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quarta-feira, 9 de junho de 2010

IL TROVATORE

Il Trovadore, ópera de Verdi, foi escolhida pela direção do Theatro Municipal do Rio de Janeiro para a reabertura da casa. Muita gente se perguntou sobre o porquê desta escolha. Nos mais de 20 anos que frequento o TM, não lembro de ter assistido esta obra de Verdi. Talvez tenha sido este o motivo. Além do mais, Il Trovatore é considerada como uma das mais amadas e festejadas óperas da história. Verdi estava no auge de sua carreira e compôs uma obra fascinante. Ao lado de Rigoleto e La Traviata, Il Trovatore completa a "trilogia verdiana" formada pelas suas obras mais populares, escritas uma seguida da outra.
Il Trovatore é baseada na peça do espanhol Garcia Gutiérrez - El Trobador - e estreou em 1853 em Roma. Do século XIX até os dias atuais, a ópera tem sido um sucesso em todo o mundo operístico. No Brasil estreou em 1854 no Teatro Lírico Fluminense e no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, em 1910.
Em síntese, a trama é a seguinte: uma cigana foi queimada na fogueira por bruxaria. Sua filha, por vingança, sequestra um dos filhos do velho Conde de Luna, que ainda era bebê. Os anos passam e o irmão do bebê sequestrado é o novo Conde de Luna que está apaixonado por Leonora. Esta, por sua vez, só tem olhos para Manrico, o Trovador, que é o filho sequestrado. Daí em diante são duelos, conflitos, revelações e um desfecho dramático.
A montagem de Bia Lessa



Desnecessário falar da qualidade musical de Verdi que arrebata os amantes da boa música com sua melodia agradável e vibrante que faz tão bem aos ouvidos e à alma. Regida por Silvio Viegas, a Orquestra do Theatro esteve perfeita e harmônica. Os solistas principais da sexta-feira (4/6) eram Alfred Kim, tenor, no papel de Manrico; Chiara Taigi, soprano, como Leonora; Anna Smirnova, meio-soprano, no papel da cigana Azucena e Rodrigo Esteves, barítono, como Conte di Luna. Estes quatro solistas simplesmente brilharam! Porém, quem arrebatou o público foi o meio-soprano Anna Smirnova com registro vocal impecável e interpretação irrepreensível. Os demais cantores que completavam o elenco cumpriram bem os seus papéis, com destaque para o baixo Luiz-Ottavio Faria no papel de Ferrando. E, claro, o coro do Theatro fazendo bonito, como sempre e brilhando em Vedi le fosche notturne (coro dos ferreiros). Enfim, uma encenação com a marca de Bia Lessa, de muito bom gosto e de grande criatividade, embora não aceita pelos puristas. Lamentável a atitude de parte do público de vaiar a diretora. Pura inveja do talento da artista que propôs um lindo visual para a encenação deste belo espetáculo.

6 comentários:

  1. Eu acho bom inovarem com algo diferente, sempre nas reaberturas anuais lançam o esperado, acredito que deva ser maravilhoso.

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  2. Sissy
    Foi sensacional! os purisas não gostam de inovações e por isso criticam. A encenação proposta por Bia Lessa ficou perfeita para a obra de Verdi.
    Beijos

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  3. Jorge, quando for assistir um ballet no TM, eu adoro, tenho dificuldade de encontrar quem goste, me chama. Só não poderei ir se for semana que esteja com minha filha.

    beijos

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  4. Jorge...O texto de Garcia Gutiérrez, embora tenha alcançado algum sucesso, é bastante confuso. Entretanto, Verdi fez, sobre ele, uma ópera com grandes atrativos musicais, sendo a opinião de muitos que a ópera é em muito superior a peça original.
    Quanto a leitura que os diretores modernamente fazem nas montagens, eu acho que a concepção do autor deve ser respeitada, pois afinal as obras possuem um contexto que nem sempre se adapta a releituras. Querer fazer como o Gerald Thomas que fez um Tristão e Isolda com Freud no palco cheirando cocaína e outras coisas, é demais. Ou adaptar a Tetralogia do Anel dos Nibelungos para tempos modernos carece de qualquer originalidade. Acho que uma ópera como La Boheme tem uma história que pode até ser modernizada, desde que ambientada em Paris, é lógico. Agora, já pensou uma Tosca ambientada na 2ª guerra mundial, como fizeram, com o Barão Scarpia sendo um oficial nazista, enquanto se fala de Napoleão derrotando o Gen. Melás...eu acho que não tem nexo. É a minha opinião. Não vou para vaiar mas não concordo muito com essas inovações que não dizem nada. É a minha opinião. Abraços,

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  5. Adorei e me arrependi de não ter arrastado meus pais para esta programação!
    Pelas fotos, parece ter sido ALUCINANTE!
    E além do mais, gosto da Bia Lessa. Imagino ter havido inovações sobre a ópera!
    Parabéns pelo post! Chiquérrimo!
    Beijo
    Cristina BR

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  6. Sissy
    vou consultar a agenda do theatro e depois te falo.
    Beijos

    Wilson
    Como vc é um catedrático no assunto já me sinto honrado com o seu comentário. De fato, a história de Il Trovatore é muito confusa, mas as belas vozes e a música de Verdi supera tudo. Gosto das inovações, mas com limites. Assisti à montagem do Gerald Thomas e achei muito louca e totalmente fora de contexto. Assim como essa montagem de Tosca que vc menciona. No caso da montagem da Bia Lessa não houve nenhuma viagem e o espetáculo estava lindo. O público fica muito preso aos figurinos e ao cenário e esquece da beleza visual e da força dramática.
    Um abraço e parabéns pelo seu comentário cheio de conhecimentos!

    Cris
    Foi uma pena mesmo. Seus pais iriam adorar, tanto o Theatro quanto a Ópera. Fica para uma próxima. Dia 26 tem Il Guarani em forma de concerto e já tenho meus ingressos.
    Beijos

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