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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Carioca, apaixonado pelo Rio de Janeiro, apreciador das artes, das viagens e das pessoas que têm algo a dizer.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Vau da Sarapalha

Muitas vezes somos pegos de surpresa com a passagem do tempo... é aquele velho lugar-comum: "o tempo voa...". E voa mesmo. Parece que foi ontem o mês de dezembro e 1992. Final de primavera, rolava um burburinho na cidade sobre um espetáculo teatral de um grupo da Paraíba. Sempre antenado, rumei ao Teatro Gláucio Gil em Copacabana, para conferir aquele que seria um dos espetáculos mais marcantes que já havia assistido: Vau da Sarapalha. Um espetáculo ao mesmo tempo forte e delicado, pleno de nuances, de referências desse nosso Brasil imenso, cheio de força, de cores... um teatro brasileiro.
17 anos depois, no palco do Teatro Nelson Rodrigues reencontro o Piollin Grupo de Teatro e o Vau da Sarapalha, uma adaptação do conto "Sarapalha" de Guimarães Rosa. O mesmo grupo de atores, um espetáculo amadurecido, com mais de 1000 apresentações pelo Brasil e pelo mundo.
A história é simples e gira e torno dos primos Ribeiro e Argemiro, ambos contraíram a malária e vivem isolados em um sítio. Primo Ribeiro viu seu grande amor partir e desde então conta com a solidariedade do seu primo Argemiro. Próximo aos dois está a Negra Ceição, espécie de curandeira que pronuncia palavras ininteligíveis e vive às voltas com o cão Jiló e o capeta que mantém aceso o fogo do seu fogão. Nesse ambiente a vida passa tranquila e sonolenta entre os delírios de febre de primo Ribeiro, os causos do primo Argemiro e as rezas de Negra Ceição. Um universo rico e cheio de força.
Dando vida aos personagens um elenco afinado, encabeçado por Everaldo Pontes no papel de primo Ribeiro, Nanego Lira como primo Argemiro, Servílio Holanda como o cão Jiló, Soia Lira a Ngra Ceição e Escurinho interpretando o capeta.

(Soia Lira, Everaldo Pontes e Nanego Lira - sintonia e atuações irrepreensíveis)


A adaptação e direção do espetáculo coube à Luiz Carlos Vasconcelos, que conduziu o grupo com muita sensibilidade e conseguiu extrair interpretações de altíssimo nível. Não cabe dizer quem está melhor, uma vez que a sintonia é perfeita e o jogo teatral, mesmo após 17 anos , tem o vigor da época da estréia, tamanha a entrega dos atores. Mas, vale ressaltar o belíssimo trabalho de composição de Servílio Holanda, interpretando o Perdigueiro Jiló. Muitas vezes esquecemos o ator e vemos no palco um cachorro vira-latas.


(Servílio Holanda - composição impressionante)
Vau da Sarapalha tem ainda uma carreira longa e é um desses espétáculos inesquecíveis que dão prazer ao espectador.

2 comentários:

  1. Jô, meu amigo querido, quanto tempo não passava por aqui, mas sentir o frescor das suas postagens me faz muito bem, viu? Aqui se respira cultura e esse barro é o que me molda e apazigua a alma.
    Fiquei morrendo de vontade de assistir Vau de Sarapalha e vou ficar de olho. Se eles pintarem por aqui, estou lá. Tomara que não demore.

    Beijo carinhoso com saudade. ; )

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  2. Letícia,
    é sempre um prazer ler seus comments aqui no Caviar. Vau da Sarapalha é, como disse, um espetáculo maravilhoso. Eu acho que o Piollin já passou aí em Sao Paulo...tomara que eu esteja errado. Caso não tenham passado, não deixe de ver.
    Um beijão

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