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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Carioca, apaixonado pelo Rio de Janeiro, apreciador das artes, das viagens e das pessoas que têm algo a dizer.

sábado, 31 de dezembro de 2011

2011 chega ao fim... que venha 2012!!!

E mais um ano passou, e como foi rápido! Comecei 2011 em Paris no fantástico Réveillon do Alcazar e mal pisquei os olhos já estou preparado para passar outro Réveillon dessa vez aqui no Rio em Copacabana onde retorno depois de 10 anos afastado da muvuca, mas este ano senti vontade e lá vou eu.
o que posso dizer de 2011? Foi um ano bom. Estou vivo, com saúde, já é um excelente ganho. Só posso agradecer a Deus o privilégio de ver, ouvir, falar, andar, tocar e sentir os perfumes da natureza. Isso tudo já é bom demais!

E justamente quando faço minhas caminhadas é que agradeço a Deus pela vida, por poder ir e vir, pela liberdade e pela paz que dá fazer um passeio simples assim.


Essas fotos foram tiradas no dia 23/12 (sexta-feira), no final de uma bela tarde calorenta.  Nessa tarde, enquanto caminhava fiz minha breve retrospectiva de 2011 e resumi assim: mais um ano bom, com bons espetáculos, algumas novidades, saúde em dia, vontade de malhar muito, emagrecer. E também: novas amizades que surgiram, duas viagens curtas e bem animadas. Uma constatação: pouco tempo para aproveitar tudo.

Que 2012 venha como Deus permitir! Tenho muitos planos, mas Deus é quem vai dirigir tudo isso. Quero continuar sorrindo para a vida, para os amigos sinceros, para os bons espetáculos, a boa comida, a verdade, a alegria, um bom drink e uma música que me faça viajar...

E falando em viajar... uma boa temporada em alguma cidade bacana será a cereja do meu bolo!
No mais, preparem o champagne e o caviar, brindem porque 2012 está aí. Desejo aos meus queridos leitores e amigos muita Saúde e paz no coração! Feliz Ano Novo!

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

O Quebra-Nozes - o espetáculo do Natal!


Este é o post  nº 500! E para comemorar esta marca, divido com vocês dois bons momentos que vivi na semana passada. Para começar, o Ballet "O Quebra-Nozes", que fui assistir na noite de estreia, na última sexta-feira, dia 16 no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.


"O Quebra-Nozes" é um Ballet inspirado num conto de Alexandre Dumas, com coreografia de Marius Petipa e Lev Ivanov, com música de Tchaikovsky. Estreou em 1892 na Rússia. O ballet conta a história da  menina Clara, que ganha do padrinho um quebra-nozes em formato de soldadinho e se encanta pelo presente. Ela fica desolada, no entanto, quando um de seus irmãos quebra o brinquedo durante a festa. O padrinho a consola e conserta o soldadinho. Ela vai dormir e a partir daí, a magia toma conta do ballet: Clara sonha que um exército de ratos está invadindo o salão. O boneco quebra-nozes adquire vida e ataca os ratos, comandando um exército de soldadinhos de chumbo. O “Rei dos Ratos” fere o boneco que, desarmado, está prestes a perder a batalha, quando ela o salva, atirando seu sapato na cabeça dele. Clara sente a presença do padrinho, que, num passe de mágica, transforma o boneco em um belo príncipe. O príncipe a conduz ao “Reino das Neves” e depois ao “Reino dos Doces”, onde vive a “Fada Açucarada”, que homenageia a menina com uma grande festa, com danças típicas da Espanha, China, Rússia, entre outras, e com um pas-de-deux da “Fada Açucarada”. O espetáculo continua com uma sucessão de danças de diversas regiões do planeta, e outras que simbolizam o café, os chocolates, as flores e, por fim, o pas-de-deux entre a fada e o príncipe

Já perdi a conta de quantas vezes assisti este ballet, mas não podia deixar de ver este ano. Até porque, no dia da estreia, Ana Botafogo seria a solista dançando os papéis da Fada Açucarada e Rainha das Neves. Nem preciso dizer que a plateia foi ao delírio quando Ana adentra o palco. Foi aplaudidíssima. Ana Botafogo já havia me dito que dançaria "O Quebra-Nozes" ,atendendo a um pedido especial da direção do Theatro Municipal. Sorte de quem foi à estreia e teve a chance de ver a bailarina fazendo os dois papéis. Uma celebração! "O Quebra-Nozes" é uma grande produção e envolve muitos profissionais, entre músicos, coro, bailarinos e técnicos. O corpo de baile estava perfeito, assim como a orquestra que executou a música de Tchaicovsky com precisão. Uma noite de sonhos que ainda terá récitas nos dias 22, 23, 28, 29, 30/12/2011 e 03, 04, 05, 07 e 08/01/2012. Os ingressos, se já não esgotaram, custam entre R$ 25 e R$ 84.

Festival de Presépios

E contagiado pelo clima mágico de "O Quebra-Nozes", no dia 17, sábado, peguei o meu trenó, guiado por renas encantadas e fui até o Jardim de Alah conhecer a Vila do Papai Noel e conferir a edição 2011 do Festival de Presépios.

O dia estava perfeito e as renas - bem alimentadas - me conduziram muito bem até Ipanema. Um pouco antes de chegar à Vila de Papai Noel, parei para tomar o café da manhã com Maria da Fé que festejava seu aniversário e depois pegou uma carona e foi comigo ao Jardim de Alah.

Como bom carioca, confesso que nunca havia entrado no Jardim de Alah. Por isso, achei muito acertada a decisão de utilizarem o espaço para realização desse evento.
Conseguiram criar um ambiente muito bonito e acolhedor. Uma festa para as crianças e para os adultos que vai até o dia 25 de dezembro. A reunião dos trabalhos de artistas plásticos de todo o Brasil, transformou o Jardim de Alah numa grande galeria de Arte a céu aberto. E foi bem melhor assim, pois nos anos anteriores os presépios ficavam espalhados em diferentes pontos da cidade. Desse jeito ficou melhor para o público poder votar, embora fosse difícil escolher qual o presépio mais bonito, tamanha a criatividade dos artistas que trabalharam com diversos tipos de materiais.

 Presépio inspirado em Lucas 17:21 de Clécio Régis

 Luz Guia - Instituo Benjamim Constant

 "Casa do Papai Noel" - discretamente deixei minha cartinha embaixo da porta...

 Natal de Jesus - criado por Ermelinda

 Esperança - obra do artista João Augusto

 Natividade - Grupo Jubileu

 Os Olhos do Mundo - obra da artista Vera Luchese

 Consciência Coletiva - criação de Diogo Russo

 Natal da Paz - Rampinelli

O melhor desse passeio foi ter a companhia da Maria da Fé - aniversariante do dia -  e da Célia (que nos fotografou). São duas amigas queridas que o destino - ou seria o Pilates? - colocou no meu caminho.
E com este post especial  nº 500 desejo a todos os leitores e amigos uma ótima Noite de Natal! Um Grande Abraço e obrigado por acompanhar "Acabou o Caviar?".

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Judy Garland - O Fim do Arco-íris


Eternizada como a Dorothy do filme "O Mágico de Oz", Judy Garland, que já inspirou filmes e séries de TV, ganhou nova homenagem com a montagem da peça "Judy Garland - O Fim do Arco-íris", texto do inglês Peter Quilter, que conta os bastidores da sua última turnê em Londres, em 1968. O espetáculo chega ao Brasil pelas mãos de Charles Möeller e Cláudio Botelho, dupla que dispensa qualquer comentário quando o assunto é a montagem de espetáculos musicais.
A personagem Judy Garland é complexa, dona de personalidade forte, viciada em drogas e bebidas, sofria de depressão, além de colecionar  casamentos. Esta é a Judy Garland que é apresentada na peça. Uma mulher que iniciou sua carreira criança e sempre sofreu pressões e tomava remédios para dormir, para acordar, para ensaiar.  Mas que apesar de tudo, quando estava sob os holofotes era uma estrela absoluta, ganhando as platéias do mundo. Com um enredo desses, "Judy Garland - O fim do Arco-íris" poderia ser triste e melancólico, mas o texto e a direção suaviza um pouco esse sofrimento com um pouco de humor.


A adaptação de Möeller e Botelho é bem cuidada e o espetáculo flui muito bem em duas e trinta minutos de duração. A plateia acompanha os altos e baixos da estrela e o conturbado relacionamento com seu último marido - bem mais novo - e a amizade sincera do seu pianista. O cenário é criativo e mostra a suíte do hotel onde Judy está hospedada e em segundos transforma-se na casa de espetáculos onde a cantora faz a sua turnê com a participação de um grupo de 6 músicos. Os figurinos são bem feitos e muito corretos para a época. No elenco estão Gracindo Júnior, Igor Rickli e Cláudia Netto. Ator experiente, Gracindo Júnior se destaca como o pianista, amigo da vida inteira de Judy Garland, com seus trejeitos, pausas, olhares e a fala, Gracindo Júnior conquista o público com sua interpretação. Igor Rickli no papel do marido de Judy tem boa presença cênica, mas não chega a ter uma grande atuação. Mas o brilho e o encantamento ficam por conta da atuação perfeita de Claudia Netto, atriz que já estrelou diversos musicais e encontrou neste espetáculo o seu papel de maior destaque e melhor atuação. Intensa, sofrida, divertida na medida exata. Sem exageros, Claudia Netto está irrepreensível e merece todos os nossos aplausos.


"Judy Garland - O Fim do Arco-íris" é um espetáculo muito bom que deixa a temporada teatral carioca mais interessante. Imperdível.

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Anote:
Onde: Teatro Fashion Mall
Quando: Qui - 18 h / Sex - 21h30 / Sáb - 21h - Dom - 20h (até 12/fev/2012)
Quanto: Qui e Sex - R$ 80 / Sáb e Dom - R$ 100

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Obituário Ideal


Faz parte da natureza humana evitar falar sobre certos temas, como a morte, por exemplo.  Algumas pessoas não gostam de nada associado ao tema, seja em televisão, cinema ou teatro. Confesso que também não curto. Porém, não podia ficar indiferente ao espetáculo "Obituário Ideal" em cartaz até domingo no Teatro da Casa Laura Alvim em Ipanema. Trata-se de um espetáculo de puro humor noir, mas muito refinado. Na peça, um casal de trinta e poucos anos, anestesiado pela banalização da violência cotidiana exposta na mídia, passa a ir a enterros de desconhecidos para chorar. Com o passar do tempo, procuram enterros que choquem cada vez mais, e se perguntam: qual seria o obituário ideal? Após essas visitas, quando chegam em casa o casal discute sobre o enterro, falam dos parentes, das roupas, da maneira como a pessoa foi morta, tudo num clima completamente nonsense e de maneira muito divertida. Quem sobe as escadarias do Teatro já encontra o casal protagonista - eu levei um susto - com uma expressão daquelas, de muito dor pela perda de alguém.


A montagem de "Obituário Ideal" é cheia de méritos, que vai do simpático e funcional cenário, passando pela luz e pela  música. E, claro, o competente texto de Rodrigo Nogueira que acumula as funções de autor, ator e diretor da peça em parceria com Thiare Maia. Enfim, um trabalho conjunto de muito bom gosto e grande dedicação. Tudo foi muito bem cuidado e pesquisado. É necessário ficar atento pois são muitas referências na trilha sonora e nas inserções com propagandas antigas, trechos de novelas, filmes, séries televisivas e a simpática narração de "notícias" pela jornalista Maria Beltrão.
Rodrigo Nogueira tem ao seu lado uma atriz de grande talento, Maria Maya, que está irrepreensível nos silêncios e pausas da personagem. Sua atuação é um brinde para o espectador. Maria Maya mostra grande maturidade neste papel, um trabalho difícil e que  a atriz desempenha com maestria.
"Obituário Ideal" pode chocar alguns, mas divertirá muitos. E além de tudo, provocará uma reflexão: até onde podemos ir em busca da felicidade?

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Anote:
Onde: Casa de Cultura Laura Alvim
Quando: Sex e Sáb: 21hs - Dom: 20hs  Até 18/dez
Quanto: R$ 40

domingo, 11 de dezembro de 2011

Encontros para celebrar 2011/2012

Como vocês sabem, já faz parte do meu calendário oficial o encontro com a minha turma de francês da Alliance Française. Entrei para a Alliance em 1995, mas só conheci o grupo quando mudei de turma em 1997. Nossa turma era grande, mas nós éramos um coletivo dentro do coletivo. Fazíamos reuniões semanais para bate-papos em francês e sempre nos encontravámos. Mesmo depois da saída de alguns - eu permaneci na Alliance até 2001 - os encontros continuaram.
Este ano a reunião foi chez Inês e comme d'habitude foi um sucesso!


Da esquerda para direita, Leila, eu, Inês, Maria Helena e Haydée.

A reunião foi prazerosa e matamos a saudade da querida Maria Helena que não comparecia há alguns anos nesses encontros. Bom papo, boa bebida e muitas lembranças. O almoço estava muito bom, preparei um gnocchi com molho de alho poró que desapareceu! E esqueci de fotografar..rs Mas fica o registro da sobremesa na foto acima, também preparada por mim - Mont Blanc.
Eu gosto muito dessa sobremesa e sempre quando visito Paris vou até a tradicional Casa de Chá Angelina para apreciar esta delícia feita com crème de marrons e muito chantilly. Quantas calorias??? O suficiente para você queimar numa subida ao Mont Blanc....

E como sempre acontece, a troca das nossas lembrancinhas.... elas capricharam nos mimos.
São esses encontros e essas amizades que fazem a vida ter sentido. Muito bom ter amigos assim por tanto tempo!

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Emilinha & Marlene - As Rainhas do Rádio


Houve uma época no Brasil que o Rádio era a grande atração. Poderia até dizer que era a única diversão de muitas famílias, que se reuniam para ouvir aos programas e rádio-novelas. E nessa época de ouro do Rádio, reinavam absolutas as cantoras, verdadeiras deusas adoradas pelos seus milhares de fãs pelo Brasil afora. Porém, nada se compara na história do Rádio ao fenômeno Emilinha Borba e Marlene. Duas cantoras ícones e protagonistas da maior rivalidade entre artistas já conhecida no país. Emilinha e Marlene eram absolutas, ditavam moda, espelharam comportamentos, valores e atitudes. Eram dois furacões arrastando multidões por onde passavam. Naquela época ou você era Emilinista ou Marlenista. Os fãs faziam de tudo para agradar suas divas e por elas eram capazes de tudo. Tudo mesmo, até brigar! Há uma história de que uma dessas brigas começou na Praça Mauá - onde ficava a Rádio Nacional - e só terminou na Praça Quinze! Outros tempos...  e que por algumas horas temos o prazer de reviver no espetáculo "Emilinha & Marlene - As Rainhas do Rádio" de autoria de Thereza Falcão e Júlio Fischer, com direção geral de Antonio de Bonis, em cartaz até domingo (11/12) no Teatro Maison de France.

Emilinha Borba - Coroada Rainha do Rádio em 1953

Embora eu não seja da época do Rádio sempre ouvi Emilinha e Marlene desde criança. Minha avó sempre cantava as músicas dessas divas, fosse "Chiquita Bacana" com Emilinha ou "Lata d'água" na voz de Marlene. Além dessa influência familiar, eu assitia aos filmes da Atlântida que passavam na TV e sempre tinha um número com essas cantoras. Ainda hoje lembro de Emilinha cantando "Tomara que chova". E as muitas gerações ainda cantarão as marchinhas imortalizadas na voz de Emilinha como "Mulata bossa-nova", "Vai com jeito vai" entre tantas. 

 Emilinha e Marlene na capa da Revista do Rádio

Foi com muita emoção que assisti este simpático musical. O texto de Thereza Falcão e Júlio Fischer utiliza a história de duas irmãs, cada uma fã de uma cantora que, após a morte da mãe, reencontram-se para recolher objetos do antigo quarto que dividiam. Revirando as caixas e baús, vão relembrando os tempos do Rádio e as aventuras e loucuras que faziam pelas suas ídolas. E assim o público vai mergulhando no túnel do tempo e conhecendo o início da rivalidade entre as intérpretes, que começou na eleição de Rainha do Rádio de 1949 quando Marlene ajudada por uma empresa venceu a disputa.

O espetáculo é muito bem cuidado e o elenco muito talentoso. Estrelado por Solange Badin como Marlene e Vanessa Gerbelli como Emilinha; e  ainda Stella Maria Rodrigues que interpreta Marlene ou Emilinha na ausência de uma das protagonistas. No dia em que assisti Stella substituía Vanessa Gerbelli. O musical flui de maneira muito agradável no turbilhão de memórias das irmãs e na vida das Rainhas do Rádio, com seus dramas, dores e amores. Tudo bem dirigido por Antonio De Bonis, com boa direção de musical de Marcelo Alonso Neves. Os figurinos de Rosa Magalhães são muito bonitos e apropriados para cada década do espetáculo. A pesquisa de Eva Joory e Rodrigo Faour é primorosa.


O elenco numeroso, como já disse é talentoso e estão todos muito bem nos diversos papéis que desempenham. Stella Maria Rodrigues defende muito bem a personagem Emilinha, cantando e encantando com sua brejeirice e carisma. Porém, Solange Badin impressiona com sua atuação. É como se a própria Marlene estivesse em cena, tamanha a fidelidade na reprodução dos gestos e no modo único de cantar. É um daqueles caso em que falamos "incorporou!". Enfim, "Emilinha & Marlene - As Rainhas do Rádio" é um musical brilhante, carregado de emoção e uma justa homenagem a duas estrelas que jamais serão esquecidas pelo que representam na nossa Música Popular Brasileira.
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Encontrei no YouTube um registro de uma entrevista com as duas estrelas, que foi gravado no Programa Jovens Tardes, no ano de 2003.

domingo, 4 de dezembro de 2011

O Castelo do Barba-Azul


Estreou neste domingo (4/12), no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, a ópera "O Castelo do Barba-Azul" do húngaro Béla Bartók. A produção foi a primeira incursão do diretor teatral Felipe Hirsch no universo lírico. Com essa montagem, Hirsch ganhou o Prêmio Carlos Gomes como melhor ópera do ano de 2008.
Já conhecia esta obra maravilhosa de Bartók, pois já havia visto uma montagem no Theatro Municipal  na década de 90.
Baseada no conto francês Barba-Azul, de Charles Perrault, a ópera começa com a chegada do Conde Barba-Azul e sua quarta esposa, Judit, ao castelo do nobre, sobre o qual pesam suspeitas a respeito do verdadeiro destino de suas três primeiras esposas. Indagada pelo Conde se deseja ficar, Judit decide que sim, mas, diante da escuridão do ambiente, pede-lhe para abrir as portas que estão trancadas. Barba-Azul nega, mas, diante da insistência da esposa, acaba cedendo e, uma a uma, as sete portas são abertas. Uma câmara de tortura manchada de sangue, tesouros, um jardim secreto e um lago de lágrimas são algumas das surpresas e segredos descobertos por Judit na alegórica jornada de autoconhecimento empreendida pelo casal.


Com belo cenário e figurinos de Daniela Thomas e direção de cena de Felipe Hirsch, a obra de Bartók ganhou uma montagem de qualidade e cheia de sofisticação. A música do compositor húngaro é muito bonita e envolvente, ora delicada e em alguns momentos sombria. Tudo de acordo com o clima que envolve o Conde Barba-Azul e a bela Judit. Felipe Hirsch dirigiu muito bem os cantores, o baixo Luiz Molz e a soprano Céline Imbert que dão vida ao casal da trama. A orquestra conduzida pelo maestro Aylton Escobar, esteve muito bem, executando com precisão a música de Bartók.
Há tempos não assistia uma montagem tão impactante. Claro que a força está na qualidade da composição, mérito do autor. Porém, as ideias criativas para cenário e a condução do espetáculo fazem a diferença. Isso tudo aliado ao bom desempenho vocal de Molz e Imbért. Uma ópera impecável, tão impecável que nem precisava da participação de Guilherme Weber, que recita um pequeno texto logo no início da ópera. Espero repetir a dose.

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Anote:
Theatro Municipal do Rio de Janeiro
Dias 6 e 8 de dezembro, às 20h
Dia 10 de dezembro, às 21h
Plateia e Balcão Nobre - R$ 84,00
Balcão Superior - R$ 60,00
Galeria - R$ 25,00
Frisas e camarotes (6 lugares) - R$ 504,00

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Faits Divers - I

Faits Divers é uma expressão do jargão jornalístico usada na imprensa francesa. É uma categoria para assuntos que não tem uma categoria definida, numa tradução livre poderíamos chamar de "Assuntos Gerais". Explicação dada, vamos aos "Faits Divers" da semana:
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Não lembro exatamente quando, mas um dia decidi que só ia escrever sobre as peças de teatro que realmente fossem boas. Entendi que o tempo - tão raro e precioso - deveria ser usado apenas para falar do que fosse interessante. Para que dispensar energia para criticar. Mas, após assistir "A Megera Domada" ontem no Teatro João Caetano, não consegui manter a minha promessa. Que espetáculo ruim! A foto gigantesca no alto teatro passa a ideia de uma mega produção. Um clássico de Shakespeare, com tradução e adaptação de Walcyr Carrasco, empresas top patrocinando. Resolvi conferir, pois embora conhecesse a história, ainda não havia assistido montagem da peça. Foram 90 minutos perdidos. Péssimas atuações, quase amadoras. O cenário além de fraco era mal acabado; os figurinos de muito mal gosto. Para dar um ar moderno lançaram mão de projeções de fotos e vídeos e incrementaram o figurino com peças modernas. Mas tudo em "A Megera Domada" é um grande engano. É costume os atores ao final do espetáculo pedirem ao público que recomendem aos amigos caso tenham gostado e, caso contrário, recomendem aos inimigos. Mas, nem mesmo os inimigos devem passar por tamanho castigo. Fica a dica: não percam tempo nem dinheiro com esse espetáculo. E é por tudo isso que este post não pode ser marcado na categoria "Teatro", pois o que assisti ontem foi constrangedor.

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O assunto  do momento aqui no Rio é a censura à obra da fotógrafa americana Nan Goldin. Foram duas grandes reportagens no Segundo Caderno do jornal O Globo. A artista, cujos trabalhos estão expostos em  diversos museus e galerias do mundo, tornou-se famosa por ter registrado o submundo das drogas e do sexo da cidade de New York nas décadas de 70 e 80. Em sua visita ao Brasil, Nan apresentaria o projeto "The other side", com fotos de homens, mulheres e crianças nuas. E ainda "Balada da dependência sexual" com fotos de sexo explícito e pessoas com drogas.

Foto: Nan Goldin

A exposiçao iria acontecer em janeiro no Oi Futuro - Flamengo, mas foi cancelada. Um dos pedidos feitos à fotógrafa foi que retirasse toda e qualquer imagem com criança. Como resposta Nan Goldin sugeriu que fossem colocados cartazes pretos em substituição, a fim de denunciar a censura. Depois de uma reunião, cancelaram a exposição.

 "Balada da Dependência Sexual" - Foto Nan Goldin

Ao que tudo indica os cariocas poderão conferir o trabalho da artista americana no Museu de Arte Moderna. Todavia, é lamentável que uma instituição como o Oi Futuro, desconheça os trabalhos dos artistas que convida. E o mais triste de tudo é a censura á arte. Inadimissível num país que se diz democrático.

Travestis fotografados mundo afora - Nan Goldin

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

A Javanesa


Já disse  que tenho escutado muito um CD com músicas de Vinícus de Moraes e Baden Powell. Em uma das canções o poeta diz:  "A vida é arte do encontro, embora haja tantos desencontros pela vida". Esta frase cabe perfeitamente no espetáculo "A Javanesa" de Alcides Nogueira, que assisti há poucos dias e que já saiu de cartaz, depois de uma rápida temporada no Teatro Dulcina. Trata-se de um monólogo e narra a história de um casal ao longo do tempo, seus encontros, desencontros e reencontros. Produzida e estrelada pelo ator Leopoldo Pacheco, o espetáculo com belo texto de Alcides Nogueira e direção de Marco Aurélio é apresentado em 3 partes, passando por vários locais e épocas distintas da vida do casal. O primeiro encontro acontece quando estão com 25 anos de idade, daí em diante tem in´ciio uma história de amor platônico cheia de carinhos, insultos e declarações. Entre idas e vindas, eles se reencontram 30 anos depois.

Há quem não goste de assistir monólogos, pois sempre associam este tipo de espetáculo a algo monótono e solitário. Particularmente, gosto muito, pois é sempre intimista e me deixa mais próximo do intérprete. Para o ator ou atriz que está no palco é um exercício completo e uma experiência única, onde pode mostrar-se por inteiro. Por outro lado, é um pulo no vazio, um grande risco. É necessário que a plateia seja "fisgada" desde o primeiro instante. Mas, não basta só a interpretação, o texto também deve ser atraente. Felizmente, o casamento entre texto, direção e atuação em "A Javanesa" é plenamente satisfatório. Alcides Nogueira escreveu um belo texto que ganhou muito brilho com a interpretação irrepreensível de Leopoldo Pacheco, muito bem dirigido por Marco Aurélio. Tudo no espetáculo caminha muito bem, da luz ao cenário passando pelo figurino e pela música. Um espetáculo uniforme que agrada as plateias mais exigentes.


Leopoldo Pacheco dá vida aos dois personagens com tamanha desenvoltura,  que temos a sensação de ver dois atores em cena. Está magistral. A história do casal é emocionante e toca profundamente o público, pois quem nunca viveu uma história de amor com suas idas e vindas? É pena que a temporada tenha sido tão curta e, por isso, já ficamos na torcida para que volte logo.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Pipoca doce

Sempre que vou ao cinema ou teatro vejo as pessoas carregando seus saquinhos ou baldes cheios de pipoca. Confesso que gosto de pipoca, mas dificilmente como nesses ambientes. Aliás, acho complicado comer pipoca na rua. Primeiro porque é feita na rua, ao ar livre, com fumaça, poeira  e tudo o mais que puder contaminar. Segundo porque é impossível estar com as mãos limpas, pois antes de começar a comer pegamos no dinheiro para pagar ao pipoqueiro ou ao caixa da lanchonete do cinema. Até hoje nunca vi ninguém lavar as mãos antes de comer essa gostosura. Enfim, por que todo esse blá-blá-blá? É que no último sábado, antes de assistir a um filme devorei um saco de pipoca doce cheio de leite condensado e com as mãos sujas! Estava delicioso e vieram tantas lembranças à mente. Saudades de uma época em que não tinha tantas preocupações. Que estava com a mão suja de terra ou areia e limpava as mãos na roupa e saía feliz com meu saquinho de pipoca. Um tempo que não pode voltar mais. Depois que cresci, fiquei racional demais e até a simples pipoca, esse pequeno prazer, deixei de lado porque suja a mão, porque isso porque aquilo, etc. Continuo criticando quem come pipoca dentro das salas de projeção, não gosto do barulho. Acho um caos. Ao final da sessão tudo está imundo...pipoca pelo chão ou os horrorosos baldes. Mas é um hábito antigo: cinema, pipoca e guaraná. No sábado, deliciando-me e com as mãos lambuzadas, parei um pouco e pensei: às favas com tudo isso! É bom demais!
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E esse papo pipoca é uma introdução para os próximos posts sobre peças, filmes e exposições que assisti nas últimas semanas. Até quarta-feira!

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

24 horas sem internet

Todos os dias assisto ao Bom Dia Brasil e assim que começa o programa "Mais Você" da Ana Maria Braga eu desligo. Ontem pela manhã quando fui desligar a TV, a apresentadora estava falando sobre o desafio de ficar 24 horas desconectado de tecnologia. Isso significa ficar sem computador, celular, tablet e o que mais pudesse dar acesso à internet. Parei e fiquei assistindo.  Comecei a pensar na possibilidade de ficar 24 horas sem acesso, uma vez que hoje em dia é praticamente impossível viver sem estar conectado. Porém, por que não aproveitar? O celular já estava desligado e assim ficou. O próximo passo seria não entrar mais na rede. Postei o aviso no FaceBook e iniciei minha jornada de 24 horas sem internet. Sobrevivi e acho que ficaria até mais um dia. Aproveitei o tempo "ocioso" para organizar minhas roupas. Separei as camisetas, as camisas, as polos, calças e bermudas. Fui trabalhando e em menos de 2 horas tudo estava ajeitado. Depois cozinhei, li e assim fui aproveitando o meu tempo. E vi que a internet toma muito do nosso precioso tempo. É claro que no trabalho, é indispensável, mas na vida pessoal, a internet é um desastre. Por conta das redes sociais, muitas pessoas estão deixando de viver. Passam o dia inteiro "tuitando" ou postando no Facebook, onde "curtem" tudo e "compartilham" tudo. E quando digo tudo é tu-do mesmo. Algumas pessoas espirram e postam na rede. E por mais que você não queria fazer igual, acaba fazendo. Não tenho nada contra, todo mundo é livre, mas há um certo excesso. Eu tenho uma conta no Facebook e outra no Twitter. Ultimamente uso mais o Facebook, mas com moderação. Limitei o acesso apenas aos meus amigos, aliás, tenho 120! Mas isso não é nada frente a algumas pessoas que tem mais de mil, quatro mil ou até um milhão de amigos. É tanta exposição, tanto blablablá. É comum ver nos restaurantes, teatros e cinemas, muitos casais, cada um com seu iphone vivendo num mundo particular. Estão mandando mensagens no Facebook ou no Twitter. Informa que estão no lugar tal e está maravilhoso. Meu Deus! Que mundo é esse? Ninguém conversa mais? De que adianta sair com a namorada ou amigos e passar boa parte do tempo no iphone?  Em casa, cada componente do grupo familiar tem o seu notebook ou pc e assim a família se comunica via Facebook ou twitter. Ligar para desejar parabéns a um amigo pelo aniversário? Para quê? O Facebook taí mesmo. Basta deixar uma mensagem e pronto. Sinceramente, nada mais frio do que isso. São outros tempos.
Eu não vou deixar de usar a internet, claro. É uma ferramenta que auxilia muito e facilita a vida. E é assim que pretendo usar, apenas como uma ferramenta. Seria bom se todos experimentassem ficar um dia ou dois desligados desse mundo virtual e vivessem um pouco na rela, conversando com os amigos, os parceiros da vida. Ouvindo mais gargalhadas - melhor do que ficar lendo os kkkke rsrsrs...

terça-feira, 15 de novembro de 2011

O meu sangue ferve por você



Grandes clássicos populares da música brasileira foram selecionados para contar as idas e vindas de um quadrilátero amoroso. A mocinha virgem, o canalha, a mulher da vida e o bom moço rejeitado entram em cena para cantar as alegrias e dores de viver um amor intensamente. Esta é a proposta de "O meu sangue ferve por você", comédia musical atolada no cancioneiro brega. Os clássicos de Reginaldo Rossi, Jane e Herondy, Leandro e Leonardo, Calcinha Preta e até da sensação da internet, Stefhany Absoluta são interpretados pelo elenco.
A cafonice e o brega estão no cenário e no figurino do grupo, que não economizou no lamê, no tecido tigrado, e na meia arrastão. A história narra as aventuras de Creuza Paula, Elivandro,  Sandra Rosa Madalena e Fernando Sidnelson.  
Depois de ler essa síntese, você deve estar pensando que o espetáculo deve ser a maior besteira e como é que tem gente que perde tempo para assistir, não é? Ledo engano, "O meu sangue ferve por você",  é um musical muito bem produzido, com ótimos atores/cantores, direção musical muito boa e faz sucesso desde 2009, quando estreou no Galeria Café em Ipanema, e de lá já passou por diversos teatros, sempre com casa lotada. Curiosamente, não sei por que levei tanto tempo para conferir. Mas, no último sábado (12/11), passei os 70 minutos mais divertidos do ano na companhia desse elenco talentoso. Era impossível não conter o riso diante da performance do grupo. Cada música ganhou um arranjo especial e os atores/cantores capricham na interpretação,  especialmente Ana Baird, no papel de Sandra Rosa Madalena e Pedro Henrique Lopes como Elivandro.  Completam o elenco Cristiana Pompeo e Victor Maia e a direção musical é de Marcelo Eduardo Farias.
Enfim, "O meu sangue ferve por você" é um espetáculo leve e  muito agradável. Perfeito para aqueles dias em que tudo o que você quer é rir muito e lavar a alma. Imperdível.

§§§§§

Anote:
Onde: Teatro Dulcina - Rua Alcindo Guanabara, 17 - Centro
Quando: Toda Terça, a partir de 15/11 até 13/12 - 19 hs
Qaunto: R$ 20

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O Jardim

Após uma bem sucedida temporada paulistana e com muitas indicações a prêmios de teatro, chega ao Rio o espetáculo "O Jardim",  da Cia Hiato. Com direção e dramaturgia de Leonardo Moreira, o espetáculo é o encontro de três histórias pertencentes a lugares e espaços diferentes que se cruzam, se sobrepõe e se chocam para formar uma paisagem a ser contemplada pelo público. Um Jardim que une as memórias perdidas, as que não podem ser apagadas e ainda aquelas que são imaginadas.


Nesse turbilhão de memórias, a história de uma família é contada em três períodos: Futuros Soterrados (1938); Presentes Inventados (1979) e Passados Colecionados (2011). A grande novidade - e para mim muito inédita - é que a encenação acontece simultaneamente. Parece confuso, mas há grande harmonia no conjunto. Encenado em palco com formato de arena, o cenário composto apenas de grama sintética e muitas caixas de papelão, que fazem a divisão criando paredes e formando um espaço particular para cada fase da história. A ordem da narrativa depende da posição em que você está sentado na plateia.  Dessa forma, para mim, o espetáuclo começa em 2011, retorna a  1938 e segue 1979. E assim o quebra-cabeças é montado com as peças cheias de emoção, alegrias, tristezas e alguns sorrisos misturados às mais diversas lembranças. Um trabalho, no mínimo, originalíssimo.

"O Jardim" é uma criação coletiva da Cia Hiato e no elenco estão Aline Filócomo, Fernanda Stefanski, Luciana Paes, Mariah Amélia Farah, Paula Picarelli, Thiago Amaral, Amanda Lyra e  Edison Simão - em participação especial. Todos muito bem dirigidos por Leonardo Moreira.
"O Jardim" é um desses espetáculos despretensiosos que prende o espectador do início ao fim, além de emocionar. Certamente, uma das melhores peças que já assisti neste ano. Imperdível!
É muito bom receber a visita dessa companhia - mesmo em temporada tão curta - pois nos dá a chance de apreciar um trabalho realizado com esmero e com atuações equilibradas e de muito bom nível. Esperamos poder assistir outros trabalhos tão criativos quanto este , com essa troupe talentosa e dedicada à arte de representar. 

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Anote:
Onde: Caixa Cultural - Teatro de Arena
Quando: Qui a Dom - 19h30 (até 13 de novembro)
Quanto: R$ 12

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Ana Botafogo



Nestas minhas quatro décadas de vida não conheci até hoje bailarina com maior carisma que Ana Botafogo. Com 35 anos de carreira, Ana  despediu-se do ballet clássico com "Marguerite e Armand", baseado em Dama das Camélias de Alexandre Dumas. O espetáculo teve apenas duas récitas, nos dias 1 e 2 de outubro. Num Theatro Municipal lotado, o público ovacionou a sua primeira bailarina e figura mais conhecida do nosso Theatro. Ana, além da apurada técnica é uma profissional que esbanja simpatia e assim conquistou um número invejável de fãs Brasil afora.

Ana em "Marguerite e Armand" - papel de grande dramaticidade.

Tive a oportunidade de assistir Ana Botafogo em cena diversas vezes, nos clássicos Giselle, Copélia, A megera domada, O Quebra Nozes, Lago dos Cisnes, La fille mal gardée, La Sylphide entre outros. Sem contar espetáculos de dança contemporâneos com participação da bailarina.

O bailarino argentinoFederico Fernández - Armand - e Ana Botafogo - Marguerite - paixão no palco
"Marguerite e Armand" estreou em Curitiba, passou por São Paulo e Rio de Janeiro e segue em excursão pelo país. Se chegar na sua cidade não deixe de assistir.
Ana Botafogo e Federico Fernández recebem o aplauso do público (foto do amigo Eduardo Macedo) na sua despedida no Theatro Municiapl do Rio de Janeiro. Um espetáculo emocionante.
Este post chega um pouco atrasado, mas nunca é tarde para homenagear uma profissional do quilate de Ana Botafogo, com talento, técnica e muito carisma. Nossos bravos e aplausos!!!!