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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Carioca, apaixonado pelo Rio de Janeiro, apreciador das artes, das viagens e das pessoas que têm algo a dizer.

domingo, 4 de dezembro de 2011

O Castelo do Barba-Azul


Estreou neste domingo (4/12), no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, a ópera "O Castelo do Barba-Azul" do húngaro Béla Bartók. A produção foi a primeira incursão do diretor teatral Felipe Hirsch no universo lírico. Com essa montagem, Hirsch ganhou o Prêmio Carlos Gomes como melhor ópera do ano de 2008.
Já conhecia esta obra maravilhosa de Bartók, pois já havia visto uma montagem no Theatro Municipal  na década de 90.
Baseada no conto francês Barba-Azul, de Charles Perrault, a ópera começa com a chegada do Conde Barba-Azul e sua quarta esposa, Judit, ao castelo do nobre, sobre o qual pesam suspeitas a respeito do verdadeiro destino de suas três primeiras esposas. Indagada pelo Conde se deseja ficar, Judit decide que sim, mas, diante da escuridão do ambiente, pede-lhe para abrir as portas que estão trancadas. Barba-Azul nega, mas, diante da insistência da esposa, acaba cedendo e, uma a uma, as sete portas são abertas. Uma câmara de tortura manchada de sangue, tesouros, um jardim secreto e um lago de lágrimas são algumas das surpresas e segredos descobertos por Judit na alegórica jornada de autoconhecimento empreendida pelo casal.


Com belo cenário e figurinos de Daniela Thomas e direção de cena de Felipe Hirsch, a obra de Bartók ganhou uma montagem de qualidade e cheia de sofisticação. A música do compositor húngaro é muito bonita e envolvente, ora delicada e em alguns momentos sombria. Tudo de acordo com o clima que envolve o Conde Barba-Azul e a bela Judit. Felipe Hirsch dirigiu muito bem os cantores, o baixo Luiz Molz e a soprano Céline Imbert que dão vida ao casal da trama. A orquestra conduzida pelo maestro Aylton Escobar, esteve muito bem, executando com precisão a música de Bartók.
Há tempos não assistia uma montagem tão impactante. Claro que a força está na qualidade da composição, mérito do autor. Porém, as ideias criativas para cenário e a condução do espetáculo fazem a diferença. Isso tudo aliado ao bom desempenho vocal de Molz e Imbért. Uma ópera impecável, tão impecável que nem precisava da participação de Guilherme Weber, que recita um pequeno texto logo no início da ópera. Espero repetir a dose.

*****
Anote:
Theatro Municipal do Rio de Janeiro
Dias 6 e 8 de dezembro, às 20h
Dia 10 de dezembro, às 21h
Plateia e Balcão Nobre - R$ 84,00
Balcão Superior - R$ 60,00
Galeria - R$ 25,00
Frisas e camarotes (6 lugares) - R$ 504,00

13 comentários:

  1. Jorge, parece maravilhoso.
    Quero lhe pedir uma coisa, já que sempre está por dentro: quando houver apresentação (normalmente fim de ano) do Quebra Nozes, pode me avisar? Sempre acabo perdendo, só vi uma unica vez e tenho paixao.


    BEIJOS

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  2. Jorge, estamos sentindo muito a sua falta la no grupo pitaqueiros do facebook. Iniciamos uma campanha: "volte Jorge"!!!!!
    Por outro lado, vejas se consegue deixar o seu blog mais facil para a gente comentar.
    Particularmente acho "Bartók" mais sombrio, mas com grande força dramática. Pena ficarmos fora do eixo Rio-Sao Paulo e perder essas boas apresentaçoes. De todo o modo, acompanhando por aqui, suavizo a ignorancia da distancia.
    Belo texto.
    abs,
    Eymard.

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  3. Jorge,
    vc acredita que nunca fui a uma Ópera?
    Por onde começar?

    Fico boiando nas conversas de vocês...não gostaria que fosse assim!!
    Bjkas.

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  4. Oi Jorge!
    Sensacional!
    Sou sincera, invejo você!rsss
    Abraço e ótima semana!

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  5. Sissy
    O balé Quebra-Nozes é certeza para os próximos dias. Te mando um e-amil com os detalhes.
    Beijos

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  6. Eymard
    Obrigado pelo carinho. Mato saudades do nosso grupo visitanto o blog da Lina. Mas devo voltar ao FB, mesmo que seja só para ficar no Pitaqueiros. Quanto aos comentários aqui no blog, infelizmente tenho que moderar, para evitar os spams. Acredite, já recebi mais de 1500 spams! Uma vez deixei os comentários liberados e quando voltei tinha uma enxurrada de comentários escritos em chinês, com links. Deu o maior trabalho para excluir. Quanto ao Bartók, concordo com você, sombrio mais com grande força dramática.
    Abraços

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  7. Adriana
    Eu acredito, e como você tem muita gente que nunca assitiu. Por onde começar? Te recomendo "La Bohème", pela música, pela história e porque Puccini, o compositor, é um gênio. Acho que na minha família só eu aprecio este gênero de música. Mas aconteceu de maneira natural, e porque havia um projeto no Rio chamado "Cortina Lírica", e assim eu assiti "La Bohème", com um bom elenco, mas sem orquestra, apenas o piano. Depois comecei a frequentar o Theatro Municipal e não parei mais. Eu tinha 21 anos quando iniciei e hoje fico feliz ao ver garotos e meninas com 12 ou 13 anos indo assistir concertos, óperas e ballets. Vamos marcar uma vinda sua aqui no Rio no início da temporada de 2012.
    Abraços

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  8. Valéria
    Imagina... venha passar uma temporada no Rio!
    Abraços

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  9. Adriana, o Jorge esta coberto de razao.
    Comece pelas mais conhecidas.
    E comece por boas montagens.
    Em BH ha montagens de Operas interessantes.
    Mas se estiver, por ex, em NY ou em Paris, escolha uma Opera no Metropolitan Opera, na Garnier ou Bastille. Nao vai ter erro.
    abs,
    Eymard.

    Ps: Jorge, eu imagino que tenha mesmo que fazer moderaçao. Afinal, tem tanta gente sem fazer nada postando bobagens por ai.

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  10. Olá, vou à esta ópera no dia 8 de Dezembro, porém nunca fui a um evento como este.
    Gostaria de saber que tipo de roupa usar, tanto para homem quanto para mulher.

    Grato.

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  11. N. Rodrigues
    Hoje em dia não há mais tanto rigor com relação ao vestuário para ir ao Theatro Municipal. Você verá homens de terno e outros de calça jeans, camiseta e tênis, assim como mulheres com tailleur e outras com um vestido simples. Portanto, não fique preocupado. Camisa e calça social ou mesmo calça jeans e vc estará bem arrumado. Para as mulheres saia e blusa, ou um terninho já está de bom tamanho.
    ABraços e boa ópera!

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  12. Jorge,
    A primeira ópera de minha vida seguindo seus comentários em seu blog. Até linkei ele no meu blog dizendo que você entende do assunto e pelos comentários aqui entende mesmo, legal. Parabéns pelo post sobre o Barba Azul.
    Eu citei você meus famosos ps´s ao final do post Ecosol em Copacabana, uma lembrancinha justa e legal.

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  13. Sônia
    Que bom que vocês foram conferir a montagem de "O Castelo do Barba-Azul", que ótima estreia! Esta produção não ficou nada a dever a montagens realizadas fora do Brasil, tudo muito sofisticado e de bom gosto! Obrigado por citar Acabou o Caviar? no seu blog.
    Um abraço e ótimo Natal

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