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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Carioca, apaixonado pelo Rio de Janeiro, apreciador das artes, das viagens e das pessoas que têm algo a dizer.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Aqueles Dois

A literatura e o teatro caminham lado a lado e, de vez em quando, somos surpreendidos com algumas adaptações de textos literários para o teatro. Não é uma empreitada fácil, pois nem sempre o resultado é positivo. Já assistimos adaptações que foram desastrosas. Muitas vezes o que está nos livros perde a força dramática quando ganha uma adaptação para os palcos. Talvez, até motivados por esse desafio, a companhia mineira Luna Lunera decidiu montar o espetáculo Aqueles Dois, baseado no conto homônimo de Caio Fernando Abreu. Este autor, considerado um dos expoentes da sua geração, é dono de uma obra intensa, que trata de temas ligados à solidão, sexo, medo, morte, angústias do mundo contemporâneo, entre outros.
A peça é uma criação coletiva, um trabalho feito pelos atores da companhia que ficaram responsáveis pela direção. Assim, cada ator teve um período para realizar sua proposta de direção e fazer os experimentos necessários a fim de montar o espetáculo.
Aqueles Dois se passa em um escritório de uma repartição pública. No meio desse cotidiano burocrático e impessoal, estão os personagens únicos do espetáculo: Raul e Saul, que apesar da rotina enfadonha e da mesmice de um ambiente de trabalho, tornam-se bons amigos e passam a ser criticados pelos demais colegas de escritório.

O grupo responsável pela criação, direção e dramaturgia é formado por Cláudio Dias, Marcelo Souza e Silva, Odilon Esteves, Rômulo Braga e Zé Walter Albinati, que conseguiu transpor para o palco com muita criatividade o espírito do conto de Caio Fernando Abreu. O cenário é composto de caixas, máquinas de escrever, aparelhos de telefone, televisão e som, que ficam dispostos sobre um amplo quadrado, com uma parede escura ao fundo, onde são expostas gravuras desenhadas por um dos personagens. Tudo isso ajudado pela bela iluminação de Felipe Cosse e Juliano Coelho, e embalado por uma ótima trilha sonora.
Apesar de a peça contar com apenas dois personagens, estão em cena quatro atores da equipe de criação: Cláudio Dias, Marcelo Souza e Silva, Odilon Esteves e Rômulo Braga, que se revezam nos papéis de Saul e Raul. A técnica, que pode ser chamada de coringa, funcionou muito bem nesta montagem. Entre altos e baixos todos estão bem, comprometidos com os personagens. Apesar de tão diferentes, na linha de direção, os atores conseguem apresentar um trabalho uniforme. O único senão fica por conta de uma pequena intervenção que acontece minutos antes de terminar a peça: um dos atores interrompe a cena e explica ao público que é o momento de dedicar o espetáculo para alguém. Na noite que assisti, o homenageado foi Augusto Boal. Homenagem justa, mas sem qualquer ligação com a peça. Nesse momento há uma ruptura e corta um pouco a tensão da cena. Algo que poderia ser subtraído sem problemas, mas que de modo algum tira o brilho do espetáculo.

Podemos dizer que a criação coletiva da Cia Luna Lunera atingiu o objetivo de conseguir realizar a difícil tarefa de adaptar um texto literário para o teatro. O trabalho é de qualidade, com atores dedicados e estudiosos e que engrandece muito a cena teatral carioca. Aqueles Dois cumpre muito bem o papel do teatro como agente de reflexão e quem ganha com isso é o público.

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Anote:

Onde: Teatro III do CCBB - Rua Primeiro de Março, 66

Quando: de quarta a domingo, às 19h30. Até 28 de fevereiro.

Quanto: R$ 10

5 comentários:

  1. Snif, snif, eu queria ter ido com você!
    Adorei o texto sobre a peça, você está cada vez melhor! beijossss

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  2. Oi Meg
    Vc não pode perder este espetáculo. Pensei que vc tivesse ido viajar. Te liguei e não te encontrei em casa.
    Beijos

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  3. literatura, cinema, teatro e música andam juntos ... estreitamente juntos. adorei o post!!!
    amo ler um livro e depois ver o filme, mesmo que não seja a fiel versão da verdade literária, o que muitas vezes acontece. poucos os livros que li cujo filme correspondente prima pela fidelidade. ex: o nome da rosa, pássaros feridos, o exorcista, ninguém escreve ao coronel, o cortiço ... e por ai vou eu ...

    seu preconceito ... viu só?!?!?!?!?! ... amo música mas sou apaixonada por rock ... conheço muito sobre samba. sabia??? meu pai era um amante de samba. cresci ouvindo músicas e estórias ... tem um bar aqui em sampa, o salve simpatia, cujo site nós vamos fazer. lá só toca samba de verdade, esse que o povo resolveu chamar de samba raiz, que é pra não misturar com as babozeiras que andam inventando por ai. pois bem, dentro do bar, a decoração é composta por fotos de caras do samba, que estiveram ou não visitando lá, e por 4 estátuas enormes: noel, adoniran, clementina e bixinguinha. estou montando textos sobre eles sendo que, neste ano, o bar vai homenagear noel.
    e vc pensava que eu era só rockeira ... viu só???? preconceito é uma merda ... rsrs ...

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  4. Saudades das nossas trocas, que bom que a arte sempre nos une. E desta vez este meu mea-culpa. Isso é bom para a gente aprender né??? Beijos enormes e me veja na BAND logo mais a Cubango vem aí.

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  5. ô dó!!!! quando li aqui já passava das 22 .... vou tentar na band, mesmo assim ..... bj.

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