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terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Emilinha & Marlene - As Rainhas do Rádio


Houve uma época no Brasil que o Rádio era a grande atração. Poderia até dizer que era a única diversão de muitas famílias, que se reuniam para ouvir aos programas e rádio-novelas. E nessa época de ouro do Rádio, reinavam absolutas as cantoras, verdadeiras deusas adoradas pelos seus milhares de fãs pelo Brasil afora. Porém, nada se compara na história do Rádio ao fenômeno Emilinha Borba e Marlene. Duas cantoras ícones e protagonistas da maior rivalidade entre artistas já conhecida no país. Emilinha e Marlene eram absolutas, ditavam moda, espelharam comportamentos, valores e atitudes. Eram dois furacões arrastando multidões por onde passavam. Naquela época ou você era Emilinista ou Marlenista. Os fãs faziam de tudo para agradar suas divas e por elas eram capazes de tudo. Tudo mesmo, até brigar! Há uma história de que uma dessas brigas começou na Praça Mauá - onde ficava a Rádio Nacional - e só terminou na Praça Quinze! Outros tempos...  e que por algumas horas temos o prazer de reviver no espetáculo "Emilinha & Marlene - As Rainhas do Rádio" de autoria de Thereza Falcão e Júlio Fischer, com direção geral de Antonio de Bonis, em cartaz até domingo (11/12) no Teatro Maison de France.

Emilinha Borba - Coroada Rainha do Rádio em 1953

Embora eu não seja da época do Rádio sempre ouvi Emilinha e Marlene desde criança. Minha avó sempre cantava as músicas dessas divas, fosse "Chiquita Bacana" com Emilinha ou "Lata d'água" na voz de Marlene. Além dessa influência familiar, eu assitia aos filmes da Atlântida que passavam na TV e sempre tinha um número com essas cantoras. Ainda hoje lembro de Emilinha cantando "Tomara que chova". E as muitas gerações ainda cantarão as marchinhas imortalizadas na voz de Emilinha como "Mulata bossa-nova", "Vai com jeito vai" entre tantas. 

 Emilinha e Marlene na capa da Revista do Rádio

Foi com muita emoção que assisti este simpático musical. O texto de Thereza Falcão e Júlio Fischer utiliza a história de duas irmãs, cada uma fã de uma cantora que, após a morte da mãe, reencontram-se para recolher objetos do antigo quarto que dividiam. Revirando as caixas e baús, vão relembrando os tempos do Rádio e as aventuras e loucuras que faziam pelas suas ídolas. E assim o público vai mergulhando no túnel do tempo e conhecendo o início da rivalidade entre as intérpretes, que começou na eleição de Rainha do Rádio de 1949 quando Marlene ajudada por uma empresa venceu a disputa.

O espetáculo é muito bem cuidado e o elenco muito talentoso. Estrelado por Solange Badin como Marlene e Vanessa Gerbelli como Emilinha; e  ainda Stella Maria Rodrigues que interpreta Marlene ou Emilinha na ausência de uma das protagonistas. No dia em que assisti Stella substituía Vanessa Gerbelli. O musical flui de maneira muito agradável no turbilhão de memórias das irmãs e na vida das Rainhas do Rádio, com seus dramas, dores e amores. Tudo bem dirigido por Antonio De Bonis, com boa direção de musical de Marcelo Alonso Neves. Os figurinos de Rosa Magalhães são muito bonitos e apropriados para cada década do espetáculo. A pesquisa de Eva Joory e Rodrigo Faour é primorosa.


O elenco numeroso, como já disse é talentoso e estão todos muito bem nos diversos papéis que desempenham. Stella Maria Rodrigues defende muito bem a personagem Emilinha, cantando e encantando com sua brejeirice e carisma. Porém, Solange Badin impressiona com sua atuação. É como se a própria Marlene estivesse em cena, tamanha a fidelidade na reprodução dos gestos e no modo único de cantar. É um daqueles caso em que falamos "incorporou!". Enfim, "Emilinha & Marlene - As Rainhas do Rádio" é um musical brilhante, carregado de emoção e uma justa homenagem a duas estrelas que jamais serão esquecidas pelo que representam na nossa Música Popular Brasileira.
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Encontrei no YouTube um registro de uma entrevista com as duas estrelas, que foi gravado no Programa Jovens Tardes, no ano de 2003.

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