quem escreve

Minha foto
Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Carioca, apaixonado pelo Rio de Janeiro, apreciador das artes, das viagens e das pessoas que têm algo a dizer.

sábado, 17 de setembro de 2011

Tosca

Estreou no último domingo (11/09) nova montagem da ópera Tosca de Giacomo Puccini, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, com direção e concepção de  Carla Camurati e direção musical e regência do Maestro Silvio Viegas.
Não escondo de ninguém a minha predileção por Puccini, pois foi há 23 anos atrás que assisti uma ópera pela primeira vez na vida, justamente de autoria do compositor, La Bohème. E depois vieram outras, como Manon Lescaut, Madama Butterfly e Turandot. Algumas montagens dessas óperas assisti no Rio de Janeiro no nosso querido Theatro Municipal e outras pude conferir em viagens, como Tosca em 2006 na Ópera Estatal de Praga, e La Bohème e Manon Lescaut na Ópera de Viena em 2007. É sempre um grande prazer ouvir Puccini.

Baseada na peça homônima de Victorien Sardou e com libreto de Luigi Illica e Giuseppe Giacosa, a ópera estreou em 1900 e sua história tem como ingredientes principais amor, ciúme, poder, traição e morte. E nesse conjunto de sentimentos e ações estão os personagens Angelotti (cônsul da extinta República Romana - preso político) Floria Tosca (cantora), Mario Cavaradossi (pintor e amante de Tosca) e o temível Barão Scarpia (chefe de polícia). Para quem não conhece a história, faço um breve resumo:
Angelotti consegue fugir da prisão e se refugia na  igreja Sant'Andrea Della Valle, onde Mario Cavaradossi está pintando o quadro da Virgem. Angelotti está escondido na capela de sua família, onde sua irmã havia deixado roupas para que pudesse fugir. Tosca vai até a Igreja visitar o seu amado e tem um ataque de ciúmes ao ver o quadro da Virgem com o rosto de uma bela mulher, a Marquesa Attavanti. Mario consegue convencer Tosca de que é apenas um quadro e que seu amor pertence somente a ela. Tosca, ainda demonstrando ciúmes, combina um encontro com o Mario à noite após sua participação em um cantata. Assim que Tosca sai da Igreja, Angelotti e Mario traçam os planos para sua fuga. Porém é tarde demais, ouve-se o canhão do Castelo Sant'Angelo anunciando a descoberta da fuga. Mario ajuda Angelotti a sair da Igreja. Chega o temível Barão Scarpia que com sua perspicácia entende que Angelotti estava ali escondido. Tosca retorna à Igreja e ao vê-la o Barão Scarpia faz intriga insinuando que Mario a trai com a Marquesa Attavanti. Tosca acredita e cai na sua armadilha. Assim, o Barão Scarpia consegue prender Mario Cavaradossi e o tortura para que este confesse onde está o fugitivo Angelotti. Ao ver o amado sofrer torturas, Tosca acaba revelando o esconderijo do fugitivo. Scarpia manda seus homens à  procura de Angelotti que  se mata. Tosca implora pela liberdade de Cavaradossi. Para tanto, aceita passar uma noite de amor com Scarpia, desde que o vilão lhe conceda um salvo conduto para ela e seu amado saírem de Roma. Scarpia concorda, mas diz que Mario será executado de maneira fictícia, pois ele não pode conceder perdão publicamente. Assim que entrega o documento à Tosca, esta o apunhala, vingando-se. Chega a hora da execução. Tosca informa Mario que eles fugirão e que o fuzilamento será simulado, sem saber que foi mais uma maldade de Scarpia, que ordenara um fuzilamento real. Mario é executado e quando Tosca parte em sua direção vê que o amado está morto. A morte de Scarpia é descoberta e não tendo para onde fugir, Tosca joga-se da muralha do Castel Sant'Angel.

(Arancam e Radvanovsky)
Nesta nova montagem carioca de Tosca foram formados dois elencos de solistas principais,  os sopranos Sondra Radvanovsky e Eiko Senda revezam-se no papel-título; os tenores Thiago Arancam e Riccardo Massi como Cavaradossi, e os barítonos Juan Pons e Lício Bruno interpretando Scarpia, além de Carlos Eduardo Marcos (Angelotti), Eduardo Amir (Sacristão), Geílson Santos (Spoletta), Ciro D'Araújo (Sciarrone) e Frederico Oliveira (Carcereiro).
(Juan Pons e Sondra Radvanovsky)
Tive a oportunidade de assistir aos dois elencos nos dias 13 e 14/09. Foram duas noites muito boas, mas destaco que o espetáculo do dia 14 foi o que mais me agradou, principalmente pela interpretação de Sondra Radvanovsky  e Juan Pons. Sondra é uma verdadeira Diva, sua entrega à personagem é total e o seu domínio de palco é perfeito. Sua voz é poderosa e encanta a todos. Não foi surpresa o delírio da plateia após a interpretação da ária "Visssi d'Arte", que foi bisada pelo soprano. Fato este que não acontecia no Theatro Municipal há décadas.

(Pons - o temível Scarpia)
Juan Pons é um desses cantores que faz o público tremer quando entra em cena. Sua entrada no palco no primeiro ato é um acontecimento. O público teme o Barão Scarpia. É o artista por excelência. O jovem tenor Tiago Arancam tem uma brilhante carreira pela frente, porém precisa amadurecer mais para enfrentar estes papéis. Já Riccardo Massi conquista mais a plateia, uma vez que é posuidor de um timbre mais apropriado ao papel. Uma récita com o trio Sondra, Pons e Massi, seria, na minha opinião, perfeita.  Lício Bruno e Eiko Senda, po sua vez,  apresentaram-se com muita dignidade.  

(Licio Bruno e Eiko Senda)
Em relação à produção desse espetáculo, confesso que não gostei da concepção de Carla Camurati, que de criativa nada apresentou. Os cenários de Tosca são lugares conhecidos, e o que se vê no palco do Theatro são adaptações que não correspondem. O primeiro ato, por exemplo, em nada faz lembrar a Igreja  Sant'Andrea Della Valle. Assim como o Palazzo Farnese no segundo ato. E prefiro nem falar do  Castel Sant'Angelo no ato final. Infelizmente, a orquestra do Theatro não se revelou à altura desta obra de Puccini. Uma pena. Apesar de tudo, foram duas ótimas noites no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. A música  é melodiosa, agradável e  a história da ópera muito  envolvente. Soma-se a isso o prazer de ver cantores do quilate dos que se apresentaram e o Coro do Theatro, de pequena participação, porém correta e imponente.  Sem falar na oportunidade de ter ouvido Sondra e Pons.

6 comentários:

  1. Jorge, post maravilhoso! A altura do espetaculo. Cpmo


    Como te adiantei, Sondra é inesquecivel. Nunca assisti bis em opera! Para ficar na memoria

    ResponderExcluir
  2. Jorge...Na minha opinião, Tosca é a melhor ópera de Puccini. E os cantores que interpretaram Tosca, Cavaradossi e Scarpia na atual produção no Theatro Municipal do Rio de Janeiro são primorosos, com destaque para Sondra Radvanovsky e Juan Pons - foi um grande previlégio poder ouvi-los. Parabéns também para os demais integrantes do elenco, que foram perfeitos no seu trabalho. Essa Tosca vai deixar saudades. Abraços.

    ResponderExcluir
  3. Eymard
    Também confesso que poucas vezes vi uma cantora bisar uma ária. Sorte nossa que Sondra tem sido generosa e brindado o público com sua voz e performance incríveis. Essa Tosca fica na história do Theatro.
    Abraços

    Wilson
    Eu fico balançado entre Bohème e Tosca...rs Mas certamente, como vc bem pontuou, esta Tosca vai deixar saudades.
    Abraços

    ResponderExcluir
  4. Oi Jorge!!!
    Adorei sua visita!!! obrigado pelas palavras e no próximo ano vc participa do sorteio...rsrsrs
    Abraços,
    Ana

    ResponderExcluir
  5. Oi Jorge!
    Estou retomando às minhas leituras!
    Que maravilha de post!
    Infelizmente quase nada sei sobre óperas, aliás nunca assisti a uma, mas seu post ficou perfeito, senti toda a dramaticidade da história. desejo muiiito assistir a uma ópera, imagino toda a emoção do espetáculo.
    Abraço!

    ResponderExcluir
  6. Olá Ana
    Gostei muito do seu blog e já estou acompanhando.

    Valéria
    É uma pena que somente poucas cidades do Brasil recebam estes espetáculos. Fico feliz de ter passado um pouco da emoção de Tosca neste post.
    Um grande abraço

    ResponderExcluir

Obrigado por ler e comentar este post.
Abraços e volte sempre.