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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Carioca, apaixonado pelo Rio de Janeiro, apreciador das artes, das viagens e das pessoas que têm algo a dizer.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Férias

Queridos Leitores e Amigos
Estou de Férias e retornarei daqui a 15 dias com muitas novidades!
No primeio dia de 2011 entre no Blog e leia uma mensagem especial!
Abraços e até breve!
Jorge Fortunato

sábado, 18 de dezembro de 2010

Feliz Natal e Ótimo 2011!!!

Aos queridos amigos e leitores:

Que o Natal e os dias do Ano Novo sejam celebrados com grandes brindes! Champagne e muito Caviar para todos nós!!!
Abraços
Jorge Fortunato

O matador de santas

De todas as peças que assisti este ano posso dizer que O Matador de Santas foi uma grande surpresa. Trata-se de uma tragicomédia com todos os ingredientes para fisgar o público desde a primeira cena. A peça conta a história de Jorgina, mulher de meia idade, autoritária que vive com o marido Baltazar e a filha Queridinha em um pequeno apartamento de classe média, no bairro do Grajaú. Jorgina se acha a dona da verdade e suspeita que o vizinho seja um serial killer - conhecido como "o matador de santas".
A minha referência à "grande surpresa" tem a ver com o brilhante texto de Jô Bilac - autor que não conhecia.É que é sempre bem-vinda uma produção totalmente nacional, uma vez que este ano vi muitas peças adaptadas de autores estrangeiros. Sinal de que há uma renovação em nosso teatro. Além disso a escolha de Guilherme Leme para a direção foi certeira. Um ator dirige muito bem outros atores. E isso é notado pelo bom trabalho do elenco, encabeçado por Ângela Vieira no papel dessa mãe tresloucada e autoritária. A atriz está perfeita no papel, e digo isso sem exageros. Uma personagem difícil, sempre um tom acima, é sempre uma armadilha para o ator que pode ir além do que é exigido. Porém o trabalho de Ângela Vieira é correto, na medida. Somam-se ainda as participações de Tonico Pereira - ator que dispensa comentários - no papael de Batalzar, um pai quase submisso; Izabela Bicalho como Queridinha a filha, numa interpretação muito marcante e Rafael Sieg como o noivo de Queridinha.

O Matador de Santas foi um ótimo programa e gostaria muito de recomendar. Pena que demorei muito para escrever sobre este espetáculo e não sei se ainda está em cartaz ou se irá prorrogar a temporada para 2011. Todavia, não podia deixar passar em branco um trabalho bem feito e cheio de qualidades.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Bazar de Natal

Se você ainda não comprou todos os seus presentinhos de Natal, aproveite uma ótima oportunidade para conhecer um Bazar diferente com peças legais e gente antenada.

Num belo casarão da Rua Cosme Velho - que já foi residência do imortal Austregésilo de Athayde - a cantora Clara Sandroni, a atriz Kelzy Ecard e a Pesquisadora Cláudia Dottori montarão um brechó com peças exclusivíssimas.

Estarão à venda, também, produtos da Natura, Bijus e otras cositas.

E sendo uma casa de música, a partir das 21h rola um show com um coral dirigido por Paulinho Pauleira (ex Céu da Terra), com participação da cantora Clara Sandroni. o show custa R$ 10, mas a entrada para o Bazar é gratuita! Um programão para o próximo sábado.


clique para ampliar

domingo, 12 de dezembro de 2010

Jingle Bell - Feliz Natal!!!

Estamos em Dezembro e não tem como fugir do clima natalino que toma conta de tudo e de todos. E como acontece sempre, tirei do armário os enfeites e inaugurei minha "decoração" em novembro. Na porta (foto no alto) um "feliz Natal" de boas vindas com Papai Noel e ...

... este simpático bonequinho de neve

Outro Papai Noel no hall de entrada

Tenho esta mini árvore faz muito tempo e "dá muito trabalho" montá-la. Este ano agreguei uns badulaques que vieram no panetone do ano passado. Na foto ainda aparece uma super mini árvore de Natal que ficava na mesa do escritório, mas este ano preferi deixá-la em casa.

Este presépio, também, "dá muito trabalho". Foi comprado numa lojinha de artesanato na Recoleta, Buenos Aires em 2004. E neste presépio a representação é indígena e com licença poética para o nascimento do Cristo em Paris, já que a cena está aos pés da Tour Eiffel.

La rencontre de clôture

O título do post está em francês porque não poderia ser diferente, afinal trata-se do querido encontro de final de ano da minha antiga turma da Alliance Française. Na verdade, de parte da turma. O importante é que não deixamos de manter contato. E la rencontre já está no nosso calendário oficial de eventos!
Esses encontros de fim de ano começaram na Alliance Française da Maison no Centro. Após o encerramento do Ciclo normal alguns alunos deixaram a Alliance e não seguiram o curso de Nancy, porém mantivemos os encontros e isso já dura 14 anos! É uma oportunidade para matar saudades, colocar o papo em dia e lembrar das histórias das aulas e dos professores.

A partir da esquerda Inês e Leila.

A super sorridente e alto astral Haydée

O quarteto dos bravos resistentes

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Sylvie Vartan

O YouTube tem feito a alegria de muitas pessoas mundo afora. Alguns vídeos são verdadeiras raridades. São trechos de programa de televisão, extratos de filmes. De vez em quando eu gosto de entrar e ficar vasculhando o baú de raridades. E foi assim que conheci Sylvie Vartan, cantora francesa, ícone de sua geração. Em 1964, com apenas 19 anos, Sylvie fazia o maior sucesso com a canção "La plus belle pour aller danser", no ritmo do yê, yê. Seu sucesso era tanto que até os Beatles foram tietar a francesinha durante um show no Olympia de Paris. Dentre os diversos vídeos no YouTube escolhi um que faz uma montagem com fotos de cartazes, momentos dos shows e fotos com os Beatles. Com vocês Sylvie Vartan!



Quer ver mais? Clique aqui

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Fluminense, campeão brasileiro



Sou tricolor de coração... e desde pequeno. Mas não sou desses torcedores enlouquecidos, desesperados. Apenas torço e fico feliz pela vitória, porém se o time perde a vida prossegue. Até hoje o único jogo que assisti no Maracanã foi Brasil x Equador, durante os jogos PanAmericanos. E não me perguntem o porquê. Só não posso deixar passar em branco esse momento do Fluminense. Foram 38 jogos sensacionais, entre vitórias, empates e algumas derrotas, o time foi realmente guerreiro. Lutou até o último minuto. E aí a vitória teve um sabor bem mais especial! Soube da vitória do Flu na porta do Teatro Laura Alvin em Ipanema. Foi um alívio. Estava ansioso, apesar de não estar assistindo. Acho que a peça até atrasou por conta do jogo. Um dos atores do espetáculo "Mente Mentira" é tricolor e quando a peça terminou ele saiu do teatro com uma camiseta do Fluminense.

Fica aí minha homenagem a dois grandes craques do Flu: Fred e Conca. Valeu!

domingo, 28 de novembro de 2010

O Barbeiro de Sevilha

Na última quinta-feira (25/11) fui conferir a montagem de "O Barbeiro de Sevilha", ópera bufa do italiano Gioacchino Rossini, encenada pela Cia Brasileira de Ópera do Maestro John Neschling.

Depois de rodar o Brasil, passando por 14 cidades, a Cia terminou a turnê no Rio de Janeiro na última semana. A Cia Brasileira de Ópera é um projeto inédito que pretende criar um quadro estável de cantores, maestros e técnicos para compor a primeira formação lírica permanente no Brasil. O diferencial da Cia está na facilidade de deslocamento das produções. Assim, muitas cidades que nunca assistiram espetáculos dessa grandeza, passarão a ter acesso a produções de qualidade.

"O Barbeiro de Sevilha" é uma das óperas cômicas mais populares da história da ópera. As situações vividas pelos personagens são hilárias e é impossível guardar o riso.

Para esta montagem foram utilizados recursos tecnológicos nunca antes utilizados. Os cenários são projetados numa tela e os personagens da ópera contracenam com animações. Podemos chamar esta montagem de uma "ópera muito animada". A par dessa novidade, a música de Rossini é o que interessa. Deliciosa melodia que cativa o público do início ao fim. A orquestra, muito bem conduzida pela batuta de John Neschling, era pequena, mas muito competente. No dia 25, os protagonistas eram Homero Velho (barítono) no papel de Figaro; Federico Lepre (tenor) como Conde D'Almaviva; Luísa Francesconi (mezzo-soprano) interpretando Rosina e Pepes do Valle (baixo) Bartolo. Como coadjuvantes Gianluca Breda, Luisa Kurtz e Guilherme Rosa. O elenco era muito bom, vozes bem afinadas que serviram muito bem à musica de Rossini. Porém, cabe destacar a interpretação do tenor Federico Lepe no simpático papel do Conde D'Almaviva. Além de excelente cantor Federico tem ótima presença de cena e diverte a platéia no ótimo dueto "pace e gioia sia con voi". Igualmente, o trabalho de Luisa Francesconi merece reconhecimento, seu desempenho vocal é excelente. Não podemos esquecer que esta ópera exige muito da mezzo-soprano e Luisa fez seu papel com perfeição.

Nesta montagem, cheia de novidades, tiraria o excesso de animação, que por muitas vezes nos distanciava da música. Entretanto, como esta foi a primeira apresentação que assisti dessa ópera de Rossini, posso dizer que valeu à pena. Aliás, valeu muito, até porque naquela quinta-feira (25/11) o clima estava pesado e só a música de Rossini para amenizar um pouco. É como gosto tanto de dizer: " ARTE alimenta a alma" e o espetáculo da Cia de Ópera Brasileira foi um bom alimento.

sábado, 27 de novembro de 2010

Ah, meu Rio

Como carioca, apaixonado pelo Rio de Janeiro estou muito triste com os acontecimentos dos últimos dias. Todavia, tenho confiança no tabalho das autoridades. Não sou expert em segurança pública e não posso dizer se esta ou aquela ação foi bem empregada. Como cidadão reconheço e parabenizo a ação das Polícias em conjunto com as Forças Armadas. São bravos soldados que lutam para defender uma população que não merecia passar por isso. A cidade sempre foi partida e agora está esfacelada, mas resiste. Há um grande sentimento de esperança no ar. O Rio vai vencer!
Apesar da situação caótica e dos ataques eu não alterei a minha rotina: trabalho, curso e duas saídas para ir ao Teatro Clara Nunes na terça, quando fui conferir a ótima "O Matador de Santas" e na quinta-feira para assistir a ópera "O Barbeiro de Sevilha" no Theatro Municipal. E a VIDA SEGUE.

domingo, 21 de novembro de 2010

Campanha Teatro Para Todos

Começa no dia 23 (terça-feira) a 8ª edição da campanha Teatro Para Todos. Serão disponibilizados 90000 ingressos para 56 espetáculos, entre adulto e infantil. Os preços continuam os mesmos do ano passado, ou seja de R$ 5 a R$ 25. Os ingressos só poderão ser comprados para a semana do espetáculo e limitados a 4 entradas por CPF e por espetáculo. A compra dos ingressos pode ser feita no Quiosque fixo da Cinelândia, Quiosques Americanas.com, Postos BR, Postos Shell, pelo site www.ingresso.com , além do televendas 4003-2330.

Para consultar as peças que estão na campanha deste ano, saber os preços e mais informações sobre os pontos de vendas clique aqui.

Bom espetáculo para todos!!!!

Maria do Caritó

Depois de viver tantos dramas nas últimas novelas da Rede Globo, a atriz Lília Cabral resolveu dar um basta na tristeza e cair dentro de uma comédia. Encomendou texto com o dramaturgo Newton Moreno e chamou João Fonseca para a direção, além de amigos queridos como Fernando Neves, Leopoldo Pacheco, Silvia Poggetti e Dani Barros para acompanhá-la nesta empreitada. O resultado não poderia ser melhor. Um bom texto, divertido e com bons atores.
A história de Maria do Caritó pode até parecer absurda, mas não está longe da verdade. Maria está prestes a completar 50 anos e ainda não casou. Continua virgem e assim, faz promessas a Santo Antonio para conseguir um marido, pois não quer "ficar no Caritó". A propósito, a palavra "caritó" tem diversos significados: "prateleira, lugar onde as mulheres deixam carretel e linha, fora do alcance das crianças"; "casa pobre"; "gaiola pra prender caranguejos" e também "solteirona, a que não se casou". Eu conheço essa palavra, bem como a expressão "ficar no caritó" por conta de um baião cantado por Dolores Duran.
O problema é que Maria é considerada uma Santa, pois sobreviveu ao parto. Seu pai a prometeu a São Djalminha e toda a cidade acredita que a moça faz milagres. O pai de Maria sustenta essa fama e ganha dinheiro vendendo um elixir a base do suor da filha. Nada mais hilário. E Maria persiste na sua luta, enfrentando a tudo e todos na busca da sua alma gêmea. Se ela consegue? Isso eu não conto e você deverá ir conferir no Teatro.

João Fonseca tem sido aclamado por diversos espetáculos que dirige e não podemos fugir ao óbvio: conduz mais um com muito brilho e criatividade. O tom circense da peça é evidente desde o princípio, com os atores apresentando o espetáculo, elenco e técnicos com os nomes escritos em faixas de tecido. O clima é alegre e o riso garantido.
O elenco é muito competente. Lilia Cabral ganha a platéia com a composição dessa mulher solteirona, à beira dos 50 e à procura do amor. Os demais atores se revezam em diversos papéis. Leopoldo Pacheco, Silvia Poggetti, Dani Barros e Fernando Neves tem ótimas atuações e divertem o público. Sintonia total do elenco.
Maria do Caritó é puro entretenimento e mostra a beleza do Brasil profundo, desses cantinhos do Nordeste onde ainda resistem certas tradições e costumes. E por mais absurdo que possa parecer ainda existem muitas Marias que não querem ir para o Caritó.
****
Anote:
Onde: Teatro dos Quatro - Shopping da Gávea
Quando: Qui a Sáb: 21h30 Dom - 20h30
Quanto: de R$ 60 a R$ 80

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Conversando com Mamãe

No programa da peça "Conversando com Mamãe", a atriz Beatriz Segall diz que "o Teatro é uma cachaça. A gente se embriaga com essa arte que nos faz viver muitas vidas, numa troca de emoções." Eu também posso dizer que não largo essa cachaça, esse vício que me dá prazer e me emociona, sempre. A Arte tem esse poder transformador. É no Teatro que saio da minha realidade e retorno à ela diferente. E mais uma vez o Teatro me proporcionou um pequeno momento de felicidade e muita reflexão.
"Conversando com Mamãe" é uma adaptação do filme homônimo do argentino Santiago Carlos Oves. Vi este filme há menos de um ano, em DVD e o achei excelente. Quando soube dessa versão para o teatro fiquei bastante curioso. A versão de Jordi Galcerán ganhou tradução de Pedro Freire, direção de Susana Garcia e Herson Capri que também atua ao lado de Beatriz Segall.
O espetáculo conta a história de Jaime e sua Mamãe, que vivem em mundos opostos. Ele tem família, filhos e uma vida confortável. Ela, aos 82 anos, vive só e leva uma vida bem simples. Quando Jaime é demitido da empresa em que trabalha, se vê em meio a dívidas e precisa de dinheiro. A única saída: vender o apartamento da mãe. Mas a grande surpresa é que ela tem um noivo, Gregório, 13 anos mais novo, com quem pretende se casar e continuar morando neste apartamento. Enfim, uma situação delicada e desconfortável. Mas a Mamãe tem muito a conversar com seu filho, que após o episódio da demissão, se aproxima da sua mãe. De visita em visita, Jaime vai aprendendo cada vez mais com sua mãe, que o surpreende com suas tiradas e a uma sabedoria que só as mães tem. Os diálogos são primorosos, com humor leve e sempre cheio de emoção. Tudo se passa no apartamento da Mamãe.
O espetáculo conta com uma ficha técnica experiente: Marcos Flaksman criou um cenário com a simplicidade na medida, que retrata a modéstia do apartamento da Mamãe. Um detalhe que me chamou atenção foi o fato de algumas paredes estarem com a pintura gasta, totalmente de acordo com o padrão de vida da personagem. Além disso, o cenário conta com uma cozinha montada com geladeira, fogão, pia e armários. impossível não se sentir aconchegado naquela casa. Kalma Murtinho, cujo trabalho dispensa comentários, fez figurinos corretos. A música de Alexandre Elias, assim como a iluminação de Paulo César Medeiros, complementam com bom gosto este belo espetáculo. A direção é de Susana Garcia, esposa do ator Herson Capri. Juntos conceberam um espetáculo sensível e emocionante. Herson Capri interpreta Jaime, o filho. O ator compôs o personagem na medida certa, sem exageros e tem ótimo desempenho. Beatriz Segall arrebata a platéia com essa mamãe de 82 anos (a atriz está com 84!), alegre, generosa e muito amorosa. A personagem cativa a todos com suas frases engraçadas e cheias de sabedoria. Tudo isso mérito dessa dama do nosso Teatro, que está em plena forma e cheia de vigor. Beatriz Segall brinda o público com uma atuação irrepreensível.
"Conversando com Mamãe" vai emocionar as mães e os seus filhos e, certamente, levá-los à muita reflexão. Ao final do espetáculo, não pude conter a minha emoção e as lágrimas que caíam dos meus olhos.
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Anote:
Onde: Centro Cultural Correios
Quando: Qui a Dom, às 19h. - Até 19 de dezembro.
Quanto: R$ 20

sábado, 13 de novembro de 2010

Yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay!

Eu não sou supersticioso. Mas não deixo de recitar o Salmo 91 quando o bicho tá pegando. Aliás, deveria ter feito esta leitura santa ontem, dia 12/11. Que dia! Tudo começou quando liguei para certa operadora de telefonia celular. Foram apenas duas e quarenta e cinco minutos ao telefone falando com todos os atendentes, ouvindo "eu vou esta transferindo" ou "o senhor vai estar aguardando...". Finalizado o assunto, depois de repetir ad nauseum os dados da empresa, o número do celular, recebi um e-mail com a solução. Ufa!
Saí do trabalho e parti para o Theatro Municipal para comprar ingressos para "O Barbeiro de Sevilha". Tudo lotado, poucos lugares bons. Faltavam 5 minutos para a bilheteria fechar. Precisava ligar e confirmar com as pessoas, não encontrava ninguém no celular. Para não ter problemas e com a cara amarrada do bilheteiro, resolvi ir embora. Decidi comprar os ingressos no sábado (hoje) pela manhã e com mais calma. Saí do Theatro e lembrei que estava sem um tostão. Não me preocupei pois no caminho iria passar em frente à agência do meu banco. E quando lá cheguei a porta estava fechada, sei lá o porquê. Só vi os guardas fazendo sinal que não podia entrar. Continuei minha saga até chegar ao CCBB onde encontraria uma pequena fila nos caixas, mas ao menos consegui pegar meu dinheirinho. Retornei à casa e constatei que não havia feito um pagamento. Vesti uma bermuda e parti para o caixa eletrônico de outro banco que tenho conta. Resolvi ir na agência que fica perto de um mercadinho perto de casa. Adivinhem? A porta estava quebrada e ninguém tinha como entrar. O jeito seria ir no outro caixa eletrônico que fica no Largo do Machado. Antes, porém, passei no mercadinho para comprar meu pão coberto de queijo provolone. Cadê o pão? Tinha acabado. Lá fui eu para o banco. Comecei o longo processo para fazer o pagamento, digita senha duas vezes, passa o boleto no leitor e nada. Passei de novo. Nada. O jeito era digitar o quilométrico código de barras. Foram três tentativas e a mensagem: "o código está incorreto". Eu estava a ponto de quebrar a máquina, até que resolvi colocar muitos zeros após o último número do código que estava no boleto. Pronto, consegui. Pergunta: Por que emitem boletos sem os zeros que completam o código???. Como estava perto de um mercado, resolvi entrar e comprar o almoço de sábado. Na hora de pagar a compra com o mesmo cartão que acabara de utilizar, a moça do caixa diz: "a senha está incorreta. Tente de novo, senhor". Digitei e a mocinha já com sorriso irônico disse "tá errado, o senhor só pode digitar mais uma vez". Como estava errado? foi o mesmo cartão que eu havia usado para pagar a conta no banco. Sem querer perder o resto de calma, peguei outro cartão e paguei. Saí dali e lembrei que precisaria de cerveja preta. Ia fazer aquele picadinho com cerveja preta. Entrei em outro mercado, peguei a cerveja. Fui direto para o caixa que estava vazio e vi a placa "caixa fechado". Segui para outro caixa, onde havia apenas uma pessoa que já estava pagando as compras. E assim do nada, a atendente me diz "Meu querido, por que você não paga ali no outro caixa, tá aberto". Aí já era demais, falei: "O caixa está fechado e quer saber não vou levar nada!". Que dia!

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Deus da Carnificina

Já faz bastante tempo que não escrevo uma linha sobre teatro. Se não me engano, acho que a última vez foi sobre "A Loba de Rayban". Este hiato provocado por uma série de razões chegou ao fim e, aos poucos, vou retomando o velho hábito de frequentar as salas da cidade. Na última quinta-feira, fui conferir a premiadíssima "Deus da Carnificina", peça da francesa Yazmina Reza, em cartaz no Teatro da Maison de France.

Yazmina Reza é argelina, radicada na França e faz grande sucesso com seus textos mundo afora. Um dos grandes sucessos dessa autora foi o espetáculo "Arte" que foi montado em diversos países, inclusive no Brasil. O último espetáculo da autora montado aqui foi "O Homem Inesperado" com Paulo Goulart e Nicette Bruno, igualmente um sucesso. Agora, temos o prazer de assistir "Deus da Carnificina". Nesta peça dois casais adultos e civilizados se encontram para resolver um incidente protagonizado por seus filhos pequenos. Um deles quebrou dois dentes do outro em uma briga na praça. Nada que os pais não possam resolver. Mas, às vezes o que será que pode acontecer nesse encontro?

Chamada de comédia dramática, esta peça provoca o espectador o tempo todo. É como se fosse colocado um grande espelho no palco. As ações dos personagens refletem na platéia. Impossível não se reconhecer em algum momento. O espetáculo tem direção do competente Emílio de Mello, ótimo na direção de atores. Afinal, "Deus da Carnificina" é um espetáculo de atores. Digo isso, porque muitos diretores são mais encenadores, estão preocupados com o lado plástico, com cenários, música etc etc. Claro que tudo isso está na peça: figurinos corretos, boa luz, cenário funcional, ótima música. Porém, o principal elemento deste espetáculo é o ator. E ali Emílio de Mello tem gente muito boa: Débora Evelyn, Julia Lemmertz, Orã Figueiredo e Paulo Betti. Os quatro atores têm um desempenho tão bom que seria injusto eleger o melhor da noite. Cada um tem o seu momento e o brilho é igual. Achei isso um acerto da direção.

Vale a pena assistir "Deus da Carnificina", um espetáculo simples, que faz pensar e nos dá o prazer de ver tão boas atuações, num texto delicioso.

*****

Anote:

Onde: Teatro Maison de France - Av. Pres. Antonio Carlos, 54 - Centro

Quando: Qui a Sab (21h) - Dom (19h)

Quanto: R$ 60 a R$ 80

sábado, 6 de novembro de 2010

O rio de Adriana Pessoa

A melhor recompensa para um blogueiro é ler os comentários dos seus leitores. Melhor ainda é saber que um dos posts publicados transmitiu ao leitor um pouco de alegria e mexeu com suas lembranças. Foi exatamente isso que aconteceu com a leitora do Blog Adriana Pessoa, que enviou um e-mail depois de ter lido o post sobre o Rio Danúbio. Abaixo, publico integralmente o e-mail da Adriana, que me deixou muito feliz.

"Jorge
gostei tanto do seu post sobre o Danúbio, que resolvi lhe enviar essas fotos do "meu" rio: o Rio Santo Antônio. Ele está a aproximadamente 160 km de BH (no local da foto). Essas fotos são em frente a nossa fazenda no interior de Minas. Foi lá que vivi até os 7 anos, e é o lugar que mais amo nesta vida. Amo também Paris (motivo do nosso encontro virtual), e tantos outros lugares mundo afora, mas é para a minha fazenda que sempre quero voltar!!
Abraço,
Adriana"

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Viena

Meu desejo de conhecer Viena começou quando li uma reportagem em um caderno de viagens de um jornal. A matéria sugeria conhecer Budapeste e Viena, pois eram próximas e quem visitava uma não poderia deixar de visitar a outra. Fiquei empolgado e fui organizando o roteiro. E acrescentei Praga, Karlovy Vary, Paris, Annecy, Lyon. Enfim, um mega roteiro e 30 dias para fazer tudo isso. Quando viajo gosto de dar notas para cada cidade visitada. Saí de Budapeste encantado, fascinado pela grandeza e pela beleza do Danúbio. E estava ansioso para conhecer Viena. Cheguei e achei a cidade correta, porém fria. No meu diário de viagem anotei: "...é uma beleza gelada, falta alma, aquele 'je ne sais pas quoi'. Assim, Viena atinge 8,987 no meu ranking."

Será que fui radical? No entanto, gostei de tudo que vi e fiz em Viena e destaquei no meu diário "a ópera, os teatros, museus, centros culturais, cafés maravilhosos". Este é o último post da série sobre Viena e escolhi algumas fotos que mostram um pouco mais dessa cidade. Devo confessar que estes posts me fizeram rever a nota que dei e ter um outro olhar sobre a cidade. Além disso, o desejo de retornar aumenta a cada dia! E mais, devo acrescentar: Viena é o retrato fiel do que imaginamos como cidade de primeiro mundo. A Europa que idealizamos. Tudo lá é perfeito e funciona.

Próximo ao hotel onde me hospedei - Ibis Westbahnhof - fica este prédio com a fachada toda decorada.

Muitos museus e arte espalhada por todos os lados.

Eu visitei museus, mas também encontrei tempo para uma boa cerveja, como esta Güsser preta, muito saborosa.

Uma passada para visitar o Museu Freud


Um momento descontraído com esta estátua viva de Mozart. Os artistas estão por toda parte e divertem os turistas.


O Parlamento Austríaco. Prédio de arquitetura imponente com belas esculturas. Foi um impacto. Aliás foi em frente a este prédio que encontrei a Patrícia.

Homenagem dos vienenses ao seu maior compositor: Mozart. A estátua fica atrás do prédio da Biblioteca.

Um brinde à Viena! Com sua melhor cerveja, e até breve!

terça-feira, 26 de outubro de 2010

O Danúbio

Depois que me instalei no Hotel em Viena e fiz um passeio pelos arredores, fiquei com uma pergunta na cabeça: onde estava o rio Danúbio? A resposta veio 5 dias depois. Quando avistei o rio do alto do Kahlenberg. Pode não fazer muita diferença para alguns, mas para mim era importantíssimo. Ñão sei explicar. O fato é que em cada cidade que visito o rio está lá no meio com pontes lindas e dividindo a cidade. Acabara de chegar de Budapeste onde as pontes são imensas e o Danúbio é lindo. Estava curioso para ver o Danúbio em Viena. E antes que perguntem, em Viena ele não é azul. Acho que nem em Budapeste...rs
Assim que saí de Kahlenberg peguei o ônibus e fui até o Centro de Viena onde peguei o metrô e desci na estação Alte Donau onde poderia ver o rio. Mas foi meio decepcionante, só dava para ver uma parte (foto abaixo).

Retornei ao metrô e voltei 2 estações, desci na Donau e pronto. Agora sim poderia observar o Danúbio na sua plenitude! Sonho realizado! E isso tudo numa pacata segunda-feira em Viena.

Grinzing

Em algumas cidades no mundo os museus e atrações turísticas não abrem às segundas-feiras. Nesse dia o jeito é inventar um programa ou se jogar nas compras. Eu prefiro pegar um ônibus e sair conhecendo a cidade. E foi assim que conheci o Grinzing, bairro afastado do Centro de Viena. A sensação é de se estar numa cidadezinha de interior. Este bairro vienense tem um pequeno charme: é onde estão situados os vinhedos da cidade. Os vinhedos ficam na parte alta do bairro e toda a produção é vendida nas Heurigers (misto de restaurante/taberna).

A segunda-feira amanheceu linda, sol intenso, céu azul e muito frio. Entre erros e acertos com bondes e ônibus cheguei ao Grinzing e logo notei a diferença: um ritmo mas lento, tudo calmo, tranquilo, pouca gente na rua. Um bairro residencial. Acho que por ser segunda-feira alguns restaurante não abriram , mas encontrei o "Grinzinger Bräu" onde comi muito bem. Era um restaurante com buffet a inacreditáveis 11,90 Euros! Um achado. Tomei uma sopa, comi salada, prato quente e sobremesa, uma taça de vinho. Perfeito.

Depois do almoço iniciei uma caminhada pelo bairro e fiquei observando as ruas e as casas.

E assim, no meio da caminhada parei e tomei um ônibus que me levou até o alto do bairro, também conhecido como Kahlenberg. É uma região fantástica, cercada por bosques. Do alto avistamos os vinhedos e temos uma vista panorâmica de Viena, inclusive com o Donau (o Danúbio). Cliquem na foto para ampliar.

Gastei boa parte do passeio em Kahlenberg. Curtindo a vista e aproveitando um pouco do sol vienense.

Foi uma ótima opção para a segunda-feira. Melhor do que ficar preso em lojas consumindo loucamente...rs

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Sacher Torte

Uma das vantagens de viajar é poder conhecer novos sabores. E, na medida do possível, vou provando as delícias. Desde que cheguei à Viena ansiava por comer a tão famosa Sacher Torte ou Torta Sacher, criação de um confeiteiro de Salzburgo chamado Franz Sacher. Esta torta, aparentemente simples, faz o maior sucesso e atrai milhares de turistas ao Café Sacher, que fica no Hotel de mesmo nome, a poucos metros da Ópera de Viena.
Claro que o sucesso da torta leva outros cafés a oferecerem tortas similares. E antes de comer a verdadeira Sacher Torte, comi uma genérica num charmoso café vienense, acompanhado pela Patrícia, antes de assistir à ópera Manon Lescaut. E por falar em Patrícia...

... Imaginem aqueles encontros dignos de novela das 8. Pois foi o que aconteceu comigo em Viena ao encontrar casualmente na rua a Patrícia. Nem acreditei. Por um instante pensei que estava na Av. Rio Branco ao encontrá-la. Foi aquela surpresa. Super antenada Patrícia falou das óperas da semana, dos points, o que era in e out. Combinamos de assistir duas óperas, como já falei: La Bohème e Manon Lescaut.
A Verdadeira Sacher Torte


Eis a Sacher Torte original! Uma obra-prima. Massa fina de chocolate e amêndoas, recheada com duas camadas de geléia de damasco e coberta com calda de chocolate amargo delicioso, servida com chantilly. Hummmmm!
Comer a Sacher Torte no Café Sacher faz parte do roteiro. É um momento agradável da viagem. E até divertido. Isso por conta da decoração, que achei meio over, mas há quem goste. De qualquer forma, ir ao Café Sacher é um bom programa para o fim de tarde, antes de um programa noturno, ou simplesmente para descansar depois de um dia inteiro de andanças, papear e curtir a viagem.

Das poucas fotos que fiz no Café Sacher salvou-se esta: fazendo propaganda "estive no Sacher". As outras fotos que o garçon tirou ficaram péssimas. Restou o sabor da Sacher Torte...

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Ópera de Viena

Viena é conhecida no mundo todo como a cidade da música, e a sua Ópera é muito famosa. Eu não vou fazer aqui um histórico do prédio, dos artistas que lá passaram etc. Isso tudo vocês podem encontrar nas Enciclopédias virtuais. Mas vou compartilhar com vocês minha passagem no templo operístico.

Essa é a fachada principal da Ópera de Viena. Complicado para fotografar, pois fica numa rua movimentada com muitos carros, bondes, etc. Fiz uma foto em frente, mas não ficou legal. O prédio é menos imponente do que imaginava e não é tão grande. Desde que cheguei à cidade estava curioso para conhecer a Ópera, mas o desejo era assistir algum espetáculo. A temporada de ópera estava apenas começando. E os preços? Caríssimos, claro! Os ingressos quase esgotados. Os melômanos do mundo todo - e abastados - compram seus ingressos com antecedência. Mas nem tudo estava perdido, eu sabia que era possível comprar ingressos no dia do espetáculo. A informação foi confirmada pela Patrícia - amante de ópera - que tive o prazer de reencontrar casualmente em Viena. O segredo era chegar cedo, entrar na fila e pagar apenas 3,50 Euros! Detalhe: ficar num lugar privilegiadíssimo, de cara para o palco, no final da platéia, mas de pé... a vida tem dessas coisas. Assim foi, cumpri o ritual. Os apaixonados e sem grana chegam cedo. A ópera começaria às 19h e os ingressos seriam vendidos às 18h, eu cheguei às 17 e fiquei lá pro meio da fila. No horário exato compramos os ingressos. Aí uma funcionária da Ópera abre as portas e nos conduz em fila indiana para o saguão. Dá as boas vindas em alemão e inglês e dita todas as regras: nada de fotografias, guardem seus lugares com uma echarpe (apesar de ser em pé, ficamos diante de um pequeno púlpito, se posso chamar assim. Amarramos um cachecol e pronto. Ninguém pega o seu legar). Eu fiz isso e depois fui conhecer as dependências do Teatro e fotografar o que era possível.

Alguns detalhe do teto de um dos salões. Fotografei rapidamente.

Figurinos de algumas óperas ficam em exposição.

E este imenso salão. Painéis com histórias de diversas óperas. Aqui rola a social. E todos confraternizam com champagne, claro!

E viva o "temporizador" que permitiu fazer essa foto. Ao fundo vocês podem notar um balcão onde são vendidos mini-sanduíches de salmão defumado, caviar, champagne. Que vida!
Escuto o sinal e vou correndo para a sala. O Teatro lotado, meu lugar "guardado" e me esperavam quase três horas de espetáculo em pé! Nem pensei nisso, até porque iria assistir minha ópera preferida: La Bohème, de Puccini. E ficar de pé não era nada demais. Aliás, Puccini merece esta reverência.

Foi uma noite perfeita. A música de Puccini bem conduzida pela orquestra da Ópera de Viena. Cantores de primeira linha com vozes privilegiadas. Cenários, figurinos, iluminação, tudo perfeito. Um espetáculo de altissímo nível, eu estava genuinamente feliz!

Dois dias depois retornei ao Teatro para assistir "Manon Lescaut", também de Puccini. Montagem moderna, ambientada no século XXI.

Vejam só, em apenas uma semana em Viena assisti duas óperas. Este ano aqui no Rio, desde a reinauguração do Teatro Municipal, assisti 2 montagens. Quem sabe um dia nossa temporada de óperas seja, ao menos, a metade do que é a de Viena ou Paris.