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Carioca, apaixonado pelo Rio de Janeiro, apreciador das artes, das viagens e das pessoas que têm algo a dizer.

domingo, 19 de setembro de 2010

A Carpa

Uma celebração de Pessach, a Páscoa Judaica, é o pano de fundo para um confronto de gerações. Mãe e filha, judias, em épocas diferentes, discutem suas posições e seus pontos de vista em relação, entre outras coisas, ao mundo em que estão vivendo, à religião, até mesmo ao corte de cabelo e, mais que tudo, ao amor. Esta é a história de "A Carpa", texto de Denise Crispun e Melanie Dimantas, estrelada por Ivone Hoffman e Carolyna Aguiar.

O Pessach para os judeus é uma das mais festejadas celebrações, pois é quando comemora-se a libertação do povo judeu da escravidão sob o jugo dos egipcios. É um momento especial e o Seder de Pessach (jantar de Páscoa) é o momento de reunião das famílias, onde se come o tradicional guelfite-fish entre outras iguarias como a deliciosa borscht (sopa de beterraba). E neste clima de preparação de jantar compartilhamos os momentos da mãe e da filha.
Como acontece em toda reunião familiar com mais de duas pessoas, os embates são previsíveis e numa família judaica não é diferente. E nem precisamos falar aqui das características da "mãe judia", na verdade mãe é sempre mãe, independentemente da nacionalidade. Afinal toda mãe só quer o melhor para os seus filhos. E os sempre acham que as suas escolhas são as melhores. Pode ser, ou não.
O texto de "A Carpa" é delicado e cheio de nuances, mostrando as posições da Mãe e da filha, sem querer pregar quem está mais certa; mas procura, antes de tudo, mostrar o amor que existe na relação mãe e filha.

"A carpa" é um espetáculo bem cuidado, com bom texto e ótima direção de Ary Coslov que tem a sua disposição duas atrizes de talento: Ivone Hoffman e Carolyna Aguiar, respectivamente Mãe e Filha. As atrizes interpretam 4 personagens, mostrando as posições de Mãe e Filha em épocas diferentes na Rússia e no Brasil. São momentos muito bonitos e bem interpretados, com destaque maior para Ivone Hoffman que cativa a platéia com a atuação perfeita da cuidadosa e espirituosa Mãe Judia. E o clima familiar se completa com o cenário que mostra em momentos distintos uma cozinha equipada no Brasil da década de 60, com uma bela geladeira azul e um fogão daqueles com abas e estufa e outra cozinha ambientada na Rússia uns 40 anos antes. Além disso, o espetáculo conta com um trilha sonora caprichada, a cargo do diretor Ary Coslov, com clássicos do cancioneiro judaico. Vale registrar, também, os jingles das propagandas da década de 60 acompanhadas com alegria pela Mãe.

"A Carpa" é um desses espetáculos que nos fazem bem e que lamentamos quando acaba. Imperdível!

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Anote:

Onde: Teatro Nelson Rodrigues (Caixa Cultural)

Quando: de quinta a domingo (até 26/09) - 19h30

Quanto: R$ 20

4 comentários:

  1. Oi, Jorge, muito bom esse espetáculo, só de ler o seu post já dá pra perceber isso. essa coisa de relacionamento com gerações diferentes é sempre muito interessante. E é incrível como mudamos e/ou adaptamos os conceitos quando chega a maturidade.
    Adorei a postagem!

    Beijos pra ti e uma ótima semana!

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  2. Luciana
    É exatamente isso o que a peça mostrra através dessa relação Mãe e Filha. A Mãe que já foi filha um dia e pensava de uma maneira, passa a agir na maturidade da mesma forma que a Mãe.
    Beijos e ótima semana

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  3. Querido amigo,
    adorei este post. Fiquei curiosa da relação mãe e filha. Especialmente, adoro os judeus! Povo e cultura admiráveis! Nos meus 45 fiz uma festa só com comida judaica. Foi um LUXO!
    Do guelfite fish ao acarajé... rs
    Adorei a animação pós provas. E o resultado?
    Predcisamos sair. Muitas prá te contar.
    Beijos e saudades.
    Cristina BR

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  4. Cris
    Este espetáculo, como disse, é imperdível. é curioso ver como as pessoas mudam de opinião ao longo da vida.
    Saudades mis
    Beijos do
    Jorge

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