quem escreve

Minha foto
Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Carioca, apaixonado pelo Rio de Janeiro, apreciador das artes, das viagens e das pessoas que têm algo a dizer.

sábado, 20 de março de 2010

A mulher que comeu o mundo

É lugar comum, no mundo teatral, as queixas da classe artísitica em relação ao patrocínio e à verba para produção de espetáculos. Sabemos que a montagem de uma peça envolve muitos profissionais e que sem apoio financeiro é quase impossível a sua realização. Por outro lado, alguns espetáculos são patrocinados, recebem vários apoios, apresentam-se em teatros do governo e o preço do ingresso fica inviável para o público. Daí fica sempre no ar aquela pergunta: Ora, se conseguem patrocínio para bancar as despesas, por quê o ingresso custa tão caro? Esta pergunta eu, honestamente, não sei responder. E fico como você, caro leitor, esperando uma resposta. E o que isso tem a ver com o post de hoje? Tudo. Ontem fui conferir "A mulher que comeu o mundo", uma criação do Grupo Usina do Trabalho do Ator - UTA, cuja sede fica em Porto Alegre. O preço do espetáculo? Zero, Entrada Franca. Para realização da peça, o UTA recebeu financiamento do FUMPROARTE, da Prefeitura Municipal de Porto Alegre e o Prêmio FUNARTE/PETROBRAS, além de patrocínio da Caixa Econômica Federal. Com todo esse apoio as apresentações, ao menos aqui no Rio - não sei em outras praças - serão gratuitas. É uma maneira de devolver com arte o dinheiro dos nossos impostos. Esta sim é uma política cultural. Não sou contra a cobrança de ingressos, mas que seja cobrado um preço justo, para que a população tenha acesso à cultura. Na minha opinião, esta é a verdadeira política cultural.

O UTA existe desde 1992 e seus trabalhos são criados a partir de uma investigação sobre o trabalho do ator. O Grupo trabalha com temáticas e modos de fazer que são próprios da região Sul do Brasil.

"A mulher que comeu o mundo" é uma divertida fábula sobre uma mulher gorda que após a morte do pai e para espantar a tristeza, come tudo o que vê pela frente, a começar pelo próprio pai (para tê-lo sempre em seu estômago, digo, coração). Aos poucos vai trocando sua fortuna pela comida oferecida pelos vizinhos, que interesseiros se aproveitam da sua ingenuidade. Porém, a gorda tem um apetite insaciável e sai em busca de mais e inicia um ciclo devorador de comidas, pessoas, objetos, animais e até a escola da cidade, com os alunos, cadeiras, livros e cadernos. Sua necessidade de comer é tanta que todos os seus vizinhos são devorados. Por fim, alimenta-se do último sobrevivente, o seu marido, ficando sozinha.
Com um belo trabalho de composição, utilizando máscaras e um figurino caprichado os seis atores da peça dão vida aos diversos personagens da narrativa, com muita música e dança. A gorda utiliza um vocabulário estranho, compreensível (?) apenas para o seu marido. O próprio Grupo é responsável pelo roteiro e pela dramaturgia do espetáculo e a direção coube a Gilberto Icle.
Aparentemente uma história muito simples e divertida, a peça permite diferentes interpretações, de acordo com o olhar de cada espectador. Pode representar a ganância do ser humano em busca de ter sempre mais ou o próprio jogo do poder de querer ter tudo, mas não ter ninguém ao lado. Enfim, várias possibilidades.

Anote:
Onde: Caixa Cultural - Teatro Nelson Rodrigues
Quando: Sex, Sáb e Dom às 19hs. Até 28 de março.
Quanto: Entrada Franca! - Retirada de senha com antecedência de 1 hora (sujeito à lotação do teatro)

6 comentários:

  1. Parece ser uma fábula bem interessante. Deu até fome, hahahahaha. Beijos e bom final de semana!

    ResponderExcluir
  2. Fala, Jorge!
    Você sempre traz essas novidades culturais para nós, obrigada!
    E não poderia deixar de parabenizá-lo pelo seu segundo ano de vida de blogueiro!
    Muitos anos de blogagem, amigo!
    Aparece mais no diHITT que, apesar de eu andar um tanto estressada com o site, é bom porque revejo os amigos com mais facilidade...
    Beijos,
    Mary :-)

    ResponderExcluir
  3. Lu
    Com certeza, a peça é bem interessatnte. Ó Grupo é da terra da Dani, quem sabe um dia não chegam aí em Floripa.
    Beijos

    Mary,
    Que surpresa! Obrigdo pelo carinho e pela lembrança. Eu ainda estou cadastrado lá nodiHITT, mas deixei de frequentar, por pura falta de tempo. Um beijo enorme.

    ResponderExcluir
  4. Oi, Jorge!
    Aqui eu de novo! rsrsrs
    Querido, é para te pedir um favor.
    Você saberia desbravar um pequeno misterio?
    Uma música americana toda em inglês, tem uma parte(apenas uma contagem), em francês, que é:"Un, deux, trois, cinq".
    Por que não utilizou-se o "quatre"?
    Você saberia dizer se tem a ver com aspecto histórico na França ou superstição?
    Sinceramente isso me chamou muito a atenção...
    A letra mesmo não dá pista de nada, portanto, só sendo mesmo algo concernente à cultura do país para sabermos...
    Tomara que você descubra, agora que te transformei num detetive! rsrsrs
    Beijos e desde já, obrigada!
    Mary :-)

    ResponderExcluir
  5. Oi Mary
    Sinceramente desconheço, mas vamos fazer o seguinte: mande um e-mail para mim com a letra ou somente com o trecho onde este "mistério" acontece. Vou pesquisar.
    Beijos

    ResponderExcluir
  6. Jorge,
    O que ocorre na música é apenas essa contagem em francês, cujo "quatre" não aparece.
    Sabe quando vamos contar até tal número para dar tempo da pessoa se organizar? ( Em brincadeiras infantis, por exemplo, aquela do pique-esconde: "Um, dois, três, quatro,...")
    Então, é assim que acontece!
    Logo no início, uma moça faz essa contagem em francês (sem o bendito do 'quatre') e o cantor entra cantando, em inglês.
    A moça serve como introdução vocal na música.
    A letra em si, totalmente em inglês, não nos dá a pista.
    Talvez seja esse mais um daqueles mistérios indecifráveis... rsrsrs
    Tomara que você consiga algo porque eu já queimei meus neurônios para descobrir!
    Estou encarando como brincadeira, mas que serve para ativar o raciocínio lógico.
    Beijos e obrigada pela atenção!
    Mary :-)

    ResponderExcluir

Obrigado por ler e comentar este post.
Abraços e volte sempre.