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domingo, 15 de agosto de 2010

Calígula

Eu era apenas um adolescente quando Calígula - o filme - estreou nos cinemas e causou grande polêmica. A história do Imperador cruel e devasso, interpretado por Malcom MacDowell chocou milhões de pessoas mundo afora. Muitos anos depois, já maior de idade, assisti ao filme e fiquei impressionado com a história do homem por trás da figura do Imperador. Na década de 90 Edson Celulari levou Calígula para os palcos e já não tenho tantas lembranças do espetáculo. Posso dizer, vagamente, que a peça reproduzia muito do filme e havia um excesso de nudez. Agora, neste final da primeira década do século XXI Calígula retorna aos palcos cariocas num espetáculo com a assinatura de Gabriel Villela e com um "galã global" no papel título. Quando falo "galã global" mostro um pouco do meu preconceito com certos atores. Quando vi a propaganda disse sem pensar:"quero ver o Thiago Lacerda dar conta disso. Esta eu pago pra ver."

Calígula foi escrito por Albert Camus em 1938 e é um texto muito bem elaborado. Após a morte da irmã e amante, Drusila, Calígula - até então um príncipe amável - percebe que o mundo não lhe é mais satisfatório. Começa um período de horror e maldade, assassinatos e perversões. Não mede esforços para destruir todos que estão a sua volta. Mas, segundo Camus "não se pode a tudo destruir , sem destruir a si próprio."

Gabriel Villela é, antes de tudo, um grande encenador. Seus trabalhos são sempre muito bem cuidados. E não poderia ser diferente neste Calígula. Quem assistiu seus trabalhos anteriores já pode prever algumas marcas, a utilização de elementos circenses em cena, mas a boa direção dos atores, sobretudo do protagonista. Gabriel conduziu o espetáculo com grandeza e beleza irrepreensíveis. E todo o resto caminhou na mesma sintonia, cenário, luz, figurinos e trilha sonora. E vale ressaltar a qualidade da fluente tradução de Dib Carneiro Neto.
O elenco é composto por Claudio Fontana, Rogério Romera, Cesar Augusto, Pedro Henrique Noutinho, Hélio Souto Jr, Magali Biff e Thiago Lacerda. O elenco está afinado com a proposta do diretor e diz muito bem o texto, com boas entonações e sem exageros. Destacando-se nos papéis Claudio Fontana como Cherea e Magali Biff como Cesônia. Falo isso sem desmerecer o trabalho dos demais.

Mas não há como fugir ao inevitável: o espetáculo é de Thiago Lacerda, cuja interpretação mostra como está amaduecido profissionalmente. Lacerda está convincente no difícil papel do Imperador Romano, cheio de nuances e com um risco muito grande de cair na caricatura. Porém, com a boa direção de Gabriel Villela, Thiago mostra que está a altura do papel, arrebata a platéia e põe fim ao cliché do "galã". E recebe os aplausos e é saudado como um grande ator - foram muitos os gritos de bravos e palmas demoradas.

Calígula é um espetáculo soberbo, texto de excelente qualidade e trabalho de direção afiado. Um ótimo momento para o teatro!

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Anote:

Onde: Teatro Sesc Ginástico

Quando: De quarta a domingo, às 19hs

Qaunto: R$ 10 (qua) R$ 20 (qui, sex e dom) R$ 30 (sáb)

10 comentários:

  1. Nossa! tens a graça de morares num centro cultural.
    Que maravilha. Pena que aqui são raras essas possibilidades.
    Beijos saudosos, Maria Marçal - Porto Alegre - RS

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  2. Maria
    É por isso que sou cada vez mais apaixonado pelo Rio.
    Mas aí em POA vc também tem muitas opçoões. O Teatro São Pedro que o diga.
    Beijos

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  3. Jorge,
    adorei o que você escreveu sobre a peça que vimos juntos.
    Perfeito. E perfeito também o Thiago!
    E concordo com você! O teatro São Pedro é ideal para o espetáculo, e se conheço Porto Alegre, vai fazer sucesso!
    Beijo querido
    Cristina

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  4. Admiro o trabalho de Thiago Lacerda desde que ele interpretou Garibaldi, em A Casa das Sete Mulheres. Calígula é uma história forte, choca saber o enredo. Assisti ao filme, em fita cassete. O poder enlouquece, quando se deixa levar por ele. Tomara que a peça viaje pelo Brasil, e passe por Porto Alegre, seria muito bom assistí-la!
    Beijos, Jorge!

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  5. Cris
    Esta peça foi uma surpresa para o nosso grupo naquela noite. Ficamos todos impressionados com a performance do Thiago.
    Beijos

    Dani
    É curisoso como alguns atores rendem mais em trabalhos nos palcos do que na telinha. Thiago é um desses exemplos. Sua atuação está arrebatadora. O espetáculo Calígula tem rodado o Brasil e , certamente, Porto Alegre deve recebê-lo.
    Beijos

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  6. Concordo com o primeiro comentário. Cidades pequenas, como a minha, são raramente privilegiadas com a cultura.

    Abraço!

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  7. Karla
    Muitas produções deixam de ser apresentadas em cidades pequenas por falta de espaços culturais. O ideal seria aumentar os patrocínios para adaptar as montagens. Infelizmente, Cultura não é uma prioridade para os governos.
    Obrigado pela visita.
    Abraços

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  8. Nossa, como tá barato pra ir ao teatro aí. Fui ver a peça da Clarie e paguei R$50,00. Agora vou ver Xica da Silva e vou pagar 35,00, só porque os atores não são famosos.
    Gostei de saber sobre Calígula. Lembro vagamente do Edson Celulari neste papel e mais vagamente do filme.

    E sobre a votação do concurso, também acho uma palhaçada essa coisa de votar mais de uma vez. Parece o Big Brother, mas regras são regras. Vamos ver se eu tenha paciência até o final...
    Beijos e obrigada pelo voto!

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  9. Valeu pelo voto. Acabei de ver no Twitter. Puxa, nos conhecemos há tanto tempo e nem aí pro Twitter, nem um nem outro, hahaha. Espero que o friozinho do Rio fique por aí. Em Floripa, o sol tá MARA!!! Bjsssss

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  10. Querido,
    a qualquer momento vc poderá receber um comentário do Thiago. Acredite! Não caia para trás se isto acontecer...
    Breve no meu blog vc vai entender o porque!
    Beijo querido
    Cristina Brasil

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