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sexta-feira, 11 de junho de 2010

Hotel Medea - an overnight experience

Como parte das comemorações de cinco anos do Oi Futuro Flamengo está em cartaz até o dia 19 de junho o espetáculo Hotel Medea - uma trilogia da meia-noite ao amanhecer. A peça é uma realização criada pelos grupos Zecora Ura (RJ) e Para Active (Inglaterra) em parceria com o Centro Popular Gargarullo (RJ), Tapete Criações Cênicas (MA) e Dj Dolores (PE). O espetáculo propõe uma experiência para o público através do mito grego de Medéia utilizando a tecnologia da comunicação e dos ritos dos orixás do candomblé, Bumba-meu-boi e do Cavalo Marinho (danças nordestinas). Medéia é uma figura forte, plena de sentimentos contraditórios, uma mistura de amor, ódio, vingança. Durante as 6 horas deste espetáculo o público vai vivenciar uma experiência teatral suspensa entre a crueldade da noite e a sobriedade do dia.

(Foto: Ludovic des Cognet)

A peça está dividida em três partes: Mercado da Zero-Hora, Drylands e Banquete do amanhecer. Logo na entrada somos recebidos pelo "Captain", uma espécie de Mestre de Cerimônias, ele conduz a platéia até o Mercado da Zero Hora. O que está em jogo é o velocino de ouro, objeto de desejo de Jasão. Atores espalhados pela sala de exposição "vestidos" ou "instalados" (não encontro outro termo) com uma barraca cheia de fitas (referência ao bumba-meu-boi), provocam o público com um texto enigmático. A música é contagiante e o efeito visual fantástico. O público entra e sai das "barracas", dança e tenta em vão conseguir um meio para pegar o velocino de ouro. Eu tentei.
Em seguida acontece o encontro e a união de Jasão e Medéia. Um ritual místico com participação do público. Aliás, o público é parte importante deste espetáculo e interage o tempo todo com os atores.

(Foto: Ludovic des Cognet)
Quando termina a primeira parte ficamos anestesiados, embriagados pela onda mística que toma conta da cena. É apenas o início da experiência e notei que o público estava totalmente integrado à proposta do grupo.
Drylands é a segunda parte do espetáculo. Os espectadores são divididos em grupos e cada pessoa terá sua experiência individualmente. E no meio de tudo isso temos chocolate quente e a traição de Jasão.



(Foto: Ludovic des Cognet)

E chega a terceira parte, Banquete do amanhecer - uma viagem angustiante através da paisagem da mente de Medéia, com perseguições de paparazzis, noivas queimando e um jogo de esconde-esconde, além do Clube do Exílio. Certamente, este é o momento mais denso do espetáculo, onde o ponto alto é o Clube do Exílio (somente para mulheres de coração partido). O Clube do exílio é dividido em cinco atos: sons do corpo; dança do vestido envenenado; ressureição do irmão morto; A valsa onde Agleus leva o presente envenenado; A ama queimando.


(Foto: Ludovic des Cognet)

O dia amanhece e o banquete é servido

Hotel Medea é, de fato, uma grande experiência para o público. Um espetáculo vibrante, cheio de energia e força e que ficará durante muito tempo nas minhas lembranças teatrais. Quando soube que o espetáculo tinha 6 horas de duração pensei que não iria resistir, mas o tempo passou e nem senti. Do início ao fim o espectador fica ligado e tudo colabora para isso, música, luz e atuações. O grupo formado por grande elenco - atores brasileiros e ingleses - está muito bem entrosado e muito bem dirigidos por Jorge Lopes Ramos e Persis-Jade Maravala que atua como Medéia e também é responsável pelo treinamento do elenco junto com Urias de Oliveira. A trilha sonora do Dj Dolores é perfeita e dá muito dinamismo às cenas da parte 1 e contagia a todos. Já Nwando Ebizie nas partes 2 e 3 faz um trabalho primoroso com sua trilha com canções tranquilas. Enfim, um trabalho grandioso e de qualidade. Ousado e criativo na medida. Vale lembrar que o espetáculo é falado em português e inglês. Mesmo quem não entende inglês poderá assistir ao espetáculo, pois compreenderá o contexto. E não tem como fugir ao Mito de Medéia.

Quem esteve comigo nesta empreitada foi Meg Bravo. Nesta foto - ainda com os botons de Jason - havíamos saído dos nossos esconderijos.


Ao final do espetáculo é oferecido um café da manhã para o público com direito a frutas, pães, sucos, geléias etc. Este é o momento para conversar com o elenco e trocar impressões. Na foto estou entre a atriz inglesa Lisa Lapidge (que foi a minha "ama") e Urias de Oliveira que interpreta Agleus e também é o responsável pela preparação do elenco.

Agora assista um pouco de Hotel Medea

Eu gostei desta experiência e recomendo Hotel Medea. Corra para ver. São apenas 48 ingressos.

Anote:

Onde: Oi Futuro - Rua Dois de Dezembro, 63 (3131-3060)

Quando: Sextas e Sábados (até 19 de junho)

Primeira Parte (23h45 - 02h00) - R$ 15

Trilogia Completa (23h45 - 05h30) - R$ 30

3 comentários:

  1. Caro Jorge,
    Faltou comentar das pessoas que se dispõem a assistir a um espetáculo que dura 6 horas. Como são? Você já conheço: animadíssimo e um grande fã de teatro - mas e os outros? Todos do mesmo naipe? Almas gêmeas?
    Bjs, Inês

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  2. Inês
    O público "entra" e aprticipa integralmente da viagem. Conversei com um dos atores e ele disse que todas as apresentações a platéia é cumplice do espetáculo.
    Beijos

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  3. Bem aqui vai meu depoimento para Inês. Foi uma experiência ímpar e em alguns momentos terapêutica, por exemplo, num certo estágio da peça, somos convidados a adentrar um espaço cheio de camas beliches e bichinhos de pelúcia, recebemos um pijama e somos convidados a vestí-lo e deitar nas camas, enquanto uma ama nos acaricia e conta historinhas como se fossemos crianças, isso me levou de volta a minha infância e me deu muito prazer. Fora isso as pessoas estavam abertas a proposta e interagiram o tempo todo.Como é possível verificar na foto, fiquei com olheiras, mas valeu à pena! Vale também dizer que a plasticidade do espetáculo é muito rica! A companhia do Jorge é sempre maravilhosa! beijosss

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