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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Carioca, apaixonado pelo Rio de Janeiro, apreciador das artes, das viagens e das pessoas que têm algo a dizer.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

O Som da Motown

Postagem nº 250!

No final dos anos 50 surgiu uma gravadora nos Estados Unidos que iria mudar completamente a cena musical do mundo. Exagero? Talvez, mas o fato é que depois da Motown o mundo conheceu uma batida diferente e ninguém mais ficou parado. Este ano a Motown completa 50 anos de existência e para festejar a data Renato Vieira e Cláudio Figueira produziram o musical O Som da Motown, em cartaz no Teatro do Leblon.
A Motown tem grande importância no cenário musical pois lançou grandes astros americanos como Marvin Gaye, Michael Jackson, Diana Ross, Stevie Wonder entre tantos. Até hoje as músicas fazem sucessos em qualquer pista. Quem já não balançou ao som de "Reach out, I'll be there"?

O musical, como diz o programa, "não ambiciona documentar a história da gravadora, e sim, consagrar a emoção de toda uma época". E assim, o público é presenteado com um espetáculo encantador. O elenco é composto por cinco excelentes intérpretes: Simone Centurione, Thalita Pertuzatti, Ellen Wilson, Alcione Marques e Débora Pinheiro. Este quinteto tem um preparo vocal de tirar o fôlego, além de dançarem as coreografias que nos fazem lembrar dos melhores momentos dos artistas homenageados. Não bastasse a música que traz toda nostalgia e faz um bem enorme aos ouvidos, O Som da Motown tem lindos figurinos, com direito a muito colorido, ternos brilhantes, vestidos reluzentes e muitos espelhos. Enfim, todo o estilo da época da Black Music.
São 28 canções e a cada número a minha vontade era de levantar e dançar, mas a plateia do último sábado estava bem comportadinha e no máximo vi umas cabecinhas balançando. Uma pena. O Som da Motown é dançante.

Alguns momentos do espetáculo são muito especiais: a apresentação dos grupos The Supremes e Jackson Five. Assim que surgem no palco vemos o cuidado da produção. A reconstituição dos figurinos e das coreografias são irrepreensíveis. As meninas arrasam! Mas o ponto alto é quando Simone Centurione faz um dueto com Michael Jackson (em vídeo) cantando Ben, é de arrepiar. A sintonia é perfeita e as vozes se harmonizam completamente.
O Som da Motown é uma grande viagem ao túnel do tempo, revisitando a época de ouro da Black Music e que cativa qualquer tipo de platéia. Imperdível!
Para matar saudades, um vídeo com The Supremes:
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250 postagens! Quero agradecer aos queridos leitores pelo carinho e apoio. Obrigado pelas visitas e pelos comentários.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Esta é a nossa canção

Um dos grandes sucessos da Broadway, Esta é a nossa Canção estreou há 30 anos e tem feito grande sucesso. Depois de diversas montagens pelo mundo, o espetáculo chega ao Brasil pelas mãos do ator Tadeu Aguiar que cuidou da produção e foi responsável pela tradução do texto, além de atuar.
Particularmente, gosto muito de musicais, e quando surgiu a oportunidade para assistir ao espetáculo nem pensei duas vezes.
Um musical para fazer sucesso deve satisfazer uma série de exigências, como ter uma boa produção, texto, figurinos, música e boas atuações. E foi tudo isso que encontrei em Esta é a nossa Canção. Uma comédia romântica como não via há muito tempo, com todos os elementos que prendem o espectador do início ao fim, e leva à torcida por um final feliz.
A história gira em torno do casal Sonia Walsk e Vernon Gersh, ela uma letrista talentosa e ele um compositor de sucesso. Do primeiro encontro surge uma grande afinidade que se transforma em amor. Juntos Sonia e Vernon compõem canções, até fazerem um grande sucesso que passa a tocar nas rádios. A relação do casal é abalada pela constante presença do ex-namorado de Sonia. Entre altos e baixos o desfecho é feliz. Uma fórmula muito simples e que conquista a plateia.
O espetáculo é grandioso com belos cenários, figurinos muito bonitos e bem acabados e uma coreografia caprichada.
No dia em que assisti ao espetáculo a personagem Sonia Walsk foi interpretada por Ana Baird, que substituiu Amanda Acosta, afastada por motivos de saúde. Isso acontece, mas pude perceber que Ana estava bem preparada para a missão, tamanha sua desenvoltura no papel de protagonista. Ao seu lado, Tadeu Aguiar, dá vida ao compositor Vernon Gersh. A sintonia entre o casal estava perfeita e rendeu ótimos momentos no palco. O elenco fica completo com um grupo de atores/cantores muito bons.
Esta é a nossa Canção está em cartaz no Teatro Carlos Gomes e é um ótimo programa para os amantes do teatro e dos musicais.

domingo, 23 de agosto de 2009

não dá para ficarmos calados

Como vocês sabem o "Acabou o caviar?" é um blog que traz notícias sobre pessoas, diversão, arte, viagens, papo etc. São estes os assuntos comuns que gostamos de apresentar, pois todos são muito prazerosos. Nunca falamos de temas controversos, como política, religião e futebol. Porém, diante de tudo que tem acontecido nos últimos dias, não dá para ficarmos calados e impassíveis. O Brasil está vivendo um dos momentos mais tristes da sua história política. Todos os valores de moralidade e ética estão sendo jogados por terra. Pessoas que julgávamos sérias e comprometidas com o interesse público, agora fazem parte de um grupo que não está "nem aí" para a nossa opinião. Vale tudo em nome do poder. Por isso, estamos fazendo esse pequeno protesto, mostrando nossa indignação diante dos fatos. Não podemos compactuar com essa babel.
Fala-se muito que o povo brasileiro não tem memória, que tudo passa e em poucos dias a população esquece dos acontecimentos e dos atores. Por isso, apenas com o intuito de ajudar, publicamos os nomes dos Senadores que votaram no Conselho de Ética do Senado pelo arquivamento das denúncias contra o presidente do Senado, o sr. José Sarney, e a representação contra o Senador Arthur Virgílio. Pelo menos aqui no "Acabou o Caviar?" o nome dos Senadores estarão perpetuados, para quem ninquém esqueça.
Paulo Duque - PMDB - RJ (presidente do Conselho de Ética, embora não tenha votado, mas foi dele, sob ordens dos governistas, a decisão pelo arquivamento).
Ideli Salvatti (PT - SC)
João Pedro (PT - AM)
Delcídio Amaral (PT - MS)
Wellington Salgado (PMDB - MG) - suplente do ministro Hélio Costa
Almeida Lima (PMDB - SE)
Gilvan Borges (PMDB - AP)
Inácio Arruda (PCdoB - CE)
Gim Argello (PTB - DF)- suplente de Joaquim Roriz
Romeu Tuma (PTB - SP)

Nós fizemos a nossa parte. Agora, prezado leitor, faça a sua: ajude a divulgar este post.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Vau da Sarapalha

Muitas vezes somos pegos de surpresa com a passagem do tempo... é aquele velho lugar-comum: "o tempo voa...". E voa mesmo. Parece que foi ontem o mês de dezembro e 1992. Final de primavera, rolava um burburinho na cidade sobre um espetáculo teatral de um grupo da Paraíba. Sempre antenado, rumei ao Teatro Gláucio Gil em Copacabana, para conferir aquele que seria um dos espetáculos mais marcantes que já havia assistido: Vau da Sarapalha. Um espetáculo ao mesmo tempo forte e delicado, pleno de nuances, de referências desse nosso Brasil imenso, cheio de força, de cores... um teatro brasileiro.
17 anos depois, no palco do Teatro Nelson Rodrigues reencontro o Piollin Grupo de Teatro e o Vau da Sarapalha, uma adaptação do conto "Sarapalha" de Guimarães Rosa. O mesmo grupo de atores, um espetáculo amadurecido, com mais de 1000 apresentações pelo Brasil e pelo mundo.
A história é simples e gira e torno dos primos Ribeiro e Argemiro, ambos contraíram a malária e vivem isolados em um sítio. Primo Ribeiro viu seu grande amor partir e desde então conta com a solidariedade do seu primo Argemiro. Próximo aos dois está a Negra Ceição, espécie de curandeira que pronuncia palavras ininteligíveis e vive às voltas com o cão Jiló e o capeta que mantém aceso o fogo do seu fogão. Nesse ambiente a vida passa tranquila e sonolenta entre os delírios de febre de primo Ribeiro, os causos do primo Argemiro e as rezas de Negra Ceição. Um universo rico e cheio de força.
Dando vida aos personagens um elenco afinado, encabeçado por Everaldo Pontes no papel de primo Ribeiro, Nanego Lira como primo Argemiro, Servílio Holanda como o cão Jiló, Soia Lira a Ngra Ceição e Escurinho interpretando o capeta.

(Soia Lira, Everaldo Pontes e Nanego Lira - sintonia e atuações irrepreensíveis)


A adaptação e direção do espetáculo coube à Luiz Carlos Vasconcelos, que conduziu o grupo com muita sensibilidade e conseguiu extrair interpretações de altíssimo nível. Não cabe dizer quem está melhor, uma vez que a sintonia é perfeita e o jogo teatral, mesmo após 17 anos , tem o vigor da época da estréia, tamanha a entrega dos atores. Mas, vale ressaltar o belíssimo trabalho de composição de Servílio Holanda, interpretando o Perdigueiro Jiló. Muitas vezes esquecemos o ator e vemos no palco um cachorro vira-latas.


(Servílio Holanda - composição impressionante)
Vau da Sarapalha tem ainda uma carreira longa e é um desses espétáculos inesquecíveis que dão prazer ao espectador.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

A Gaivota (alguns rascunhos)

Para alegria dos cariocas o Piollin Grupo de Teatro está no Rio, para uma pequena temporada. Nesta visita, o simpático grupo da Paraíba trouxe dois espetáculos: "A Gaivota" e "Vau da Sarapalha". O primeiro foi apresentado na última semana e trata-se de uma adaptação bem livre do texto de Tchékhov, um dos maiores dramaturgos russos.
Conheci o Piollin em 1992, ou seja, há 17 anos. Naquela ocasião assisti ao espetáculo "Vau da Sarapalha" e fiquei impressionado com a qualidade do grupo. Por isso, nem pensei duas vezes, quando no último sábado vi, quase pr acaso o anúncio da peça. Corri e fui ao Nelson Rodrigues e, claro, lotação esgotada! Apenas 100 lugares, mas o destino me reservou um ingresso de um convidado ausente.
Há alguns anos assisti ao clássico de Tchékhov, montagem de um grupo de São Paulo, com Walderez de Barros no papel de Arcade.
A montagem do Piollin é despretensiosa e lírica, com momentos simples e poéticos.
A direção optou pela aproximação do público com os atores, por isso, a platéia está no palco fazendo parte do cenário, que conta com alguns bancos, almofadas e um ventilador.
Como disse, a montagem é uma adaptação bem livre do texto, mas não perdeu a sua essência. Os dramas do jovem Treplev, seus conflitos e sua inseguraça em relação ao sucesso da mãe, seu amor pela jovem Nina estão ali.
O elenco é composto por Ana Luisa Camino, Buda Lira,Everaldo Pontes, Nanego Lira e Thardelly Lima e tem atuação razoável, dentro da linha adotada pelo diretor. Do grupo, podemos destacar a interpretação de Everaldo Pontes como Arcade, sem desmerecer os outros atores.
A Gaivota (alguns rascunhos), pode não ser o melhor dos espetáculos da companhia, mas serve para mostrar uma outra faceta desse grupo.
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O próximo espetáculo, "Vau da Sarapalha", será apresentado de 12 a 16 de agosto, às 20h, no Teatro Nelson Rodrigues, com ingressos a R$ 10. Não percam!

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Ricardo Reis

Você conhece Ricardo Reis? Claro que sim... Ricardo Reis é um dos pseudônimos de Fernando Pessoa.
Hoje, recebi de uma querida amiga, uma das belas poesias desse mestre das palavras e compartilho com vocês!


Sob a leve tutela
De deuses descuidosos,
Quero gastar as concedidas horas
Desta fadada vida.

Nada podendo contra
O ser que me fizeram,
Desejo ao menos que me haja o Fado
Dado a paz por destino.

Da verdade não quero
Mais que a vida; que os deuses
Dão vida e não verdade, nem talvez
Saibam qual a verdade.

Ricardo Reis