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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Carioca, apaixonado pelo Rio de Janeiro, apreciador das artes, das viagens e das pessoas que têm algo a dizer.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Jeanne Moreau, uma diva no Rio

(Jeanne Moreau no filme Les Amants, dirigido por Louis Malle)
No último sábado, dia 26, tive uma daquelas raras oportunidades de ver um mito. Estou falando de Jeanne Moreau, atriz francesa, musa de Truffaut, Malle entre outros. Jamais pensei na vida que um dia iria encontrá-la. A primeira vez que vi Moreau nas telas foi em Jules et Jim, numa mostra de cinema no Museu da Imagem e do Som que homenageava François Truffaut. Fiquei impressionado. Em seguida assisti Les Amants (Os Amantes) e depois Ascenseur pour l'echafaud (Ascensor para o cadafalso). A beleza de Jeanne ofuscava a de qualquer outra atriz que aparecesse nos filmes, sua presença era marcante. Sem contar a sua voz charmosa, com timbre único. Impossível não lembrar da sua voz e das canções como "Le Tourbillon de la vie", que cantou em Jules et Jim.



No último sábado Mlle. Moreau foi até ao Cine Odeon para bater um papo com o público. Falou um pouco de tudo, da vida, do Brasil, do cinema e de alguns filmes que fez. Para Jeanne "cada filme é um país..."


A atriz chegou acompanhada de Cacá Diegues e, ao ser avistada, foi ovacionada pelo público. Para quem não sabe, o filme Joanna Francesa, de 1973, foi dirigido por Cacá Diegues com Jeanne Moreau no papel principal.

(Momento tietagem: não levei nada para ser autografado, mas consegui um LP antigo de um fã e pedi o autógrafo, valeu pela emoção)
Consegui gravar um pequeno trecho do bate-papo de sábado. Está um pouco tremido (estava emocionado). No vídeo Jeanne Moreau diz que na casa onde está hospedada, aqui no Rio, tem muitos livros sobre o Brasil. Ela leu muita coisa e vai precisar de uns 5 dias sozinha para armazenar todo o conhecimento obtido.

video

domingo, 27 de setembro de 2009

Simplesmente eu, Clarice Lispector


Figura ímpar da literatura brasileira, Clarice Lispector é dona de uma obra forte e cheia de mistérios. Seus escritos seduziram artistas, escritores e o grande público. Beth Goulart é uma das admiradoras da obra da escritora e, diante de tanta paixão, decidiu adaptar, dirigir e estrelar o monólogo "Simplesmemte Eu, Clarice Lispector", cuja temporada no CCBB do Rio de Janeiro, termina no próximo dia 04 de outubro. O espetáculo é uma grande oportunidade para o espectador penetrar no universo da autora de "Perto do coração selvagem".

"A arte é um vazio que a gente entendeu"

Clarice Lispector

Através de diversos textos da obra da autora, Beth Goulart construiu uma boa estrutura para mostrar "a trajetória de Clarice, uma mulher em direção ao entendimento do amor". Clarice fala sobre a vida e a morte, criação, Deus, cotidiano, palavra, silêncio, solidão, entrega... e assim vamos conhecendo Clarice, ora através dos seus depoimentos, ora através dos personagens dos romances e contos que escreveu: "não sou eu quem escrevo, são meus livros que me escrevem." E assim o espetáculo vai caminhando como um bate-papo, um encontro feliz entre a escritora e o seu público, entre o teatro e a literatura.
"Simplesmente eu, Clarice Lispector" é um espetáculo muito bem cuidado e feito com grande carinho. Beth Goulart reuniu uma ficha técnica com os melhores nomes da área e isso é um grande carinho para o público. Dá prazer de ver o belo cenário de Ronald Teixeira e Leobruno Gama, composto por uma grande cortina de fitas brancas, cadeiras e uma mesinha com máquina de escrever; tudo muito bem iluminado por Maneco Quinderé formando um conjunto de muito bom gosto. Da mesma forma os figurinos de Beth Filipecki são simples e sofisticados, dignos da escritora e da atriz. A supervisão do espetáculo ficou a cargo de Amir Haddad.
O amadurecimento de uma atriz

Beth Goulart diz no programa da peça que "este espetáculo é uma declaração de amor a Clarice, por tudo o que sua literatura foi e continua sendo...". A sua paixão pela obra da autora revelou, antes de tudo, uma mulher obstinada e uma atriz dedicada e estudiosa, completamente entregue ao personagem. Beth Goulart atinge um nível de atuação altíssimo, irrepreensível. Seja interpretando Clarice, com seu jeito peculiar de falar, com seus trejeitos; ou dando vida a alguns personagens criados pela escritora, Beth está perfeita! Uma prova incontesti do seu talento, dedicação e amor pelo teatro.

"Simplesmente Eu, Clarice Lispector" ficará marcado para sempre como um verdadeiro divisor de águas na carreira de Beth Goulart, uma atriz no auge do seu talento e maturidade de interpretação.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Cultura Inútil


Volta e meia sou bombardeado com e-mails contendo todo tipo de informação. São curiosidades, correntes, fotos e fatos curiosos, etc. Hoje fiquei sabendo porque os preços das lojas são quebrados. Desconheço a fonte, pois quem enviou não mencionou; é ler, aproveitar e ... jogar fora. Divirtam-se!!!

A origem dos preços quebrados

"Diversas lojas tem os preços fixados em frações invés de números redondos, por exemplo, R$ 9,99 em vez de R$10,00, R$19,95 em vez de R$20,00 e por aí vai. Entende-se que essa medida é tomada para o preço sempre parecer menor para o consumidor. Mas sabia que não foi por isso que essa prática começou a ser adotada? A razão para esse método de preços surgiu para garantir que o funcionário responsável pelo recebimento do valor da compra tenha que abrir o caixa para poder dar o troco ao cliente e assim registrar cada transação. Foi uma medida de segurança desenvolvida pelos donos de lojas a fim de reduzir o risco do funcionário embolsar o dinheiro. Ou seja, essa prática de preço quebrado R$1,99, 2,50 e etc nasceu devido a falta de confiança entre patrões e funcionários."

domingo, 20 de setembro de 2009

Anticristo

Anticristo é o título do novo filme de Lars Von Trier, que causou polêmica no último Festival de Cannes no mês de maio.
Falou em polêmica, falou comigo. Fiquei louco para ver, apesar de ter dito que jamais voltaria a assistir qualquer coisa desse diretor, por conta do melancólico "Dancing in the dark". Não teve jeito, não cumpri a promessa e na última quarta-feira fui ao cinema conferir Antichrist.
Eis a sinopse: "Após a perda de seu único filho, casal se refugia numa cabana isolada na floresta Éden. A mulher é uma intelectual escritora que não consegue se livrar do sentimento de culpa pela morte do filho. O marido, psicanalista, tenta ajudar a esposa com exercícios e terapias. Durante a estadia na floresta, coisas estranhas começam a acontecer. Anticristo é divido em partes: prólogo, dor, luto, desespero, os três mendigos e epílogo."

(Charlotte Gainsbourg e Willen Dafoe - protagonistas com ótimas atuações)

Aparentemente, apesar do título, achei que poderia encarar numa boa. Já havia quebrado minha promessa mesmo. Começa a projeção e a primeira sensação é de encanto com as imagens do casal protagonista no chuveiro, cena bem cuidada e, ao fundo, a belíssima ária "Lascia ch'io pianga" da ópera 'Rinaldo', composta por Händel, ponto. Depois é só dor e sofrimento e muito incômodo.

Lars Von Trier consegue incomodar o tempo todo, tamanha a perversidade dos acontecimentos. Não é um filme de terror, nem de horror. Acho que ultrapassa isso e não tenho palavras para definir. Em algumas cenas me questionava: "o que estou fazendo aqui?", porém segui até o final e cheguei até a me surpreender com o desfecho. Seria uma luz no fim do túnel? Decidi responder que sim. Por mais simplória que tenha sido a minha interpretação para o fim da história de Von Trier, achei que seria melhor para a minha cabeça. Nem tudo estava perdido, existe sempre uma luz no caminho e uma libertação. Afinal era melhor sair assim do cinema, acreditando na esperança e na renovação.
Anticristo não é um filme fácil e nem agradável, mas cumpre o objetivo do seu diretor, ou seja, causar polêmica, chocar as platéias mundo afora e nos deixar com aquela pergunta: cinema é a maior diversão?
Assista ao trailer:

terça-feira, 15 de setembro de 2009

A tartaruga de Darwin

Charles Darwin (1809 - 1882) ficou conhecido no mundo inteiro por conta da sua teoria da evolução das espécies. Com objetivo de fazer pesquisas, Darwin viajou à Galápagos para conhecer novas espécies. Da viagem trouxe alguns animais, entre eles Harriet, uma tartaruga que sobreviveu até 2006, quando morreu com 176 anos.

A partir dessa história o dramaturgo espanhol Juan Mayorga escreveu "A tartaruga de Darwin", espetáculo que estreou no último dia 11, no Teatro Sesi no Centro do Rio.
A Harriet do texto de Mayorga está em franco processo de evolução e já atingiu a forma humana, na pele de uma simpática senhora, prestes a completar 200 anos. Muito inteligente, Harriet gasta seus dias em bibliotecas, onde lê muitos livros. No momento tudo o que Harriet deseja é voltar para Galápagos.
Por mais absurdo que tudo possa parecer, a história se desenrola muito bem no palco. E, à medida que a peça vai evoluindo, o público vai se envolvendo com Harriet, a sábia tartaruga cheia de conhecimentos, para quem "de todos os animais, o homem é o mais tolo e daninho".

(Cristina Pereira - interpretação sensível e apaixonada)

E, se nos envolvemos com Harriet, o mérito todo é da interpretação apaixonada de Cristina Pereira, uma atriz sensível e que está festejando 40 anos de carreira. Cristina dá vida à sua Harriet de maneira leve e divertida. A atriz está na medida certa da atuação, nem mais nem menos. Qualquer exagero e estaria tudo perdido. Mas Cristina Pereira é muito competente no que faz e dá um show para a platéia.

Paulo Betti está correto como o Professor Universitário, assim como Vera Fajardo no papel de Beth, a esposa do professor. Completa o elenco o ator Rafael Ponzi, um pouco deslocado no papel de um médico.

Com um desfecho surpreendente, "A tartaruga de Darwin" passa um ótimo recado para o público e ensina que "viver é adaptar-se".

domingo, 6 de setembro de 2009

Eu não me lembrava disso. E você?

Na última semana, o Jornal Nacional completou 40 anos no ar. Como muitos brasileiros, eu cresci ouvindo o "boa noite" de Cid Moreira. Porém, não me lembrava de um episódio marcante do Jornal Nacional, ocorrido no dia 15/03/1994. Neste dia a voz mais célebre do país teve que ler no ar o direito de resposta concedido ao governador Leonel Brizola. É um marco na história da TV brasileira e não ficou pedra sobre pedra. Como você não verá isso no Vídeo Show aproveite aqui no "Acabou o Caviar?"