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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Carioca, apaixonado pelo Rio de Janeiro, apreciador das artes, das viagens e das pessoas que têm algo a dizer.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Até breve!

Queridos amigos e leitores:
A partir de hoje estou de férias!
Novas postagens a partir de 12 de maio.
Um abraço e até a volta!
Jorge Fortunato

domingo, 8 de abril de 2012

Dois homens - duas histórias

Ontem (dia 7), no final do dia estava meio entediado e tenso e, nessas horas, melhor sair para aliviar um pouco. O que fazer? Um programa prático e bem barato: ver um filme. Afinal, cinema é a maior diversão. Não pensei duas vezes quando lembrei que no Odeon - um dos raros cinemas de rua do Centro do Rio - estava passando dois ótimos filmes. Vi os horários e lá fui eu para uma sessão dupla.

O primeiro filme foi Heleno,  narrativa da trajetória do ex-jogador Heleno de Freitas, que fez uma carreira interessante jogando no Botafogo, entre outros times cariocas.

O ex-jogador Heleno de Freitas

Todo feito em preto e branco, o filme é muito bem realizado e mostra o Rio de Janeiro com o glamour dos anos 40: o chic Copacabana Palace, os cassinos e os shows. Heleno de Freitas era o jogador sensação daquela época. Rapaz de família tradicional de Minas Gerais, Heleno veio para o Rio ainda pequeno e aqui se encantou com o futebol. Com boa formação, era um diferencial para aquela época. Boa pinta e conquistador, estava sempre elegantemente vestido e com os cabelos bem penteados e cheio de gomalina. Mas, por baixo daquela gomalina, Heleno era um homem explosivo, temperamental. Era conhecido como "Gilda",  aquela do filme, por conta de suas atitudes intempestivas. Heleno teve uma vida breve, vítima da bebida, do cigarro e da sífilis, doença que contraiu por conta de suas noitadas de sexo. Um talento que se foi muito jovem, aos 39 anos, internado num manicômio em Barbacena, onde viveu seus últimos anos de vida.

 Rodrigo Santoro - atuação irretocável

A escolha de Rodrigo Santoro para interpretar Heleno de Freitas não poderia ter sido melhor. Santoro entregou-se de corpo e alma ao personagem e o que vemos na tela é uma atuação irrepreensível. O ator brilha intensamente e nos surpreende na fase crítica da vida do personagem, em meio a crises e surtos. 

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Raul - o início, o fim e o meio

E vamos ao segundo filme da noite: o documentário de Walter Carvalho sobre a lenda do rock brasileiro, Raul Seixas. Sempre gostei desse cantor. Era pequeno e já ouvia as músicas daquele cara cabeludo, meio esquisito. Achava tudo engraçado. Acho que Raul fazia sucesso entre as crianças. Depois cresci e continuei acompanhando a carreira de Raul, mas, de repente Raul desapareceu. Até que um tempo depois ele reaparece com Plunct-Plact-Zoom. Mas Raul já estava com a saúde comprometida. Vítima de excessos.


Acredito que nunca houve na história da música brasileira alguém com o talento de Raul. Uma figura que dispensava maiores comentários. Era curtir ou não curtir. E muita gente curtia, seguia. O documentário é uma grande homenagem a esse artista. Lá estão a família, as muitas ex-mulheres, ex-companheiras. Os fãs, os amigos inseparáveis e os parceiros, dentre eles o escritor Paulo Coelho. Todos que conviveram com a "metamorfose ambulante".


Vale muito assistir a esse documentário, principalmente, pela exibição de imagens e registros raríssimos. Um verdadeira jóia para fãs e para quem não viveu nos anos 70 e 80.
Raul nos deixou muito cedo, tinha apenas 44 anos, mas a aparência e o desgaste era de um homem de mais de 60.
Dono de uma obra vastíssima, sua arte permanece imortalizada nos mais de 20 discos, nas diversas fotos e nas biografias escritas. Agora, temos este belo documentário para guardar e relembrar Raul. Um artista que nos deu alegria e mostrou que "nunca é tarde demais para recomeçar".

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Resumo da ópera: dois homens talentosos que viveram pouco por viverem intensamente. Sempre no fio da navalha, entregues aos prazeres e loucuras de suas épocas. Dois artistas fantásticos, ícones de suas gerações.

Embora  tenha assistido dois dramas, deixei o Odeon mais leve, efeito de uma "viagem" da descontração e energia do "maluco beleza".

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Modigliani - Imagens de uma vida


Considerado o ponto mais alto do Momento Itália-Brasil 2011/2012 a exposição Modigliani - Imagens de uma vida, chega ao fim no próximo dia 15 no Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro.
Em cartaz desde janeiro, só pude conferir no último domingo (01) e foi prazeroso, embora esperasse um pouco mais. Na mostra estão expostas 12 pinturas e 5 esculturas inspiradas em máscaras africanas. Parece pouco? E é mesmo. Mas, algumas dessas obras estão sendo apresentadas pela primeira vez num país da América Latina. Além das obras, a mostra conta com muitas fotos, manuscritos, desenhos de Modigliani, esboços e trabalhos de artistas amigos do pintor. E assim, as três salas da mostra ficam cheias. Acho que foi um bom recurso. Complementando a exposição, um documentário de mais ou menos 15 minutos. Vale a pena parar e assistir, pois a vida de Amedeo Modigliani foi, digamos, um pouquinho agitada.

 Uma das cinco esculturas trazidas para a mostra

E aqui o quadro mais famoso dessa mostra.

Eu não ia dizer, mas confesso que fiquei um pouco decepcionado. Esperava, de fato, um pouco mais. Porém, entendo que trazer uma exposição assim envolve muitas cifras e com a crise...

Anote:
Onde: Museu Nacional de Belas Artes
Quando: de terça a sexta, de 10h às 18h, e aos sábados, domingos e feriados, de 12h às 17h.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Nan Goldin - Heartbeat

Desde o início do ano o assunto era a exposição da fotógrafa americana Nan Goldin que estava na programação do Oi Futuro. Sem querer dar muitos detalhes o Oi Futuro cancelou a exposição. Censura? Pode ser. O assunto rendeu como  já mostramos aqui no Blog. Felizmente o Museu de Arte Moderna assumiu a tarefa de apresentar o trabalho da artista que faz a sua primeira individual no Brasil. Nan Goldin é uma referência quando se fala em fotografia e seu trabalho mostra a foto no estado bruto, vivo, sem retoques. Totalmente contra a onda do photoshop... Na última sexta-feira, finalmente, consegui um tempo livre e fui mergulhar no universo da artista. Uma experiência e tanto.

HeartBeat
Trata-se de uma série de fotografias e três slides shows que apresentam fotos polêmicas de homens e mulheres nos seus momentos de intimidade.
A primeira parte com a série de fotos com paisagens é sensacional, gostei muito. A imagem acima é um verdadeiro delírio. O visitante percebe aos poucos e a medida que vai se afastando reconhece o Cristo Redentor.
Os slides estão divididos da seguinte maneira: Heartbeat (Pulsação), The other side (O outro lado) e  The Ballad of Sexual Dependency (Balada da dependência sexual). Cada slide show é apresentado em uma sala, uma ao lado da outra e menores desacompanhados não entram.
Heartbeat foi a que mais gostei, pois é como se você estivesse dentro do quarto dos casais, assistindo aqueles momentos. Algumas pessoas ficaram chocadas e saíram da sala. Um senhor quando viu dois homens nus na cama em pleno ato sexual saiu imediatamente. Mas as fotos são sutis e passa longe do pornográfico.
The other side é um conjunto de fotos feitas entre 1972 e 1992 com travestis e drag queens. A artista quis registrar o cotidiano dessa tribo quando foi morar com um grupo de drags.
Balada da dependência sexual: é o maior slide show, composto por mais de 700 fotografias. Mistura, sexo, drogas e violência com trilha sonora que vai de Maria Callas cantando "Casta Diva" da ópera Norma a Lou Reed e o Velvet Underground. Algumas fotos chegam a ser pueris, como um homem em cima de um cavalo e ao fundo aquela música de filme de cowboy. Mas, nem tudo são rosas e algumas cenas mais fortes são mostradas como uma seção de picos na veia.
Resumo da Ópera: eu ando liberal demais e não me assusto e nem fico mais chocado com nada.
Para quem ainda não foi conferir e pretende conhecer o trabalho da artista melhor se apressar, pois termina no dia 08 de abril, próximo domingo.
Anote:
Onde: Museu de Arte Moderna
Quando: terça a sexta: 12 às 17h30 / Sab, Dom e Feriados - 12 às 18h30
Quanto: R$ 8 - Domingo ingresso família até 5 pessoas R$ 8