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sábado, 14 de março de 2009

Maria Stuart


Desde pequeno tenho interesse por histórias de reis e rainhas, castelos, torres, masmorras e calabouços. Viajava horas e horas lendo contos dos irmãos Grimm. Até hoje sou fascinado por este universo e quando viajo e vejo os castelos, antigas igrejas, sinto-me um pouco transportado para este longínquo mundo.
Na última sexta-feira, fui ao Teatro do Centro Cultural Banco do Brasil para assistir Maria Stuart, de Schiller. Esta é a segunda montagem que assisto do texto desse autor alemão.
Schiller através do seu belíssimo texto promove o encontro – que não aconteceu, de fato – entre as duas rainhas: Mary Stuart, rainha católica de Escócia e Elizabeth, rainha protestante de Inglaterra. A tragédia envolve poder, intolerância, ambição, intriga política, sexo e uma rivalidade que leva a um desfecho fatal.
A peça de Schiller foi escrita entre 1799 e 1800 e foi traduzida brilhantemente por Manuel Bandeira, com todo o rigor do texto clássico. Como são belas as palavras proferidas por Maria Stuart: "Mais fácil fora que se acomodassem a água e o fogo, que amorosamente cordeiro e tigre se beijassem... entre nós duas não haverá conciliação que valha!"; e Elizabeth: "No dia em que os ingleses já não tiverem que escolher, nascida serei então de tálamo legítimo!".
A atual montagem em cartaz no CCBB é muito diferente da que assisti há alguns anos, mas não menos impactante.
A direção do espetáculo é de Antonio Gilberto, que optou por concentrar seu foco na relação humana das duas rainhas e dos personagens que giram em torno delas. O cenário de Hélio Eichbauer é simples: uma pesada cortina vermelha no fundo do palco, praticáveis de madeira e o trono de Elizabeth.
Os figurinos não acompanham o peso e o valor do texto de Schiller, sendo muito infeliz o resultado encontrado por Marcelo Pies para vestir as rainhas e os demais personagens.
A iluminação de Tomás Ribas assim como a música de Marcos Ribas são satisfatórias.
O grande elenco de 15 atores - raro para o teatro atual - tem no seu naipe masculino atuações aquém da qualidade do texto, sendo a única exceção o Melvil de Ednei Giovenazzi que faz dignamente o mordomo de Maria Stuart. Cabe destacar a atuação de Amélia Bittencourt no papel de Ana Kennedy, ama de Maria Stuart.
No papel das rainhas Julia Lemmertz está muito bem como Maria Stuart e chega ao ápice da sua interpretação no embate com Elizabeth. Clarice Niskier apresenta uma Elizabeth endurecida, um pouco militarizada, mas tem ótima atuação.
Enfim, pelo valor do texto de Schiller traduzido brilhantemente por Manuel Bandeira, e levando-se em consideração a raridade de produção de textos clássicos em nossos palcos, Maria Stuart merece ser vista.

3 comentários:

  1. Tive oportunidade de assistir uma montagem de Maria Stuart, texto de Schiller, encenada a algum tempo, tendo Xuxa Lopes no papel de Elizabeth e Renata Sorrar como Maria Stuart, montagem impactante, um duelo de duas grandes atrizes em cena. De fato, como bem aponta o Jorge, esse encontro nunca aconteceu, pois Elizabeth, durante o periodo em em que Maria Stuarda esteve presa na Inglaterra até sua decapitação, nunca encontrou-se com a prima. Mas o texto de Schiller é uma obra prima. E farei tudo para ver essa montagem, pois se o Jorge viu a anterior e também recomenda essa, é porque, com certeza, merece ser vista.

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  2. Jorge, eu assisti o filme recente em DVD e adorei! Foi fantástico. O teatro nós sentimos mais próximos aos fatos, eu prefiro, deve ser ótimo.

    Agradeço sua visita e chegarei ao encontro por volta de 13:00H Bjs.

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  3. Vi a peça ontem (18/03)...por acaso, dia do aniversário da Julia Lemmertz.Que atriz incrível! Montagem corajosa e apenas a linda atuação de Julia já compensaria a ida ao teatro.Apesar de qualquer crítica negativa que possam tecer por aí, justa ou não, recomendo esta peça.

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