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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Carioca, apaixonado pelo Rio de Janeiro, apreciador das artes, das viagens e das pessoas que têm algo a dizer.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Bolsa cultura



Por conta da Campanha "Teatro Para Todos" aumentei o meu número de visitas ao teatro. Os preços da campanha ajudam: de R$ 5 a R$ 25. Assim eu posso ver mais espetáculos, pois o preço de algumas peças andam, realmente, muito altos. Em geral R$ 80. Eu gosto muito de ir ao teatro, mas se todo mês eu assistir 4 peças, vou gastar R$ 320; em um ano o custo total é de R$ 3.840. Incrível! Sai mais caro que um bilhete de classe econômica Rio/Paris/Rio. Como disse minha amiga Meg Bravo: "precisamos de um bolsa cultura". Eu não vou entrar no mérito do Patrocínio, apoio do Governo etc e tal, até porque não entendo nada disso e nem sei os custos das produções. Só posso dizer que para o brasileiro médio ir ao teatro é um luxo. Este ano já assisti muitas peças, alguns ingressos comprei, outros ganhei - ainda bem que tenho amigos. E só falei em teatro, mas ainda tem livros, discos, cinemas, exposições etc etc. Ficar em dia com a cultura sai muito caro. Por tudo isso e muito mais eu apoio e divulgo sempre a campanha do Teatro Para Todos. Tenho assistido ótimos espetáculos e como ando sem tempo para escrever sobre as peças, ao menos vou recomendá-las, pois valem a pena:

- As meninas
Texto de Maitê Proença e Luiz Carlos Góes, com direção de Amir Haddad. Está em cartaz no Teatro SESC Tijuca de 6ª a domingo, às 20hs. Um espetáculo belíssimo, sensível e delicado. Ótimas atuações. Imperdível.

- Adorável Desgraçada
Escrito por Leilah Assumpção, com direção de Otávio Muller e atuação brilhante de Débora Duarte. Solar de Botafogo, 6ª e Sábado 21h30 e Domingo 20h30.

- A farsa da boa preguiça
De Ariano Suassuna. Teatro Carlos Gomes, 5ª a Sábado às 19h30 e Domingo às 19h00. O espetáculo dirigido por João das Neves é muito divertido e mostra a riqueza dos personagens do mestre Suassuna.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Casa do Pontal

Na semana passada recebi e-mail da minha querida Célia Barroso propondo um passeio bem carioca: visita ao Museu Casa do Pontal e depois almoço em Guaratiba. Seria uma oportunidade para colocar o papo em dia e matar saudades das nossas sessões de Pilates. Para completar a nossa "turma", Maria da Fé, outra amiga querida, iria nos levar no seu "carro dos sonhos". Por incrível que pareça eu ainda não conhecia os deliciosos restaurantes de Guaratiba, tampouco passado por Grumari, Prainha e arredores. Certamente, devido à distância, pois qualquer programa que inclua Barra e Recreio é sinônimo de horas no trânsito. Mas estar ao lado de pessoas tão queridas e gentis, não tem preço.

Museu Casa do Pontal

Já conhecia a fama do Museu Casa do Pontal e sempre tive vontade de visitá-lo. Sabia que abrigava peças do nosso artesanato. E cheguei a pensar que ficava instalado à beira mar. Acho que foi influência da música "Do Leme ao Pontal". Para minha surpresa, o museu fica numa reserva ecológica, cheio de árvores, canto de pássaros e um perfume de natureza incrível.
Atualmente o museu é considerado o mais significativo espaço de arte popular do Brasil. São mais de 5 mil obras de artistas de diversos estados brasileiros, expostas em 1500m² de galerias, mostrando cenas do cotidiano, festas religiosas, profissões, etc. Todo o acervo, que foi tombado em 1991, foi reunido e catalogado pelo francês Jacques Van de Beuque, durante mais de 40 anos. Jacques deixou a Europa no pós-guerra e veio para o Brasil estimulado pelo pintor Cândido Portinari. Ao chegar aqui apaixona-se pela arte popular. Viaja pelo Brasil, conhece artistas e começa a colecionar diversas obras.
A Casa do Pontal é uma homenagem que Jacques faz ao país que o acolheu: "Num mundo corrupto, dominado pela violência e pelo ódio, é saudável encontrar outro universo, criado por mãos habilidosas de artistas humildes e honestos" (Jacques Van de Beuque).
Belas palavras. Isso confirma o meu pensamento: a arte é uma revolução.

Fachada principal do Museu

Célia caminhando em direção ao universo de Jacques Van de Beuque.

A exposição permanente está muito bem organizada, dividida por temas com peças a partir da década de 50.

(Fotos do Ney e da Fátima)

Não se assustem, sou eu mesmo em carne e osso interagindo com a obra.

No final tudo acaba em samba: esta obra reproduz o Sambódromo do Rio de Janeiro. Um verdadeiro desfile de Escola de Samba, com direito a tudo. Os bonecos fazem os movimentos, basta apertar o botão e o samba rola na avenida.

Outra foto do Ney. Detalhe de um estandarte exposto no bar do museu. Mas afinal quem é o Ney? Quem é a Fátima? São amigos dos tempos de escola da Maria da Fé. E daqui a pouco eles vão aparecer neste post.

Maria da Fé não resistiu e fez compras na lojinha do museu. O que será que tem dentro desta bolsa???

Primeira parte do programa realizada.... está na hora de ....
Comer os deliciosos pastéis de camarão do restaurante da Tia Penha. Crocantes, sequinhos e muito gostosos. Pedimos 10 e sumiram rapidinho.

Aqui a nossa turma toda reunida e pronta para saborear moqueca de camarão e um peixão delicioso (era Namorado?). Da direita para a esquerda: Maria da Fé, Jorge, Célia, Fátima e Ney. O Restaurante da Tia Penha é um dos muitos que fazem parte do roteiro gastronômico de Guaratiba e atrai multidões. A comida é honesta e muito saborosa. Meu début foi com pé direito.

Enfim, um sábado ímpar! E já estou com saudades querendo repetir a dose!

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Teatro Para Todos 2009

Trago uma ótima notícia para os amantes do Teatro: A Campanha Teatro Para Todos. Nesta 7ª edição a campanha traz mais de 60 espetáculos e tem previsão de venda de 100.000 ingressos. É uma ótima oportunidade para ver os melhores espetáculos em cartaz na cidade como "O Despertar da Primavera", "Zoológico de Vidro", "Adorável Desgraçada", "Hairspray", entre outras. Os preços permanecem os mesmos do ano passado: de R$ 5,00 a R$ 25,00.
As vendas começam no dia 19 e os espetáculos serão apresentados de 20 de novembro a 20 de dezembro. Para saber mais detalhes sobre os espetáculos e os pontos de vendas, clique aqui.
Visitei o site e já escolhi os espetáculos que vou assistir. Quem sabe a gente não se encontra em algum teatro?

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

O Despertar da Primavera - o musical

No último sábado, a convite da minha querida Juliana, fui assistir ao musical O Despertar da Primavera em cartaz no Teatro Villa-Lobos. A peça, um drama, foi escrita pelo alemão Frank Wedekind no século XIX, mas foi proibida pela censura. Em 1906, o autor conseguiu apresentar o espetáculo com cortes em Berlin, porém após a estreia a montagem foi proibida e em 1908 foi vetada qualquer manifestação pública sobre a peça, sob pena de levar os infratores à prisão. Foram realizadas outras montagens fora da Alemanha, mas sempre com muitas restrições. A primeira montagem sem cortes aconteceu apenas em 1974 na Inglaterra. O belo texto de Wedekind atravessou o século XX e chega ao século XXI adaptado em musical pelo dramaturgo Steven Sater e musicada pelo compositor Duncan Sheik. Certamente Wedekind não poderia imaginar o seu drama transformado em rock-musical, cheio de canções pop e punk. O musical faz grande sucesso, conquista público e crítica, vence 8 categorias do Prêmio Tony e ganha montagens em diversos países. Aqui no Brasil chega pelas mãos de Charles Möeller e Claudio Botelho, não como uma réplica do espetáculo da Broadway, mas com a autorização dos autores para fazer uma releitura do musical. Assim a montagem de Möeller & Botelho é um novo espetáculo com outra concepção. E como dizem no programa da peça: “um risco”.
O texto de Wedekind é forte e trata de temas como suicídio, abusos sexuais, estupro, homossexualismo, incesto e as muitas indagações que passam na cabeça dos adolescentes. Tudo isso com muita música.

(Malu Rodrigues e Pierre Baitelli: o casal protagonista)

Apesar de todos esses elementos, que a princípio achamos complicado para a montagem de um musical, vimos mais uma vez que a dupla Möeller & Botelho dá conta do recado e surpreende os espectadores.
A produção do espetáculo é muito bem cuidada, com cenário muito prático de Rogério Falcão, boa iluminação de Paulo César Medeiros, belos figurinos de Marcelo Pies, a excelente coreografia de Alonso Barros e ótima direção musical de Marcelo Castro.
Para dar vida aos adolescentes da peça, o diretor Charles Möeller escolheu um elenco jovem, com idades entre 16 e 25 anos, “para que a plateia não duvide que aqueles jovens estejam vivendo aquilo por que passam em cena, muito mais do que representando”.
O foco de O Despertar da Primavera é a adolescência e tudo o que passa na mente desses jovens que vêem as transformações do corpo e o aparecimento dos desejos, numa época em que os pais não tinham tanta abertura com os filhos. Apesar de escrito no século XIX, o texto é atualíssimo, uma vez que muitos dos assuntos ainda são tabus em muitas famílias.



(Rodrigo Pandolfo e Pierre Baitelli)

O elenco é numeroso e os jovens atores dão conta do recado, com atuações seguras e muita afinação nos números musicais e nas coreografias. Claro que num grupo grande, sempre haverá aqueles que se destacam, por isso, e sem desmerecer qualquer ator do espetáculo, vale registrar o trabalho de Rodrigo Pandolfo, ótimo como Moritz Stiefel, Letícia Colin no papel de Ilse e Laura Lobo, a pequena Martha Bessell, que passa muita verdade no número “um escuro sem fim”, simplesmente emocionante. Além destes, destacamos o maravilhoso trabalho de Carlos Gregório e Débora Olivieri, atores veteranos que interpretam os diversos papéis de adultos da história.
O Despertar da Primavera é um trabalho primoroso, realizado com muito carinho, que comprova o talento da dupla Möeller & Botelho e nos deixa cheios de orgulho por constatar que temos ótimos atores para realização de espetáculos deste porte.

domingo, 1 de novembro de 2009

A Geração Trianon


Mais de vinte anos depois da primeira montagem, "A Geração Trianon" está de volta aos palcos cariocas. O premiado texto de Anamaria Nunes é uma comédia sobre uma companhia teatral, cuja sede era o Teatro Trianon, que ocupava o número 181 da atual Avenida Rio Branco no Centro do Rio, na década de 20. Eram os tempos das grandes companhias de teatro, da primeira e segunda atriz, dos cômicos, das personagens ingênuas e do "ponto", um elemento da companhia que ajudava os atores a lembrarem de suas falas.
Certamente, em algum momento da vida, já ouvimos falar do Teatro Recreio, de Procópio Ferreira, Alda Garrido entre outros. "A Geração Trianon" nos leva a conhecer um pouco dessa época quando existiam as companhias com diversas peças no seu repertório. Talvez, caso uma peça não fizesse tanto sucesso, o diretor já tinha outro espetáculo pronto para apresentar ao público. É o que acontece no espetáculo. O empresário da trupe decide retirar de cartaz o espetáculo que fora um fracasso e encomenda um texto às pressas para ser encenado na próxima semana. A correria é geral e a plateia vai acompanhando os erros e tropeços dos atores e o desespero do diretor/ensaiador na montagem nova. É uma peça dentro da peça.
O elenco do espetáculo é composto por 14 atores dirigidos por Luiz Antonio Pilar e Christina Bethencourt que se perdem um pouco, conduzindo o elenco a um exagero desnecessário no momento errado, uma vez que o referido exagero é justificado na apresentação da peça da companhia.
As interpretações são irregulares, mas entre altos e baixos destaca-se o trabalho de Marcio Vito, cujo personagem Mota garante boas risadas.
Os figurinos de Ney Madeira são muito bonitos e retratam bem a época do espetáculo. Enfim, "A Geração Trianon" diverte o público e presta uma homenagem ao teatro, todavia, merecia uma montagem mais bem cuidada.