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Carioca, apaixonado pelo Rio de Janeiro, apreciador das artes, das viagens e das pessoas que têm algo a dizer.

domingo, 8 de abril de 2012

Dois homens - duas histórias

Ontem (dia 7), no final do dia estava meio entediado e tenso e, nessas horas, melhor sair para aliviar um pouco. O que fazer? Um programa prático e bem barato: ver um filme. Afinal, cinema é a maior diversão. Não pensei duas vezes quando lembrei que no Odeon - um dos raros cinemas de rua do Centro do Rio - estava passando dois ótimos filmes. Vi os horários e lá fui eu para uma sessão dupla.

O primeiro filme foi Heleno,  narrativa da trajetória do ex-jogador Heleno de Freitas, que fez uma carreira interessante jogando no Botafogo, entre outros times cariocas.

O ex-jogador Heleno de Freitas

Todo feito em preto e branco, o filme é muito bem realizado e mostra o Rio de Janeiro com o glamour dos anos 40: o chic Copacabana Palace, os cassinos e os shows. Heleno de Freitas era o jogador sensação daquela época. Rapaz de família tradicional de Minas Gerais, Heleno veio para o Rio ainda pequeno e aqui se encantou com o futebol. Com boa formação, era um diferencial para aquela época. Boa pinta e conquistador, estava sempre elegantemente vestido e com os cabelos bem penteados e cheio de gomalina. Mas, por baixo daquela gomalina, Heleno era um homem explosivo, temperamental. Era conhecido como "Gilda",  aquela do filme, por conta de suas atitudes intempestivas. Heleno teve uma vida breve, vítima da bebida, do cigarro e da sífilis, doença que contraiu por conta de suas noitadas de sexo. Um talento que se foi muito jovem, aos 39 anos, internado num manicômio em Barbacena, onde viveu seus últimos anos de vida.

 Rodrigo Santoro - atuação irretocável

A escolha de Rodrigo Santoro para interpretar Heleno de Freitas não poderia ter sido melhor. Santoro entregou-se de corpo e alma ao personagem e o que vemos na tela é uma atuação irrepreensível. O ator brilha intensamente e nos surpreende na fase crítica da vida do personagem, em meio a crises e surtos. 

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Raul - o início, o fim e o meio

E vamos ao segundo filme da noite: o documentário de Walter Carvalho sobre a lenda do rock brasileiro, Raul Seixas. Sempre gostei desse cantor. Era pequeno e já ouvia as músicas daquele cara cabeludo, meio esquisito. Achava tudo engraçado. Acho que Raul fazia sucesso entre as crianças. Depois cresci e continuei acompanhando a carreira de Raul, mas, de repente Raul desapareceu. Até que um tempo depois ele reaparece com Plunct-Plact-Zoom. Mas Raul já estava com a saúde comprometida. Vítima de excessos.


Acredito que nunca houve na história da música brasileira alguém com o talento de Raul. Uma figura que dispensava maiores comentários. Era curtir ou não curtir. E muita gente curtia, seguia. O documentário é uma grande homenagem a esse artista. Lá estão a família, as muitas ex-mulheres, ex-companheiras. Os fãs, os amigos inseparáveis e os parceiros, dentre eles o escritor Paulo Coelho. Todos que conviveram com a "metamorfose ambulante".


Vale muito assistir a esse documentário, principalmente, pela exibição de imagens e registros raríssimos. Um verdadeira jóia para fãs e para quem não viveu nos anos 70 e 80.
Raul nos deixou muito cedo, tinha apenas 44 anos, mas a aparência e o desgaste era de um homem de mais de 60.
Dono de uma obra vastíssima, sua arte permanece imortalizada nos mais de 20 discos, nas diversas fotos e nas biografias escritas. Agora, temos este belo documentário para guardar e relembrar Raul. Um artista que nos deu alegria e mostrou que "nunca é tarde demais para recomeçar".

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Resumo da ópera: dois homens talentosos que viveram pouco por viverem intensamente. Sempre no fio da navalha, entregues aos prazeres e loucuras de suas épocas. Dois artistas fantásticos, ícones de suas gerações.

Embora  tenha assistido dois dramas, deixei o Odeon mais leve, efeito de uma "viagem" da descontração e energia do "maluco beleza".

2 comentários:

  1. Quanto pensam em passar esse documentário na Tv Brasil, para que eu posso assistir, Raul era tudo de bom

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  2. Nossa eu nunca tinha ouvido falar desse manicomio de Barbacena que coisa de doido, nem todos eram doentes e ficavam abandonados a própria sorte sem a Lei dos direitos humanos sendo respeitados, será que os golpista querem ver o povo novamente nessa situação, pois o governo do PT governa para todos principalmente para os mais necessitados e mulheres e crianças, e eles não estão satisfeito com isso

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