores de nenhum detalhe, "por mais duro que seja, sempre vai ajudar alguém".


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O beijo



Assim que chegaram ao Aeroporto, Alfredo Eugênio foi até ao balcão da companhia e cancelou sua viagem, retirou as bagagens do guarda-volumes e partiu em direção à zona Sul da cidade. Começava a escurecer. Alfredo Eugênio disse que iria deixar as malas no hotel e que depois gostaria de tomar um drink com Bernadete, conversar um pouco mais e depois ele a levaria em casa. O trânsito estava caótico, e demoraram a chegar ao hotel em Copacabana, na Av. Atlântica. Rapidamente Alfredo Eugênio deixou as malas na recepção e os funcionários do hotel se ocuparam de tudo. Alfredo Eugênio e sua família já eram velhos conhecidos, pois sempre se hospedava no mesmo hotel.
A noite estava bem agradável e Alfredo Eugênio sugeriu um passeio pelo calçadão. Caminharam uns 200 metros e depois pararam num bar. Bernadete estava cada vez mais encantada com Alfredo Eugênio. Saíram do bar e voltaram até o hotel. Bernadete disse que iria pegar um ônibus e pediu que Alfredo Eugênio ficasse, pois não havia necessidade de levá-la em casa. Porém, sem que ao menos terminasse de falar foi surpreendida com um convite para jantar, segundo Alfredo Eugênio o restaurante do hotel era ótimo.
_ O que você está pretendendo? Perguntou Bernadete.
_ Nada. Apenas quero que você conheça um restaurante formidável, uma boa comida, um bom vinho e uma ótima companhia.
Bernadete não resistiu e não agüentando mais, deu um beijo apaixonado em Alfredo Eugênio. Os dois se abraçaram e de mãos dadas seguiram para o restaurante.
Bernadete ainda não acreditava no que acabara de fazer. Nunca foi tímida, mas nunca havia sido tão atirada.

domingo, 8 de junho de 2008

faxina geral

Acordei com a campainha tocando sem parar. Era Valdirene. Esqueci totalmente da faxina geral de sábado. Valdirene é a "agente operacional de limpeza", é assim que se apresenta. " eu faço faxina, mas não sou uma faxineira qualquer, o meu trabalho é totalmente diferente, é personalizado. Eu tenho técnica." Valdirene foi entrando pelo apartamento, na mão a mala com todos os produtos de limpeza que traz, ela só trabalha com as marcas que gosta. Eu ofereci vitamina de banana, mas Valdirene, já havia tomado o seu super café matinal. De cabelos presos, touca, macacão branco e luvas azuis, a "agente operacional de limpeza" iniciou seus serviços. Antes de começar, Valdirene me apresentou a trilha sonora do dia. Não se espantem, Valdirene só trabalha ouvindo música, aliás eu adoro, pois a trilha sempre é de boa qualidade. Para hoje Valdirene trouxe: Kathleen Battle e Jessye Norman cantando spirituals, seguido de mais Kathleen Battle cantando árias de óperas italianas. Mas a grande surpresa foi a cantora espanhola Concha Buika, ou simplesmente Buika. Eu nunca tinha ouvido falar. É incrível como a Valdirene descobre tudo! Só para vocês terem uma idéia, foi Valdirene quem me apresentou a cantora israelense Ofra Haza. A trilha de Valdirene estava demais, depois da Buika ainda tinha a trilha do filme "Across the Universe" - Valdirene garante que o filme é lindo - e terminou com o Green Day. A casa ficou limpíssima e o meu universo musical, cada vez mais ampliado. Grande Valdirene!!!
O vídeo de hoje é a interpretação belíssima de "Mi niña lola", na voz maravilhosa de BUIKA:
Amanhã continua a saga de Bernadete...

sábado, 7 de junho de 2008

Dear Mr President

Nada como abrir a boca, fazer um grande protesto e dizer muitas verdades para certos governantes. Melhor ainda é transformar o protesto numa canção e atingir um grande número de pessoas. Foi o que fez a cantora Pink na canção “Dear Mr President”. O vídeo está no You Tube e já foi visto por milhares de pessoas. Eu assisti ao vídeo, por conta de um e-mail que recebi de uma amiga francesa, a Virginie.
O vídeo está com legendas em francês, mas dá para entender direitinho. Embora, destinado ao Bush esta música pode ser endereçada para todos que estão no poder e nada fazem pelo povo.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

VI - caminhando na praia

Bernadete sempre gostou de pisar na areia, era uma sensação agradável, parecia que estava mais leve. Olhou para Alfredo Eugênio e perguntou sobre a viagem, queria saber se ele realmente adiaria, ao mesmo tempo mostrou-se preocupada, pois se sentia culpada por atrapalhar os seus planos.
_ Eu cheguei ao aeroporto cedo demais, confundi o horário do vôo, quando fui pedir alguma informação no balcão da companhia, encontrei você e agora estou aqui.
_ Sim, mas o que você vai fazer, não quero te atrapalhar...
_ Você não atrapalha em nada, eu vou telefonar para meu irmão e falar que volto outro dia.
_ Tudo bem, mas se for por minha causa, eu...
_ Não precisa falar nada. Será que você não está gostando da minha companhia?
Bernadete estava encantada com Alfredo Eugênio, um homem bonito, aparentava ter 35 anos, alto, corpo com musculatura definida, cabelos negros e olhos castanhos. Além dos atributos físicos, Alfredo Eugênio era um cavalheiro. Porém, como estava muito fragilizada, achou melhor não ficar imaginando coisas.
_ Eu acho que nós devemos ir embora, eu já estou melhor agora. Foi um prazer conhecer você, muito obrigada por tudo...
Alfredo Eugênio, surpreso com a decisão de Bernadete, olhou fixo dentro dos seus olhos e disse:
_ Você tem certeza que está bem mesmo? Eu posso te levar em casa?
Bernadete não sabia o que responder, já havia decidido não voltar à casa dos pais.
_ Bom, mas você tem que viajar e, enfim eu....
_ Posso te pedir um favor?
_ Claro
_ Vamos voltar ao aeroporto, eu preciso recuperar minha bagagem e de lá eu te levo em casa, pode ser?
Bernadete estava ficando nervosa, mas não queria ser grosseira com aquele homem que havia sido tão paciente com ela, sem ao menos conhecê-la. Aliás, eles não sabiam nem o nome um do outro.
_ Está bem, eu concordo.
_ Muito obrigado, senhorita. Aliás, que mancada. Nem me apresentei, eu me chamo Alfredo Eugênio, muito prazer.
Bernadete teve vontade de rir, que combinação estranha, mas manteve o riso e disse:
_ Que nome lindo, muito prazer eu me chamo Bernadete.
Alfredo Eugênio estendeu à mão para Bernadete e num gesto brincalhão, fez uma reverência e beijou-lhe a mão. Bernadete ficou arrepiada.
Pegaram um táxi e retornaram para o aeroporto.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

David Parsons Dance Company

Acabo de chegar do Teatro Municipal onde fui assistir ao espetáculo da David Parsons Dance Company, "Nascimento novo", com músicas de Milton Nascimento, entre outros. Foram momentos de rara beleza e muita emoção, que fizeram bem aos olhos e a alma. A companhia fez uma belíssima apresentação, cheia de vigor e alegria. É incontestável o talento e a técnica dos bailarinos, dignos dos maiores aplausos. Por incrível que pareça o teatro não estava lotado, mas como terá mais uma récita no dia 06 (sexta-feira), possivelmente a casa irá lotar. Portanto, quem não comprou ingresso deve correr ao Teatro Municipal, o espetáculo está imperdível.
Entre tantas coreografias maravilhosas apresentadas pela companhia, "Caught" é a mais impactante. Um efeito formidável de luz faz o bailarino flutuar no palco, é incrível. Já assisti a muitos espetáculos de dança, mas até hoje nunca tinha visto algo semelhante.
Vocês poderão conferir, no vídeo, a famosa coreografia "Caught", que tem conquistado platéias onde é apresentada:

V - passeio na praia

Saíram do saguão do aeroporto do Galeão e tomaram um táxi. Alfredo Eugênio pediu para que o motorista os levasse para o Jardim Guanabara. Ficaram em silêncio por uns dois ou três minutos, mas Bernadete um pouco encabulada perguntou:
_ Por que estamos indo para o Jardim Guanabara? Hoje é terça-feira, nesse horário está tão deserto...
_ Não sei ao certo. Mas se você quiser podemos ir para outro lugar.
Bernadete ficou tensa, não sabia o que responder. O que será que ele queria com ela? Um pouco confusa, respondeu.
_ Não, tudo bem. Afinal estamos mais perto.
_ Eu só fui duas vezes nessa praia, aliás, sempre que trazia alguém no Galeão. Fiquei quatro anos aqui no Rio de Janeiro, meus pais tinham negócios aqui. Um dia alguém me levou nessa praia. Achei uma praia bonita.
O Jardim Guanabara não é nenhum paraíso, mas era um recanto simpático na Ilha do Governador.
Em poucos minutos chegaram. Era uma linda tarde de outono.
_ No meu país está no final da primavera, suspirou Alfredo Eugênio, olhar fixo em Bernadete.
_ Deve ser bonito. Aqui no Brasil não vivemos as estações do ano como os europeus, até porque aqui é sempre calor, às vezes um pouco de frio...
_ Você conhece a Europa?
_ Ainda não, tinha muita vontade de ir, mas é tudo tão caro, quem sabe um dia.
_ Bem, o que você fazia no balcão de uma companhia estrangeira?
_ Ah... era estrangeira? Nesse momento Bernadete tomou consciência do seu estado. Eu acho que estava confusa demais, que loucura, com o dinheiro que tenho eu ia comprar passagem para onde? Nem sei por que vim para o Aeroporto.
_ É o destino, respondeu Alfredo Eugênio.
Bernadete tirou as sandálias e começou a caminhar na areia, Alfredo Eugênio a acompanhou.
Caminhavam lentamente. Bernadete se sentia melhor, mas não sabia o que iria fazer. Na sua mente apenas uma certeza, não iria voltar mais para sua casa.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

IV - atenção de um desconhecido

Após ter contado parte de sua história para um desconhecido, Bernadete estava mais leve, mas o seu coração ainda doía. Alfredo Eugênio quis saber se ela estava melhor, e ouviu um sim como resposta. Bernadete sabia que aquela ferida ia demorar a cicatrizar. Como sua mãe teve coragem de enganá-la durante tanto tempo. Pensava muito no seu pai. Por sorte, eles não perceberam que a filha estava em casa, pois logo depois da discussão e da revelação, o pai de Bernadete saiu e Dona Suely foi atrás do marido, para evitar que algo de grave acontecesse. Os dois voltaram mais tarde abatidos e Bernadete não perguntou nada, porém disse aos pais que ia passar uns dias fora, na casa de uma amiga e em duas semanas estaria de volta.
Bernadete agradeceu a atenção e o carinho de Alfredo Eugênio e disse que precisava voltar ao balcão da companhia aérea e comprar uma passagem para qualquer lugar. Alfredo Eugênio perguntou se não seria melhor dar uma volta, respirar um ar fresco. Apesar de toda poluição do mar, a brisa das praias da ilha do Governador não era tão ruim. Diante do inusitado, Bernadete concordou em dar um passeio. Em outra ocasião jamais teria saído com um homem desconhecido, mas apesar de tudo, sabia que podia confiar naquele estranho. Saíram do Café caminhando lentamente.
_ Você não vai viajar? Perguntou Bernadete.
_ De fato, ia voltar para Lisboa, mas acho que vou adiar a viagem. Respondeu Alfredo Eugênio com um sorriso nos lábios...

terça-feira, 3 de junho de 2008

pausa para "A Favorita"



Nova novela das oito no ar. "A Favorita" chegou prometendo muito suspense, humor, intrigas, romances, enfim a mesma receita com um ou outro ingrediente diferente. Logo nas primeiras cenas vimos que o embate Donatella x Flora promete. A história é bem amarrada e as cartas já estão na mesa, ou seja, só há um grande segredo: quem está falando a verdade. A filha de Flora, Lara interpretada por Mariana Ximenes, não é uma mocinha inocente, e sabe que a mãe é assassina. Essa fórmula, para mim, é excelente pois evita aquela coisa de o personagem não saber e depois descobrir o segredo etc. O primeiro capítulo já apresentou boa parte dos personagens e podemos destacar a atuação de Patrícia Pillar, perfeita como Flora, ex-presidiária, olhar amargurado, desejo de justiça. Milton Gonçalves está compondo muito bem o deputado Romildo. Taís Araújo, está bem e sua personagem deve render boas cenas, só tiraria aquele franjão tipo Silvia (Aline Moraes em Duas Caras). Cláudia Raia é boa atriz, mas tem algo estranho nessa Donatella, talvez com o tempo a atriz acerte o tom do personagem. Mariana Ximenes e Tiago Rodrigues formam um belo casal e parecem ter química. Carmo Dalla Vecchia não me conveceu como o personagem sedutor. Cauã Reymond, de novo, o mesmo tipo. Gostei de ver Juliana Paes, rosto lavado e atuação contida, está bem. Tarcísio Meira, Glória Menezes e Mauro Mendonça dispensam comentários, são ótimos. E uma novela que tem no elenco Elizângela e Suzana Faini, vale a pena acompanhar. Adoro essas atrizes e estava morrendo de saudades da Suzana Faini, que voz. Um pequeno deslize foi o espelho na cela de Flora. Presas não têm direito a espelho. O autor João Emanoel Carneiro está de parabéns, o texto é bom e a trama tem tudo para prender os noveleiros.
O vídeo de hoje é o clip da música "Pa bailar" do Bajofondo (grupo formado por argentinos e uruguaios), que serve de tema para a abertura de "A Favorita". Apreciem e dancem!

III - o segredo de Bernadete

Depois de tomar chá de camomila com flor de laranjeiras, Bernadete estava mais calma. Alfredo Eugênio pediu para que abrisse seu coração, ele estava ali para escutá-la. Bernadete sorriu e agradeceu. Por uns instantes ficou olhando nos olhos de Alfredo Eugênio e após respirar fundo, tomou coragem e iniciou o seu relato. Cansada de sofrer por conta de uma paixão - não queria ser uma destruidora de lares - Bernadete achou melhor viajar um pouco, estava sem trabalho e com o dinheiro que tinha poderia viver algum tempo em outra cidade. Começou a separar algumas roupas, quando seus pais entraram em casa discutindo. Não deu muita importância, seus pais viviam às turras. De repente a discussão ficou mais acalorada. Bernadete saiu do seu quarto no intuito de acalmar os ânimos, antes de chegar no final do corredor ouviu sua mãe gritar: "Ela não é sua filha, seu velho estúpido, o Ernani foi o único homem que eu amei e a Bernadete é filha dele." Aquela frase caiu como uma bomba, o Sr Ernani era o melhor amigo do pai de Bernadete. Um longo silêncio tomou conta do apartamento. Dona Suely começou a chorar, nunca pensou que um dia tivesse coragem de revelar tal segredo guardado há mais de 25 anos. O olhar do Sr Oswaldo em direção à Dona Suely era de muito ódio. O casal ignorava que Bernadete estivesse em casa. Esta voltou para o quarto lentamente sem fazer barulho e lá ficou chorando baixinho. Era demais para Bernadete, sem trabalho, sem amor e o homem que mais admirava no mundo não era seu pai.
Eu mesmo fiquei impressionado, pois conhecia o Sr Ernani, dos tempos que ia na casa de Bernadete. Jamais imaginei isso.
Alfredo Eugênio, emocionado, enxugava as lágrimas que rolavam pelo rosto de Bernadete...

segunda-feira, 2 de junho de 2008

II - tudo aconteceu numa tarde de outono

Bernadete estava apaixonada, era uma paixão proibida, seu amor era um homem casado. Toda vez que ouvia "Atrás da porta", na voz de Elis Regina, chorava muito. Para não sofrer mais decidiu abandonar tudo e começar uma vida nova. Mas não sabia para onde ir. Não queria pedir conselhos nem ajuda. Raspou sua poupança e foi para o Aeroporto do Galeão. Sem saber o que fazer, foi até o balcão de uma companhia aérea e disse que queria sumir. Apenas chorava e soluçava. Atrás de Bernadete, Alfredo Eugênio olhava a cena e espantado com o que via, ofereceu apoio. Bernadete abraçou Alfredo Eugênio como se fosse um velho amigo. Alfredo Eugênio era português e estava voltando para Lisboa, para resolver assuntos de família. O homem alto, magro e com bigodes negros seria o anjo da minha amiga naquela noite fria. Mais calma, depois de beber um chá, Bernadete me contou que Alfredo Eugênio foi um verdadeiro cavalheiro e lhe ouviu. Como era um desconhecido, Bernadete ficou à vontade para lhe revelar todos os seus segredos.
Eu conheci Bernadete nos tempos de escola, talvez na 7ª série. Uma moça alegre e muito bonita, morena jambo, cabelos longos e um olhar cativante. Ficamos amigos de cara, ríamos muito juntos. No segundo grau nos separamos, Bernadete optou pelo curso Normal. Mas nos encontrávamos sempre. Bernadete resolveu estudar letras, adorava Português e optou por Francês como língua estrangeira. No período da Faculdade perdemos o contato, mas um dia, por acaso nos encontramos no CCBB. Bernadete era outra, mais bonita ainda, porém o brilho dos olhos estava um pouco ofuscado. Discreta, preferiu não dar detalhes. Trocamos telefones.
Depois daquele encontro, só a vi duas ou três vezes e já não me lembro se foi em 1992 ou 1993. Depois nunca mais, como disse, telefonei, mandei cartas e telegramas e nada. Somente agora, tantos anos depois, Bernadete reaparece e a sua história é emocionante. Ter encontrado Alfredo Eugênio foi muito importante para Bernadete. Naquela tarde ela contou um importante segredo para o homem desconhecido...

domingo, 1 de junho de 2008

A volta de Bernadete


Depois de um longo período sem dar notícias, Bernadete, minha amiga de muito tempo, apareceu para tomar um chá. Disse que estava muito ocupada, andou viajando, conheceu pessoas e agora, retornou ao Brasil para acertar as contas. Ainda não entendi que contas são essas. Bernadete disse que está um pouco confusa com algumas mudanças, quando viajou a moeda era o cruzeiro ou seria cruzeiro real, não sabe ao certo. Esse tempo longe dos amigos, tornou Bernadete uma pessoa mais calma, agora ela faz pausas, escuta, pensa e depois fala. Eu fiquei pensando, como Bernadete descobriu meu endereço, meu telefone. Confesso, quase não acreditei quando ouvi sua voz ao telefone: "Jorge, sou eu. Bernadete voltou." O dia 01 de junho de 2008, fica desde já registrado como "A volta de Bernadete". O mais incrível de toda essa história é que Bernadete não disse que iria viajar, simplesmente desapareceu. Inúmeras vezes telefonei, mandei cartas, bilhetes, mensagens e nada. Ainda estou tentando organizar tantas histórias que Bernadete me contou. Como soube do meu blog - aliás Bernadete já havia lido todos os posts - pediu para que eu vá contando um pouco de suas histórias aqui no "acabou o caviar?". Eu não posso negar esse favor à Bernadete, afinal ela é uma grande amiga. A partir de amanhã eu começo a contar.
Bernadete sempre gostou muito de Elis Regina, e a canção "Atrás da Porta" (Chico Buarque e Francis Hime), é o seu "hino nacional". Espero que Bernadete goste do vídeo que selecionei.