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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Carioca, apaixonado pelo Rio de Janeiro, apreciador das artes, das viagens e das pessoas que têm algo a dizer.

sábado, 31 de dezembro de 2011

2011 chega ao fim... que venha 2012!!!

E mais um ano passou, e como foi rápido! Comecei 2011 em Paris no fantástico Réveillon do Alcazar e mal pisquei os olhos já estou preparado para passar outro Réveillon dessa vez aqui no Rio em Copacabana onde retorno depois de 10 anos afastado da muvuca, mas este ano senti vontade e lá vou eu.
o que posso dizer de 2011? Foi um ano bom. Estou vivo, com saúde, já é um excelente ganho. Só posso agradecer a Deus o privilégio de ver, ouvir, falar, andar, tocar e sentir os perfumes da natureza. Isso tudo já é bom demais!

E justamente quando faço minhas caminhadas é que agradeço a Deus pela vida, por poder ir e vir, pela liberdade e pela paz que dá fazer um passeio simples assim.


Essas fotos foram tiradas no dia 23/12 (sexta-feira), no final de uma bela tarde calorenta.  Nessa tarde, enquanto caminhava fiz minha breve retrospectiva de 2011 e resumi assim: mais um ano bom, com bons espetáculos, algumas novidades, saúde em dia, vontade de malhar muito, emagrecer. E também: novas amizades que surgiram, duas viagens curtas e bem animadas. Uma constatação: pouco tempo para aproveitar tudo.

Que 2012 venha como Deus permitir! Tenho muitos planos, mas Deus é quem vai dirigir tudo isso. Quero continuar sorrindo para a vida, para os amigos sinceros, para os bons espetáculos, a boa comida, a verdade, a alegria, um bom drink e uma música que me faça viajar...

E falando em viajar... uma boa temporada em alguma cidade bacana será a cereja do meu bolo!
No mais, preparem o champagne e o caviar, brindem porque 2012 está aí. Desejo aos meus queridos leitores e amigos muita Saúde e paz no coração! Feliz Ano Novo!

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

O Quebra-Nozes - o espetáculo do Natal!


Este é o post  nº 500! E para comemorar esta marca, divido com vocês dois bons momentos que vivi na semana passada. Para começar, o Ballet "O Quebra-Nozes", que fui assistir na noite de estreia, na última sexta-feira, dia 16 no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.


"O Quebra-Nozes" é um Ballet inspirado num conto de Alexandre Dumas, com coreografia de Marius Petipa e Lev Ivanov, com música de Tchaikovsky. Estreou em 1892 na Rússia. O ballet conta a história da  menina Clara, que ganha do padrinho um quebra-nozes em formato de soldadinho e se encanta pelo presente. Ela fica desolada, no entanto, quando um de seus irmãos quebra o brinquedo durante a festa. O padrinho a consola e conserta o soldadinho. Ela vai dormir e a partir daí, a magia toma conta do ballet: Clara sonha que um exército de ratos está invadindo o salão. O boneco quebra-nozes adquire vida e ataca os ratos, comandando um exército de soldadinhos de chumbo. O “Rei dos Ratos” fere o boneco que, desarmado, está prestes a perder a batalha, quando ela o salva, atirando seu sapato na cabeça dele. Clara sente a presença do padrinho, que, num passe de mágica, transforma o boneco em um belo príncipe. O príncipe a conduz ao “Reino das Neves” e depois ao “Reino dos Doces”, onde vive a “Fada Açucarada”, que homenageia a menina com uma grande festa, com danças típicas da Espanha, China, Rússia, entre outras, e com um pas-de-deux da “Fada Açucarada”. O espetáculo continua com uma sucessão de danças de diversas regiões do planeta, e outras que simbolizam o café, os chocolates, as flores e, por fim, o pas-de-deux entre a fada e o príncipe

Já perdi a conta de quantas vezes assisti este ballet, mas não podia deixar de ver este ano. Até porque, no dia da estreia, Ana Botafogo seria a solista dançando os papéis da Fada Açucarada e Rainha das Neves. Nem preciso dizer que a plateia foi ao delírio quando Ana adentra o palco. Foi aplaudidíssima. Ana Botafogo já havia me dito que dançaria "O Quebra-Nozes" ,atendendo a um pedido especial da direção do Theatro Municipal. Sorte de quem foi à estreia e teve a chance de ver a bailarina fazendo os dois papéis. Uma celebração! "O Quebra-Nozes" é uma grande produção e envolve muitos profissionais, entre músicos, coro, bailarinos e técnicos. O corpo de baile estava perfeito, assim como a orquestra que executou a música de Tchaicovsky com precisão. Uma noite de sonhos que ainda terá récitas nos dias 22, 23, 28, 29, 30/12/2011 e 03, 04, 05, 07 e 08/01/2012. Os ingressos, se já não esgotaram, custam entre R$ 25 e R$ 84.

Festival de Presépios

E contagiado pelo clima mágico de "O Quebra-Nozes", no dia 17, sábado, peguei o meu trenó, guiado por renas encantadas e fui até o Jardim de Alah conhecer a Vila do Papai Noel e conferir a edição 2011 do Festival de Presépios.

O dia estava perfeito e as renas - bem alimentadas - me conduziram muito bem até Ipanema. Um pouco antes de chegar à Vila de Papai Noel, parei para tomar o café da manhã com Maria da Fé que festejava seu aniversário e depois pegou uma carona e foi comigo ao Jardim de Alah.

Como bom carioca, confesso que nunca havia entrado no Jardim de Alah. Por isso, achei muito acertada a decisão de utilizarem o espaço para realização desse evento.
Conseguiram criar um ambiente muito bonito e acolhedor. Uma festa para as crianças e para os adultos que vai até o dia 25 de dezembro. A reunião dos trabalhos de artistas plásticos de todo o Brasil, transformou o Jardim de Alah numa grande galeria de Arte a céu aberto. E foi bem melhor assim, pois nos anos anteriores os presépios ficavam espalhados em diferentes pontos da cidade. Desse jeito ficou melhor para o público poder votar, embora fosse difícil escolher qual o presépio mais bonito, tamanha a criatividade dos artistas que trabalharam com diversos tipos de materiais.

 Presépio inspirado em Lucas 17:21 de Clécio Régis

 Luz Guia - Instituo Benjamim Constant

 "Casa do Papai Noel" - discretamente deixei minha cartinha embaixo da porta...

 Natal de Jesus - criado por Ermelinda

 Esperança - obra do artista João Augusto

 Natividade - Grupo Jubileu

 Os Olhos do Mundo - obra da artista Vera Luchese

 Consciência Coletiva - criação de Diogo Russo

 Natal da Paz - Rampinelli

O melhor desse passeio foi ter a companhia da Maria da Fé - aniversariante do dia -  e da Célia (que nos fotografou). São duas amigas queridas que o destino - ou seria o Pilates? - colocou no meu caminho.
E com este post especial  nº 500 desejo a todos os leitores e amigos uma ótima Noite de Natal! Um Grande Abraço e obrigado por acompanhar "Acabou o Caviar?".

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Judy Garland - O Fim do Arco-íris


Eternizada como a Dorothy do filme "O Mágico de Oz", Judy Garland, que já inspirou filmes e séries de TV, ganhou nova homenagem com a montagem da peça "Judy Garland - O Fim do Arco-íris", texto do inglês Peter Quilter, que conta os bastidores da sua última turnê em Londres, em 1968. O espetáculo chega ao Brasil pelas mãos de Charles Möeller e Cláudio Botelho, dupla que dispensa qualquer comentário quando o assunto é a montagem de espetáculos musicais.
A personagem Judy Garland é complexa, dona de personalidade forte, viciada em drogas e bebidas, sofria de depressão, além de colecionar  casamentos. Esta é a Judy Garland que é apresentada na peça. Uma mulher que iniciou sua carreira criança e sempre sofreu pressões e tomava remédios para dormir, para acordar, para ensaiar.  Mas que apesar de tudo, quando estava sob os holofotes era uma estrela absoluta, ganhando as platéias do mundo. Com um enredo desses, "Judy Garland - O fim do Arco-íris" poderia ser triste e melancólico, mas o texto e a direção suaviza um pouco esse sofrimento com um pouco de humor.


A adaptação de Möeller e Botelho é bem cuidada e o espetáculo flui muito bem em duas e trinta minutos de duração. A plateia acompanha os altos e baixos da estrela e o conturbado relacionamento com seu último marido - bem mais novo - e a amizade sincera do seu pianista. O cenário é criativo e mostra a suíte do hotel onde Judy está hospedada e em segundos transforma-se na casa de espetáculos onde a cantora faz a sua turnê com a participação de um grupo de 6 músicos. Os figurinos são bem feitos e muito corretos para a época. No elenco estão Gracindo Júnior, Igor Rickli e Cláudia Netto. Ator experiente, Gracindo Júnior se destaca como o pianista, amigo da vida inteira de Judy Garland, com seus trejeitos, pausas, olhares e a fala, Gracindo Júnior conquista o público com sua interpretação. Igor Rickli no papel do marido de Judy tem boa presença cênica, mas não chega a ter uma grande atuação. Mas o brilho e o encantamento ficam por conta da atuação perfeita de Claudia Netto, atriz que já estrelou diversos musicais e encontrou neste espetáculo o seu papel de maior destaque e melhor atuação. Intensa, sofrida, divertida na medida exata. Sem exageros, Claudia Netto está irrepreensível e merece todos os nossos aplausos.


"Judy Garland - O Fim do Arco-íris" é um espetáculo muito bom que deixa a temporada teatral carioca mais interessante. Imperdível.

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Anote:
Onde: Teatro Fashion Mall
Quando: Qui - 18 h / Sex - 21h30 / Sáb - 21h - Dom - 20h (até 12/fev/2012)
Quanto: Qui e Sex - R$ 80 / Sáb e Dom - R$ 100

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Obituário Ideal


Faz parte da natureza humana evitar falar sobre certos temas, como a morte, por exemplo.  Algumas pessoas não gostam de nada associado ao tema, seja em televisão, cinema ou teatro. Confesso que também não curto. Porém, não podia ficar indiferente ao espetáculo "Obituário Ideal" em cartaz até domingo no Teatro da Casa Laura Alvim em Ipanema. Trata-se de um espetáculo de puro humor noir, mas muito refinado. Na peça, um casal de trinta e poucos anos, anestesiado pela banalização da violência cotidiana exposta na mídia, passa a ir a enterros de desconhecidos para chorar. Com o passar do tempo, procuram enterros que choquem cada vez mais, e se perguntam: qual seria o obituário ideal? Após essas visitas, quando chegam em casa o casal discute sobre o enterro, falam dos parentes, das roupas, da maneira como a pessoa foi morta, tudo num clima completamente nonsense e de maneira muito divertida. Quem sobe as escadarias do Teatro já encontra o casal protagonista - eu levei um susto - com uma expressão daquelas, de muito dor pela perda de alguém.


A montagem de "Obituário Ideal" é cheia de méritos, que vai do simpático e funcional cenário, passando pela luz e pela  música. E, claro, o competente texto de Rodrigo Nogueira que acumula as funções de autor, ator e diretor da peça em parceria com Thiare Maia. Enfim, um trabalho conjunto de muito bom gosto e grande dedicação. Tudo foi muito bem cuidado e pesquisado. É necessário ficar atento pois são muitas referências na trilha sonora e nas inserções com propagandas antigas, trechos de novelas, filmes, séries televisivas e a simpática narração de "notícias" pela jornalista Maria Beltrão.
Rodrigo Nogueira tem ao seu lado uma atriz de grande talento, Maria Maya, que está irrepreensível nos silêncios e pausas da personagem. Sua atuação é um brinde para o espectador. Maria Maya mostra grande maturidade neste papel, um trabalho difícil e que  a atriz desempenha com maestria.
"Obituário Ideal" pode chocar alguns, mas divertirá muitos. E além de tudo, provocará uma reflexão: até onde podemos ir em busca da felicidade?

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Anote:
Onde: Casa de Cultura Laura Alvim
Quando: Sex e Sáb: 21hs - Dom: 20hs  Até 18/dez
Quanto: R$ 40

domingo, 11 de dezembro de 2011

Encontros para celebrar 2011/2012

Como vocês sabem, já faz parte do meu calendário oficial o encontro com a minha turma de francês da Alliance Française. Entrei para a Alliance em 1995, mas só conheci o grupo quando mudei de turma em 1997. Nossa turma era grande, mas nós éramos um coletivo dentro do coletivo. Fazíamos reuniões semanais para bate-papos em francês e sempre nos encontravámos. Mesmo depois da saída de alguns - eu permaneci na Alliance até 2001 - os encontros continuaram.
Este ano a reunião foi chez Inês e comme d'habitude foi um sucesso!


Da esquerda para direita, Leila, eu, Inês, Maria Helena e Haydée.

A reunião foi prazerosa e matamos a saudade da querida Maria Helena que não comparecia há alguns anos nesses encontros. Bom papo, boa bebida e muitas lembranças. O almoço estava muito bom, preparei um gnocchi com molho de alho poró que desapareceu! E esqueci de fotografar..rs Mas fica o registro da sobremesa na foto acima, também preparada por mim - Mont Blanc.
Eu gosto muito dessa sobremesa e sempre quando visito Paris vou até a tradicional Casa de Chá Angelina para apreciar esta delícia feita com crème de marrons e muito chantilly. Quantas calorias??? O suficiente para você queimar numa subida ao Mont Blanc....

E como sempre acontece, a troca das nossas lembrancinhas.... elas capricharam nos mimos.
São esses encontros e essas amizades que fazem a vida ter sentido. Muito bom ter amigos assim por tanto tempo!

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Emilinha & Marlene - As Rainhas do Rádio


Houve uma época no Brasil que o Rádio era a grande atração. Poderia até dizer que era a única diversão de muitas famílias, que se reuniam para ouvir aos programas e rádio-novelas. E nessa época de ouro do Rádio, reinavam absolutas as cantoras, verdadeiras deusas adoradas pelos seus milhares de fãs pelo Brasil afora. Porém, nada se compara na história do Rádio ao fenômeno Emilinha Borba e Marlene. Duas cantoras ícones e protagonistas da maior rivalidade entre artistas já conhecida no país. Emilinha e Marlene eram absolutas, ditavam moda, espelharam comportamentos, valores e atitudes. Eram dois furacões arrastando multidões por onde passavam. Naquela época ou você era Emilinista ou Marlenista. Os fãs faziam de tudo para agradar suas divas e por elas eram capazes de tudo. Tudo mesmo, até brigar! Há uma história de que uma dessas brigas começou na Praça Mauá - onde ficava a Rádio Nacional - e só terminou na Praça Quinze! Outros tempos...  e que por algumas horas temos o prazer de reviver no espetáculo "Emilinha & Marlene - As Rainhas do Rádio" de autoria de Thereza Falcão e Júlio Fischer, com direção geral de Antonio de Bonis, em cartaz até domingo (11/12) no Teatro Maison de France.

Emilinha Borba - Coroada Rainha do Rádio em 1953

Embora eu não seja da época do Rádio sempre ouvi Emilinha e Marlene desde criança. Minha avó sempre cantava as músicas dessas divas, fosse "Chiquita Bacana" com Emilinha ou "Lata d'água" na voz de Marlene. Além dessa influência familiar, eu assitia aos filmes da Atlântida que passavam na TV e sempre tinha um número com essas cantoras. Ainda hoje lembro de Emilinha cantando "Tomara que chova". E as muitas gerações ainda cantarão as marchinhas imortalizadas na voz de Emilinha como "Mulata bossa-nova", "Vai com jeito vai" entre tantas. 

 Emilinha e Marlene na capa da Revista do Rádio

Foi com muita emoção que assisti este simpático musical. O texto de Thereza Falcão e Júlio Fischer utiliza a história de duas irmãs, cada uma fã de uma cantora que, após a morte da mãe, reencontram-se para recolher objetos do antigo quarto que dividiam. Revirando as caixas e baús, vão relembrando os tempos do Rádio e as aventuras e loucuras que faziam pelas suas ídolas. E assim o público vai mergulhando no túnel do tempo e conhecendo o início da rivalidade entre as intérpretes, que começou na eleição de Rainha do Rádio de 1949 quando Marlene ajudada por uma empresa venceu a disputa.

O espetáculo é muito bem cuidado e o elenco muito talentoso. Estrelado por Solange Badin como Marlene e Vanessa Gerbelli como Emilinha; e  ainda Stella Maria Rodrigues que interpreta Marlene ou Emilinha na ausência de uma das protagonistas. No dia em que assisti Stella substituía Vanessa Gerbelli. O musical flui de maneira muito agradável no turbilhão de memórias das irmãs e na vida das Rainhas do Rádio, com seus dramas, dores e amores. Tudo bem dirigido por Antonio De Bonis, com boa direção de musical de Marcelo Alonso Neves. Os figurinos de Rosa Magalhães são muito bonitos e apropriados para cada década do espetáculo. A pesquisa de Eva Joory e Rodrigo Faour é primorosa.


O elenco numeroso, como já disse é talentoso e estão todos muito bem nos diversos papéis que desempenham. Stella Maria Rodrigues defende muito bem a personagem Emilinha, cantando e encantando com sua brejeirice e carisma. Porém, Solange Badin impressiona com sua atuação. É como se a própria Marlene estivesse em cena, tamanha a fidelidade na reprodução dos gestos e no modo único de cantar. É um daqueles caso em que falamos "incorporou!". Enfim, "Emilinha & Marlene - As Rainhas do Rádio" é um musical brilhante, carregado de emoção e uma justa homenagem a duas estrelas que jamais serão esquecidas pelo que representam na nossa Música Popular Brasileira.
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Encontrei no YouTube um registro de uma entrevista com as duas estrelas, que foi gravado no Programa Jovens Tardes, no ano de 2003.

domingo, 4 de dezembro de 2011

O Castelo do Barba-Azul


Estreou neste domingo (4/12), no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, a ópera "O Castelo do Barba-Azul" do húngaro Béla Bartók. A produção foi a primeira incursão do diretor teatral Felipe Hirsch no universo lírico. Com essa montagem, Hirsch ganhou o Prêmio Carlos Gomes como melhor ópera do ano de 2008.
Já conhecia esta obra maravilhosa de Bartók, pois já havia visto uma montagem no Theatro Municipal  na década de 90.
Baseada no conto francês Barba-Azul, de Charles Perrault, a ópera começa com a chegada do Conde Barba-Azul e sua quarta esposa, Judit, ao castelo do nobre, sobre o qual pesam suspeitas a respeito do verdadeiro destino de suas três primeiras esposas. Indagada pelo Conde se deseja ficar, Judit decide que sim, mas, diante da escuridão do ambiente, pede-lhe para abrir as portas que estão trancadas. Barba-Azul nega, mas, diante da insistência da esposa, acaba cedendo e, uma a uma, as sete portas são abertas. Uma câmara de tortura manchada de sangue, tesouros, um jardim secreto e um lago de lágrimas são algumas das surpresas e segredos descobertos por Judit na alegórica jornada de autoconhecimento empreendida pelo casal.


Com belo cenário e figurinos de Daniela Thomas e direção de cena de Felipe Hirsch, a obra de Bartók ganhou uma montagem de qualidade e cheia de sofisticação. A música do compositor húngaro é muito bonita e envolvente, ora delicada e em alguns momentos sombria. Tudo de acordo com o clima que envolve o Conde Barba-Azul e a bela Judit. Felipe Hirsch dirigiu muito bem os cantores, o baixo Luiz Molz e a soprano Céline Imbert que dão vida ao casal da trama. A orquestra conduzida pelo maestro Aylton Escobar, esteve muito bem, executando com precisão a música de Bartók.
Há tempos não assistia uma montagem tão impactante. Claro que a força está na qualidade da composição, mérito do autor. Porém, as ideias criativas para cenário e a condução do espetáculo fazem a diferença. Isso tudo aliado ao bom desempenho vocal de Molz e Imbért. Uma ópera impecável, tão impecável que nem precisava da participação de Guilherme Weber, que recita um pequeno texto logo no início da ópera. Espero repetir a dose.

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Anote:
Theatro Municipal do Rio de Janeiro
Dias 6 e 8 de dezembro, às 20h
Dia 10 de dezembro, às 21h
Plateia e Balcão Nobre - R$ 84,00
Balcão Superior - R$ 60,00
Galeria - R$ 25,00
Frisas e camarotes (6 lugares) - R$ 504,00

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Faits Divers - I

Faits Divers é uma expressão do jargão jornalístico usada na imprensa francesa. É uma categoria para assuntos que não tem uma categoria definida, numa tradução livre poderíamos chamar de "Assuntos Gerais". Explicação dada, vamos aos "Faits Divers" da semana:
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Não lembro exatamente quando, mas um dia decidi que só ia escrever sobre as peças de teatro que realmente fossem boas. Entendi que o tempo - tão raro e precioso - deveria ser usado apenas para falar do que fosse interessante. Para que dispensar energia para criticar. Mas, após assistir "A Megera Domada" ontem no Teatro João Caetano, não consegui manter a minha promessa. Que espetáculo ruim! A foto gigantesca no alto teatro passa a ideia de uma mega produção. Um clássico de Shakespeare, com tradução e adaptação de Walcyr Carrasco, empresas top patrocinando. Resolvi conferir, pois embora conhecesse a história, ainda não havia assistido montagem da peça. Foram 90 minutos perdidos. Péssimas atuações, quase amadoras. O cenário além de fraco era mal acabado; os figurinos de muito mal gosto. Para dar um ar moderno lançaram mão de projeções de fotos e vídeos e incrementaram o figurino com peças modernas. Mas tudo em "A Megera Domada" é um grande engano. É costume os atores ao final do espetáculo pedirem ao público que recomendem aos amigos caso tenham gostado e, caso contrário, recomendem aos inimigos. Mas, nem mesmo os inimigos devem passar por tamanho castigo. Fica a dica: não percam tempo nem dinheiro com esse espetáculo. E é por tudo isso que este post não pode ser marcado na categoria "Teatro", pois o que assisti ontem foi constrangedor.

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O assunto  do momento aqui no Rio é a censura à obra da fotógrafa americana Nan Goldin. Foram duas grandes reportagens no Segundo Caderno do jornal O Globo. A artista, cujos trabalhos estão expostos em  diversos museus e galerias do mundo, tornou-se famosa por ter registrado o submundo das drogas e do sexo da cidade de New York nas décadas de 70 e 80. Em sua visita ao Brasil, Nan apresentaria o projeto "The other side", com fotos de homens, mulheres e crianças nuas. E ainda "Balada da dependência sexual" com fotos de sexo explícito e pessoas com drogas.

Foto: Nan Goldin

A exposiçao iria acontecer em janeiro no Oi Futuro - Flamengo, mas foi cancelada. Um dos pedidos feitos à fotógrafa foi que retirasse toda e qualquer imagem com criança. Como resposta Nan Goldin sugeriu que fossem colocados cartazes pretos em substituição, a fim de denunciar a censura. Depois de uma reunião, cancelaram a exposição.

 "Balada da Dependência Sexual" - Foto Nan Goldin

Ao que tudo indica os cariocas poderão conferir o trabalho da artista americana no Museu de Arte Moderna. Todavia, é lamentável que uma instituição como o Oi Futuro, desconheça os trabalhos dos artistas que convida. E o mais triste de tudo é a censura á arte. Inadimissível num país que se diz democrático.

Travestis fotografados mundo afora - Nan Goldin