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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Carioca, apaixonado pelo Rio de Janeiro, apreciador das artes, das viagens e das pessoas que têm algo a dizer.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

cine paissandu



Desde a semana passada venho acompanhando nos jornais e pela internet o fechamento do cinema Paissandu, na Rua Senador Vergueiro. Fiquei impressionado com a movimentação das pessoas, uma grande mobilização para impedir o cerrar das cortinas daquele palco. Dá para entender, o Paissandu é um dos poucos cinemas de rua que restam. Mas parece que os donos do imóvel não pretendem vende-lo para que seja transformado em Igreja, Loja ou qualquer outra coisa. A vocação do imóvel é para o cinema, assim garantiu um dos proprietários, em matéria que saiu hoje no segundo caderno de O Globo. Já assisti muitos filmes no Paissandu, aliás, foi lá que assisti na antiga mostra Banco Nacional de Cinema ao divertido Priscila, a rainha do deserto – com Laura de Vison na platéia. Houve um período que trabalhava apenas dois dias na semana e quando estava em casa de bobeira ia até o Paissandu, ficava jogando conversa fora com o Carlos na Livraria e sempre via um filme...bons tempos. Espero que algum empresário arrende o espaço e que o bom e velho Paissandu continue sendo ponto de encontro da galera que ama a sétima arte. Enquanto isso, o jeito vai ser correr e participar da maratona que começou nesta sexta-feira, só tem clássico, escolha um, compre a pipoca e aproveite!



Sexta-Feira – 29/08
12h – FANNY E ALEXANDER (Fanny och Alexander) Ingmar Bergman – 188 min
15h20 – ASCENSOR PARA O CADAFALSO (Ascenseur Pour L'Echafaud) Louis Malle – 90 min
17h15 – O JOELHO DE CLAIRE (Le Genou de Claire) Eric Rohmer – 105 min
19h15 – O ATALANTE (L'Atalante) Jean Vigo – 95 min
21h15 – DESPREZO (Le Mépris) Jean Luc Godard – 103 min
23h15 – NOITES DE CABÍRIA (Le Notti di Cabiria) Federico Fellini – 110 min

Sábado – 30/08
12h – PARADE (Parade) Jacques Tati – 86 min
14h – UM HOMEM, UMA MULHER, UMA NOITE (Clair de Femme) Costa Gravas – 105 min
16h – ATIREM NO PIANISTA (Tirez Sur Le Pianiste) François Truffaut – 92 min
18h – MEDÉIA (Medea) Píer Paolo Pasolini – 118 min
20h15 – A GRANDE ILUSÂO (La Grande Illusion) Jean Renoir – 117 min
22h30 – PAISSANDU SURPRESA

Domingo – 31/08
12h – UMA MULHER SOB INFLUÊNCIA (A Woman Under The Influence) John Cassavetes – 155 min
14h45 – CASABLANCA (Casablanca) Michael Curtiz – 102 min
16h45 – A BELA DA TARDE (Belle de Jour) Luis Buñuel – 101 min
18h45 - O ÚLTIMO TANGO EM PARIS (Ultimo Tango a Parigi) Bernardo Bertolucci - 136 min
21h15 – TRINTA ANOS ESTA NOITE (Feu Follet) Louis Malle – 110 min

terça-feira, 26 de agosto de 2008

momento olímpico II

E as Olimpíadas acabaram, confesso que não vi muita coisa, também como ficar acordado a noite inteira, madrugadas a fio??? Mas gostei de tudo que vi, da abertura à festa de encerramento foi muito emocionante. Vibrei com as medalhas conquistadas pelos nossos atletas, principalmente a do Vôlei feminino. Claro que fiquei frustrado com algumas medalhas que não vieram, mas valeu o esforço dos atletas. Existe muita cobrança por parte da população, ainda mais quando se sabe a grana que foi investida. Porém, acredito que as pessoas esquecem que os outros países treinam seus atletas em verdadeiros centros de excelência, além disso, muitos atletas estrangeiros são apenas atletas, o histórico familiar é outro. Apesar da 23ª posição, o Brasil está de parabéns, afinal onde estão os outros países da América do Sul? Óbvio que nossa classificação poderia ser melhor com mais algumas medalhas douradas que eram certeza, mas as medalhas de prata servem como estímulo, penso assim. Que toda essa experiência de Pequim sirva para os atuais e futuros atletas. Ah, claro, eu sou um otimista, brasileiro e não desisto nunca!!!

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

XLI - cidadã do mundo


Eram cinco horas da manhã e o Boeing 737 -300 acabara de aterrisar no Aeroporto do Galeão. Bernadete estava ansiosa. Não tinha muita bagagem, apenas uma bolsa e uma mala pequena. Ficou hospedada no Hotel do Aeroporto, descansou um pouco e antes do meio-dia saiu, era sábado. Estava na Ilha do Governador e ia acertar contas com o seu passado. Tomou um táxi e foi para a Tijuca, Rua Conde de Bonfim. Sr Ernani, o verdadeiro pai de Bernadete a aguardava. O encontro foi doloroso, muitas lembranças vieram à tona, mas Bernadete precisava falar. Sr Ernani ouvia atentamente, cabeça baixa e apenas pedia perdão. Bernadete disse que nada mais importava na sua vida, mas não guardava nenhum rancor. Saiu do encontro um pouco confusa, mas achou melhor ficar com o coração limpo, agora estava pronta. Voltou ao hotel e ficou navegando pela internet, até que viu algo engraçado: "acabou o caviar". Era um blog, assustou-se: Jorge Fortunato, meu amigo! Um amigo de longa data, viu o blog todo, riu, tinha que encontrar o Jorge, mas como fazer? Exaustivamente procurou e conseguiu falar com o amigo por telefone, combinaram um chá para o dia seguinte. O encontro foi marcado por muitas emoçõe e uma longa conversa. Após ouvir tudo o amigo disse que a sua história daria um livro...

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Neste momento Bernadete deve estar em algum lugar desse planeta, conhecendo gente, conversando, descobrindo coisas novas, provando novos sabores.... não disse se volta ao Brasil ou se vai mandar notícias, talvez esteja em Pequim assistindo aos jogos olímpicos, mas como saber? Bernadete é uma cidadã do mundo...

Fim


quinta-feira, 14 de agosto de 2008

XL - nova vida

Dois dias depois de escrever a carta que iria traçar o seu destino, Bernadete foi visitar os pais de Alfredo Eugênio, conversaram muito e Bernadete contou aos sogros o que havia planejado e sabia que podia contar com o apoio do casal. Saiu da Quinta dos Rebouças Leitão e seguiu para Lisboa onde teria uma reunião no escritório do advogado da família.
Dr Manuel Adriano era o advogado de confiança de Alfredo Eugênio, além de amigo da família. A reunião foi longa e muito cansativa, mas tudo foi acertado como Bernadete havia planejado. Dr Manuel Adriano disse que no máximo em três meses tudo estaria resolvido. Bernadete saiu do escritório e ficou andando pelas ruas de Lisboa meio sem rumo, o tempo estava nublado e em poucos minutos começaria a anoitecer. Não retornaria à Sintra iria passar a noite na casa de Domingas. Assim que chegou começaram a conversar sobre a decisão que Bernadete havia tomado. domingas estava feliz por Bernadete, mas triste por perder a sócia.
Berndete tomou a decisão de vender sua parte na sociedade, assim como todos os bens que possuía e não iria morar mais em Lisboa. Tão logo tudo fosse resolvido seria uma cidadã do mundo. Não conseguiria mais viver em Portugal, tudo lhe trazia a lembrança do seu grande amor. Mas antes precisa acertar contas com o seu passado.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

XXXIX - carta para uma nova vida

Durante três meses Bernadete ficou trancada dentro de casa, às vezes ia até a quinta dos pais de Alfredo Eugênio, mas a maior parte do tempo ficava em casa, lendo, ouvindo as músicas que Alfredo Eugênio gostava. Era uma outra mulher, havia emagrecido e estava muito abatida. Não tinha forças para nada. No entanto, sabia que não poderia continuar daquela maneira. O inverno não a motivava muito, mas tomada por um desejo maior de vencer a inércia que havia se transformada sua vida, apanhou um bloco e uma caneta e escreveu uma longa carta para si mesma.
Naquela tarde tomou uma grande decisão, tudo estava escrito nas três páginas da carta, sua vida inteira estava ali, seus momentos, suas angústias e dores, mas também seus sonhos e planos. Parecia estranho escrever uma carta para si mesma, mas a atitude foi positiva e no dia seguinte estava mais reconfortada.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

XXXVIII - não estava preparada

Bernadete estava sentada à beira da piscina, lia um livro e de repente parou, contemplava o horizonte e pensava na sua vida, há 14 anos estava em Portugal, tudo mudou na sua vida. Pensava nos amigos de quem havia se afastado, no homem por quem foi apaixonada, no melhor amigo da família, que era o seu pai biológico, na sua querida tia Alda que havia falecido no ano anterior, saudades do Rio de Janeiro. Estava tão absorta nos pensamentos que se assustou com a chegada da empregada trazendo o telefone. A moça parecia nervosa, estava pálida. Bernadete apanhou o telefone e soltou um grito. Alfredo Eugênio estava morto. Não acreditava no que ouvira, seu marido havia saído há poucas horas, tinha ido a Lisboa. Era sábado, pouco trânsito. Uma fatalidade, um acidente. Bernadete estava só. Não tinha mais ninguém. Uma dor terrível tomou conta da sua vida.
O mês de setembro que fecha o verão e anuncia o início de uma nova estação, o outono, trouxe uma grande tristeza para a família Rebouças Leitão.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

XXXVII - uma nova casa

A resposta de Alfredo Eugênio estava carregada de tristeza e frustração, ele estava conformado com o fato de não poder ser pai e, certamente, se assim não era para ser ele não estava disposto a adotar e foi isso que após 8 anos, ele confessou à Bernadete.

Apesar de tudo, deveriam viver assim, pois era esta a sorte do casal e pediu para não tocarem mais no assunto.

De fato, depois daquele fim de semana em Paris, nunca mais falaram sobre o assunto. Bernadete estava conformada, mais no fundo sentia-se culpada, se tivesse tentado logo no início, mas enfim a vida deveria seguir.

Os anos passavam tão rapidamente e já estava há mais de 10 anos em Portugal. Depois da sua partida inesperada, nunca mais voltara ao Brasil. Pouco falava com sua família, na verdade, apenas uma tia que morava em Petrópolis. Às vezes escrevia, outras telefonava.

Depois de tantos anos morando em Lisboa, compraram uma Quinta em Sintra, este era um antigo desejo de Alfredo Eugênio. Era uma Quinta muito charmosa, com muitas árvores, gramdos e uma linda piscina, a casa era enorme e frequentemente reuniam os amigos nos fins de semana.

domingo, 10 de agosto de 2008

momento olímpico



Como vocês sabem 2008 é um ano bissexto e por isso, reza a lenda, temos Olimpíadas. Pode ser apenas coincidência claro, mas tem sido assim nos últimos tempos. O importante é que durante três semanas seremos testemunhas de grandes emoções. A primeira delas foi a festa de abertura. Os chineses capricharam e brindaram o mundo com um espetáculo ímpar de som, luz e cor. Muita gente ainda lembra da festa da abertura de Moscou em 1980, inesquecível o urso Misha, mas Pequim 2008 gravou seu nome na História. Pena que vendo pela televisão temos que aturar os inevitáveis comentários, mas no meio de tanto blablabla, o ex-jogador Oscar Schmidt, muito inspirado, disse o seguinte: "A vila olímpica é o mundo ideal, lá os atletas de todos os países estão reunidos, são pessoas de todas as raças e credos, vivendo em união e competindo em quadras e ginásios." Essa foi a melhor fala que eu já ouvi, foi emocionante.


Até hoje, segundo dia de competição, já vimos que a China veio para ganhar medalhas e mais medalhas e o americano Michael Phelps parece que vai mesmo quebrar o recorde de maior medalhista de ouro olímpico, o cara está voando dentro das piscinas. Aliás, os tempos estão caindo cada vez mais, a diferença entre uma medalha de ouro e o último lugar chega no máximo a 2 segundos e muitas vezes são centésimos, isso é duro.


Os brasileiros vão ter que ralar muito para conseguir um lugar no pódio, mas já podemos comemorar a participação histórica de uma equipe de ginástica nas finais, assim como um ginasta brasileiro na final individual.
O vídeo não poderia ser outro, o ex-atleta Li Ning "corre" no ar e acende a pira olímpica.

sábado, 9 de agosto de 2008

duas peças curtas de Beckett


É incontestável a contribuição de Samuel Beckett para o teatro universal, com seus textos primorosos e questionadores. Muito conhecido por Esperando Godot - uma de suas peças mais encenadas -, Beckett é o autor que trata do tema da solidão com maestria.

No palco do Oi Futuro temos o prazer de assistir duas peças curtas do autor irlandês: "A Última Gravação de Krapp e "Ato sem palavras I", com direção brilhante de Isabel Cavalcanti e atuação irrepreensível de Sérgio Britto, ator que dispensa qualquer comentário. É prazeroso vê-lo atuar, aos 85 anos de idade, Sérgio Britto está em plena forma.

A primeira peça a ser encenada é a "A ùltima Gravação de Krapp", solidão e melancolia estão representadas no cenário composto por uma mesa com duas gavetas, um gravador de rolo e uma estante com algumas caixas. A luz é fraca. Na sala minúscula Krapp passa o dia ouvindo suas memórias, gravadas por ele ao longo da vida. São momentos de pura nostalgia e de muita sensibilidade. Vemos na atuação de Sérgio Britto uma entrega visceral, as dores e as lembranças do personagem são todas passadas pelo olhar do ator, numa interpretação magistral. Em seguida o palco é transformado em um deserto, uma luz forte invade a cena para dar início a "Ato sem palavras I". Nesta peça, inspirada no livro "A Mentalidade dos Macacos" de Wolfgang Köhler, Beckett demonstra seu interesse pelo cinema mudo e pelos comediantes. Se no livro, são relatados os experimentos com macacos, na peça Beckett expõe a impotência do homem, mostrando as tentativas do personagem para alcançar uma garrafa d'água para matar a sede, tudo no tom certo do humor sarcástico do autor. Mais uma vez Sérgio Britto está totalmente à vontade em cena, corre, senta, deita no chão e brilha para deleite da platéia. O espetáculo fica em cartaz até o dia 28 de setembro e é um daqueles momentos imperdíveis da cena teatral.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

XXXV I- O destino não quis

As semanas e os meses foram passando e aos poucos a vida voltava ao normal. Durante esse período pensaram em outras possibilidades, talvez adotar uma criança fosse uma solução. Os dois juntos tinham amor suficiente para dar e tantas crianças no mundo sem família, sem ter alguém para cuidar.
Alfredo Eugênio dedicava a maior parte do seu tempo ao trabalho, assim como Bernadete. A Operadora havia crescido bastante e Bernadete fazia viagens por toda Europa para preparar roteiros diferenciados e formalizar parcerias. Alfredo Eugênio a acompanhava em algumas viagens. O ritmo era tão intenso que estavam sempre adiando a idéia de iniciar o processo de adoção e assim se passaram oito anos.
Durante um final de semana em Paris, enquanto almoçavam em um dos restaurantes da rive gauche, Bernadete tocou no assunto da adoção, disse que os dois estavam tão envolvidos com o trabalho que até pareciam ter esquecido do projeto de aumentar a família. Alfredo Eugênio apenas respondeu:
_ O destino não quis.
Silêncio.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

XXXV - haja o que houver

Já passavam das 20 horas e Bernadete estava aflita, Alfredo Eugênio não havia retornado, tentara o celular várias vezes e nada. Decidiu sair e dar uma volta pelo bairro, mas ao abrir a porta Alfredo Eugênio acabara de chegar.
_ Meu querido, estava preocupada, liguei para você várias vezes.
_ Está tudo bem, respondeu com voz muito triste.
Já não podendo esconder sua tristeza Alfredo Eugênio chorou e disse que não poderia ser pai. Bernadete abraçou o marido e os dois choraram juntos.
Aquela noite certamente foi um dos dias mais tristes para o casal. Bernadete já passara por momentos difíceis, mas sempre contou com o apoio de Alfredo Eugênio, dessa vez não sabia como consolar o marido. Apenas ficou ao seu lado. Ficaram abraçados, deitados sobre a cama. Ao fundo a voz de Tereza Salgueiro consolava o casal.