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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Carioca, apaixonado pelo Rio de Janeiro, apreciador das artes, das viagens e das pessoas que têm algo a dizer.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Louise Bourgeois - o retorno do desejo proibido


No último sábado (24/09) fui conferir a exposição com obras da artista plástica Louise Bourgeois. Confesso que é um trabalho não muito fácil de ser digerido, pelo menos para mim.  O trabalho da artista está relacionado com a teoria e a prática psicanalíticas fazendo uma conexão entre o processo criativo e sua função catártica. Louise via a arte como uma "forma de psicanálise" e acreditava, por seu intermédio, ter acesso direto ao inconsciente. Arte para Louise era uma forma de aliviar as tensões e agressões e ao mesmo tempo, como gostava de dizer "A arte é uma garantia de sanidade"


Andando pela exposição e observando os trabalhos entendi que Louise passou a vida inteira tentando livrar-se de algum trauma relacionado à sua família. Há muita dor em tudo e alguns trabalhos preferi não fotografar.





Esta instalação foi a obra que mais me chamou a atenção, chama-se "A destruição do pai" - é um forno com pedras incandescentes que estão assando pedaços de carne. É aquele caso onde uma imagem fala mais que mil palavras.

A Spider


Representação da Família, segundo Bourgeois

Louise Bourgeois morreu aos 99 anos de idade no início de 2010, mas deixou um trabalho de grande importância para os estudiosos da Arte, razão do seu viver.

*****
Anote:
Onde: Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro
Quando: ter a sex (12 às 18 hs) sab, dom e feriados (12 às 19hs) até 13 de novembro
Quanto: R$ 8

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

"Maman" pelo mundo


A leitora  Rita de Cácia viajou  para a Suíça no mês de junho deste ano. Em sua passagem por Zurich  fotografou a escultura "Maman" da artista plástica Louise Bourgeois. Depois de ter lido aqui no Blog o post sobre a mesma escultura, Rita foi visitá-la nos  jardins do Aterro do Flamengo. Por sorte, no horário em que visitou a obra, não tinha tanta gente como nas fotos que enviou para o nosso Blog. 


Como sabemos "Maman" está exposta em outras cidades pelo mundo, pois a artista fez 7 cópias. Aproveitando essa iniciativa da leitora que nos enviou as fotos feitas em Zurich,  deixamos aqui o convite para que os leitores que tiverem fotos da escultura em outras cidades, que nos enviem para publicarmos aqui no Blog. À Rita de Cácia, nosso agradecimento pela colaboração.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Visitando os cenários da Tosca

As apresentações de Tosca, na semana passada, trouxeram à lembrança minha viagem à Roma em Dezembro de 2010.  A ópera se passa em Roma e tem como cenários a Igreja Sant'Andrea Della Valle, o Palazzo Farnese e o Castel Sant'Angelo. Não podia perder a chance de visitar estes cenários reais. As visitas foram uma viagem dentro da viagem e a minha imaginação voando no meio das histórias.
Cenário do 1º Ato - A Igreja Sant'Andrea Della Valle (ícone do barroco italiano). Vale a visita para ver a Cúpula - uma preciosidade - trabalho de Cavalieri Giovanni Lanfranchi. A pintura é uma representação da Virgem sentada nas nuvens. Para admirar melhor as belas imagens deposita-se uma moeda de 2 Euros para iluminar a cúpula. É um espetáculo.

Cenário do 2º Ato - Palazzo Farnese. Atualmente Embaixada da França, só abre para visitas quando há alguma exposição. E por sorte tinha uma exposição em cartaz, o que me permitiu conhecer. Destaque para a Galeria dos Carracci.

 
Sem sombra de dúvidas não poderia ter cenário melhor para o ato mais impactante da ópera. 

Cenário do 3º ato - Castel Sant'Angelo. Não é uma construção bonita e seu interior não oferece grandes atrativos. Porém, do alto apreciamos as belas vistas de Roma. A ponte que dá acesso ao Castelo é ornada por belas esculturas de anjos de Bernini. Ó anjo Miguel no alto do Castelo é uma imagem interessante de se ver.

Na Tosca que foi apresentada no Theatro Municipal, a única referência ao Castel Sant'Angelo era a asa do Anjo Miguel, exatamente como na foto acima.
Quando visitarem Roma não deixem de conferir estes cenários. Mas por favor, nada de pular do alto do Castelo!

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Sondra Radvanovsky

Ontem o soprano Sondra Radvanovsky despediu-se do público carioca após uma excelente temporada da ópera Tosca. O Rio de Janeiro vibrou com a performance da cantora que mais uma vez concedeu o bis no segundo ato, interpretando Vissi d'Arte.
Em sua página no Facebook, a cantora escreveu que "estava triste por ter de deixar  a cidade e a plateia amável." Deixou abraços para todos os fãs e  diz que espera voltar breve ao Rio. Eu também vou ficar com muitas saudades dessa voz poderosa e dessa intérprete  possuidora de total domínio de palco, uma verdadeira Diva que há muito tempo não via. Porém, quando a saudade apertar vou olhar a foto que Sondra, gentilmente, autografou para mim.


E para quem ainda não conhece o trabalho da Sondra, recomendo que visite o seu site para  descobrir mais um talento do mundo operístico.
E não custa nada lembrar que hoje é a última récita de Tosca, com Eiko Senda, Lício Bruno e Riccardo Massi nos papéis principais,  às 20h no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

sábado, 17 de setembro de 2011

Tosca

Estreou no último domingo (11/09) nova montagem da ópera Tosca de Giacomo Puccini, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, com direção e concepção de  Carla Camurati e direção musical e regência do Maestro Silvio Viegas.
Não escondo de ninguém a minha predileção por Puccini, pois foi há 23 anos atrás que assisti uma ópera pela primeira vez na vida, justamente de autoria do compositor, La Bohème. E depois vieram outras, como Manon Lescaut, Madama Butterfly e Turandot. Algumas montagens dessas óperas assisti no Rio de Janeiro no nosso querido Theatro Municipal e outras pude conferir em viagens, como Tosca em 2006 na Ópera Estatal de Praga, e La Bohème e Manon Lescaut na Ópera de Viena em 2007. É sempre um grande prazer ouvir Puccini.

Baseada na peça homônima de Victorien Sardou e com libreto de Luigi Illica e Giuseppe Giacosa, a ópera estreou em 1900 e sua história tem como ingredientes principais amor, ciúme, poder, traição e morte. E nesse conjunto de sentimentos e ações estão os personagens Angelotti (cônsul da extinta República Romana - preso político) Floria Tosca (cantora), Mario Cavaradossi (pintor e amante de Tosca) e o temível Barão Scarpia (chefe de polícia). Para quem não conhece a história, faço um breve resumo:
Angelotti consegue fugir da prisão e se refugia na  igreja Sant'Andrea Della Valle, onde Mario Cavaradossi está pintando o quadro da Virgem. Angelotti está escondido na capela de sua família, onde sua irmã havia deixado roupas para que pudesse fugir. Tosca vai até a Igreja visitar o seu amado e tem um ataque de ciúmes ao ver o quadro da Virgem com o rosto de uma bela mulher, a Marquesa Attavanti. Mario consegue convencer Tosca de que é apenas um quadro e que seu amor pertence somente a ela. Tosca, ainda demonstrando ciúmes, combina um encontro com o Mario à noite após sua participação em um cantata. Assim que Tosca sai da Igreja, Angelotti e Mario traçam os planos para sua fuga. Porém é tarde demais, ouve-se o canhão do Castelo Sant'Angelo anunciando a descoberta da fuga. Mario ajuda Angelotti a sair da Igreja. Chega o temível Barão Scarpia que com sua perspicácia entende que Angelotti estava ali escondido. Tosca retorna à Igreja e ao vê-la o Barão Scarpia faz intriga insinuando que Mario a trai com a Marquesa Attavanti. Tosca acredita e cai na sua armadilha. Assim, o Barão Scarpia consegue prender Mario Cavaradossi e o tortura para que este confesse onde está o fugitivo Angelotti. Ao ver o amado sofrer torturas, Tosca acaba revelando o esconderijo do fugitivo. Scarpia manda seus homens à  procura de Angelotti que  se mata. Tosca implora pela liberdade de Cavaradossi. Para tanto, aceita passar uma noite de amor com Scarpia, desde que o vilão lhe conceda um salvo conduto para ela e seu amado saírem de Roma. Scarpia concorda, mas diz que Mario será executado de maneira fictícia, pois ele não pode conceder perdão publicamente. Assim que entrega o documento à Tosca, esta o apunhala, vingando-se. Chega a hora da execução. Tosca informa Mario que eles fugirão e que o fuzilamento será simulado, sem saber que foi mais uma maldade de Scarpia, que ordenara um fuzilamento real. Mario é executado e quando Tosca parte em sua direção vê que o amado está morto. A morte de Scarpia é descoberta e não tendo para onde fugir, Tosca joga-se da muralha do Castel Sant'Angel.

(Arancam e Radvanovsky)
Nesta nova montagem carioca de Tosca foram formados dois elencos de solistas principais,  os sopranos Sondra Radvanovsky e Eiko Senda revezam-se no papel-título; os tenores Thiago Arancam e Riccardo Massi como Cavaradossi, e os barítonos Juan Pons e Lício Bruno interpretando Scarpia, além de Carlos Eduardo Marcos (Angelotti), Eduardo Amir (Sacristão), Geílson Santos (Spoletta), Ciro D'Araújo (Sciarrone) e Frederico Oliveira (Carcereiro).
(Juan Pons e Sondra Radvanovsky)
Tive a oportunidade de assistir aos dois elencos nos dias 13 e 14/09. Foram duas noites muito boas, mas destaco que o espetáculo do dia 14 foi o que mais me agradou, principalmente pela interpretação de Sondra Radvanovsky  e Juan Pons. Sondra é uma verdadeira Diva, sua entrega à personagem é total e o seu domínio de palco é perfeito. Sua voz é poderosa e encanta a todos. Não foi surpresa o delírio da plateia após a interpretação da ária "Visssi d'Arte", que foi bisada pelo soprano. Fato este que não acontecia no Theatro Municipal há décadas.

(Pons - o temível Scarpia)
Juan Pons é um desses cantores que faz o público tremer quando entra em cena. Sua entrada no palco no primeiro ato é um acontecimento. O público teme o Barão Scarpia. É o artista por excelência. O jovem tenor Tiago Arancam tem uma brilhante carreira pela frente, porém precisa amadurecer mais para enfrentar estes papéis. Já Riccardo Massi conquista mais a plateia, uma vez que é posuidor de um timbre mais apropriado ao papel. Uma récita com o trio Sondra, Pons e Massi, seria, na minha opinião, perfeita.  Lício Bruno e Eiko Senda, po sua vez,  apresentaram-se com muita dignidade.  

(Licio Bruno e Eiko Senda)
Em relação à produção desse espetáculo, confesso que não gostei da concepção de Carla Camurati, que de criativa nada apresentou. Os cenários de Tosca são lugares conhecidos, e o que se vê no palco do Theatro são adaptações que não correspondem. O primeiro ato, por exemplo, em nada faz lembrar a Igreja  Sant'Andrea Della Valle. Assim como o Palazzo Farnese no segundo ato. E prefiro nem falar do  Castel Sant'Angelo no ato final. Infelizmente, a orquestra do Theatro não se revelou à altura desta obra de Puccini. Uma pena. Apesar de tudo, foram duas ótimas noites no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. A música  é melodiosa, agradável e  a história da ópera muito  envolvente. Soma-se a isso o prazer de ver cantores do quilate dos que se apresentaram e o Coro do Theatro, de pequena participação, porém correta e imponente.  Sem falar na oportunidade de ter ouvido Sondra e Pons.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Miss Universo 2011

Leila Lopes, a Miss Angola,  foi escolhida ontem (12/09), como Miss Universo. A estudante de Adminsitração, com 25 anos de idade deixou para trás 88 candidatas. Desde a sua primeira aparição já mostrou simpatia, elegância e naturalidade. A propósito, acho que era uma das poucas que aparentava não ter passado por algum bisturi. Digo isso porque algumas misses pareciam bonequinhas de porcelana com seios bem turbinados.
O Concurso foi a reunião de clichês de sempre e me deixou um pouco decepcionado, pois sendo apresentado pela primeira vez no Brasil esperava algo mais com a cara do nosso país. Sem querer polemizar, não gostei da participaçãod e Claudia Leite. Poderiam ter chamado até a Daniela Mercury bem conhecida  e que poderia ter apresentado um número em português. Alavou a noite a presença da internacional Bebel Gilberto. 
Quase fui à Sâo Paulo para ver ao vivo, mas minha agenda não permitiu. Desde pequeno, já disse isso, curto esses certames e  todo o ritual. Pena que não podemos assistir todas as etapas, como por exemplo, os desfiles de trajes típico, que é realizado dias antes da apresentação final.
A representante brasileira era bonita, mas não tinha o "je ne sais pas quoi" necessário para uma Miss Universo. Fiquei até surpreso com a sua  colocação - 3º lugar! Entre as cinco finalistas além da brasileira e da angolana, estavam as candidatas da China, Filipinas e Ucrânia.

Parabéns Leila Lopes, representante máxima da beleza feminina. Que tenha um ótimo reinado.

domingo, 11 de setembro de 2011

Art Rio

Termina hoje a 1ª edição da ArtRio - Feira Internacional de Arte Contemporânea do Rio de Janeiro. Desde o último dia 8 é possível conferir no Píer Mauá trabalhos de diversos artistas do Brasil e do Mundo espalhados em dois imensos pavilhões de frente para a Baía de Guanabara. Aproveitei a tarde de ontem para visitar a feira e saí de lá bem satisfeito com o que vi. Pena que a bateria da minha Olympus ficou cansada de ver tanta beleza e criatividade e não me deixou registrar mais trabalhos.

Trabalhos de artistas franceses trazidos pela Galerie Hussenot de Paris. Essas luminárias são feitas com tubos de plástico. E o Cristo da foto abaixo foi composto por cabos de antena de TV e prendedores de cabo.

No pavilhão dos colecionadores obras de artistas consagrados como Picasso e as belas cerâmicas

Gostei muito dessa obra mas não consegui descobrir o nome do artista. 

 Duas obras da artista Iole de Freitas

Os Gêmeos, os bonecos e o colorido de sempre
Estou quase tão gordo quanto os bonecos....

 Muitos quadros de Cícero Dias.

 Pensando na possibilidade de ter uma obra dessas aqui em casa...
 
Quando o assunto é Arte é certo encontrar Cláudia Dottori e Emilinha Fernandes nos eventos. Escolhemos o belo trabalho de Hilton Berredo como pano de fundo para registrar nosso encontro.
 Um trabalho fascinante feito com borracha e tinta acrílica.

 Fernando Botero

Pausa para descanso...
 ...de frente para o mar, repousando na cadeira de praia tripla. Ao fundo a instalação "Fortaleza de Arkadin" de Wesley Duke Lee que foi apresentada na Bienal de Veneza em 1990 e está avaliada em R$ 1,5 milhão.


Esta é a Bandeira Real Brasileira. Explico: foi montada com imagens de cédulas de 1, 2 e 20 Reais. Fez o maior sucesso. Além da Bandeira que chamava muito a atenção, outro destaque dessa Galeria era o piso de madeira com molas que dava uma sensação de desequilíbrio ao caminhar, mas fazia a alegria das crianças que não paravam de pular...pena que não registrei.
Physichromie de Carlos Cruz Diez - gosto muito do trabalho desse artista e da sensação que provoca no público que busca diferentes ângulos para ver as mudanças de cores. O quadro acima olhado de frente tem tons de verde, azul e um rosa escuro, mas se... 
...olharmos pela lateral ele aparece todo verde.

O objetivo dos realizadores da Feira é inserir o Rio de Janeiro no disputado mercado mundial de arte. Nesta primeira edição participaram  Galerias dos EUA, França, Alemanha, Austrália, Argentina, Peru, Chile, México e Espanha. Além disso, Galeristas de outros países vieram apenas para dar uma olhada. Aposto que gostaram do que viram. Isso tudo é muito bom para os nossos artistas brasileiros e para o público em geral que está comparecendo em massa ao evento. Ontem à tarde a fila para comprar ingresso estava enorme. Eu achei um sucesso e acredito que a próxima edição que acontecerá de 12 a 16 de Setembro de 2012 vai atrair mais Galeristas e um público bem maior. Afinal, o Rio é uma obra de Arte. 

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

"Maman" - a Aranha de Louise Bourgeois

Acaba de ser montada nos jardins do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, a escultura "Maman" da artista plástica franco-americana Louise Bourgeois. Trata-se de uma aranha gigante que mede 10 metros de altura e pesa 10 toneladas!

A obra faz parte da exposição "Louise Bourgeois: o retorno do desejo proibido", que vai ser aberta no próximo dia 15, com mais de 100 trabalhos da artista.


Apesar da sua dimensão,  "Maman" é muito elegante e suas "patinhas",bem finas, dão um ar de fragilidade. A aranha está pronta para um passeio pela cidade. Parece mesmo que vai sair caminhando pelos jardins do Aterro do Flamengo, parar na Marina da Glória para dar um passeio de barco... enfim, curtir sua temporada carioca que vai até o dia 13 de novembro.

Em sua "barriga" a aranha guarda os seus ovos de mármore.



Louise Bourgeois batizou a obra de "Maman" para homenagear a Mãe - sua melhor amiga - que assim como uma aranha, era uma tecelã. Lamentavelmente Louise partiu no dia 31 de maio do ano passado, mas deixa uma obra rica, inquietante e provocadora.


A escultura é fascinante e, com certeza, vai atrair muitos visitantes. A propósito, ontem (domingo 04/09) já tinha muita gente fotografando. Por isso, preferi voltar nesta segunda-feira de sol e fazer os meus registros. A tarde estava ótima e não tinha ninguém por perto. Ficamos apenas eu e "Maman".
Aguardem o post sobre a exposição e um pouco mais sobre Louise Bourgeois. E, claro, não deixem de visitar "Maman"!