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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Carioca, apaixonado pelo Rio de Janeiro, apreciador das artes, das viagens e das pessoas que têm algo a dizer.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Inhotim, além de todas as expectativas

Na estrada indo para Brumadinho
No último final de semana (25 a 27/10), fui a Belo Horizonte para conhecer uma querida amiga que fiz nesse mundo virtual, Adriana Pessoa. Nos conhecemos através da troca de comentários no Blog  Conexão Paris - olha ele aí de novo - e aos poucos fomos estreitando nossa amizade através da nossa paixão por viagens e, sobretudo, Paris. 
Há algum tempo estava planejando conhecer Adriana, mas as agendas não batiam. Até que este dia chegou. E para celebrar esse encontro, Adriana me convidou para visitar Inhotim - o maior centro de arte contemporânea da América do Sul.


A estrada para Inhotim é um capítulo à parte, com pequenas fazendas pelo caminho. Adriana adora fotografar. Por isso, paramos algumas vezes para registrar a beleza do lugar e fazer algumas fotos.

Depois de algum tempo chegamos a Inhotim e desde o primeiro instante fiquei encantado.

Inhotim é a reunião perfeita de Arte e Natureza, tudo muito bem integrado. São obras de artistas como Hélio Oiticica, Tunga, Cildo Meireles, entre outros, expostas ao ar livre em meio a jardins e lagos.
 É o paraíso, tranquilo, bonito, limpo, organizado ... e no Brasil! 
Esta foi a primeira obra que vi. Instalação da artista Yayoi Kusama. São bolas de aço que se movimentam em um espelho d'água. Um verdadeiro espetáculo de cores, reflexos e sons. Fiquei bom tempo ali observando o vai e vem das bolas que se juntam e se separam.
 Só esta instalação já vale a visita, mas tinha muito, muito mais para ver. 
 Obra de Hélio Oiticica
 Esculturas de Edgar de Souza
 Jardins harmoniosos
Além das obras espalhadas pelos jardins, Inhotim reúne um grande conjunto de galerias - como a que aparece ao fundo. Para mim foi uma surpresa, não esperava. 
Gigante Dobrada - obra de Amílcar de Castro
Instalação na Galeria True Rouge
 
Pausa para descanso na Galeria True Rouge com lago ao fundo
 Fiquei impressionado com essa planta, folhas enormes.
 Essa obra do chinês Zhang Huan é impactante
 Assim como é impactante esse banco feito de tronco de árvore. E que árvore!

 Obra de Cildo Meireles - cadeiras de diversos tamanhos
 Tudo em Inhotim é superlativo e a natureza nos surpreende a cada instante. 
E um momento de grande emoção - pela primeira vez na vida vi uma jabuticabeira! Existem várias em Inhotim e ainda pude provar o fruto direto do pé. Inesquecível!
Galeria Adriana Varejão - na minha opinião o projeto mais bonito de todas as galerias. Gosto muito do trabalho dessa artista e tive o prazer de rever "Celacanto provoca maremoto", um painel que faz referência aos azulejos portugueses. Pena não poder fotografar.
 Gostei muito desses fuscas coloridos, obra do artista Jarbas Lopes 
Como disse, tudo em Inhotim é superlativo e por isso, um dia só é pouco para admirar as obras e entrar nas galerias. Mas fiquei satisfeito com tudo o que vi. Próximo aos fuscas estão construindo mais uma Galeria. Claro que vou voltar para conferir.
Foi um dia intenso! Assuntos diversos, papos de viagens e muitas gargalhadas. Tudo isso em meio à natureza e cercado de Arte por todos os lados.
Até hoje não havia visto nada igual à Inhotim. Não há como sair indiferente a tanta beleza. É um passeio imperdível, obrigatório e necessário!

E na volta para Belo Horizonte fomos presenteados com um lindo pôr do sol que banhou de dourado a paisagem, tornando mais belo o que já era maravilhoso.

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Anote:
Instituto Inhotim
Brumadinho - MG
Site: http://www.inhotim.org.br
Funcionamento:
De terça à sexta: 09h30 às 16h30
Sábados, domingos e feriados: 09h30 às 17h30
Ingressos: Podem ser adquiridos no site ou na recepção.
Alimentação: Inhotim oferece aos visitantes restaurantes e lanchonetes.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Sobre Normas e Sondras

Post escrito pelo amigo José Eymard, que vocês conheceram no último post. Esta é uma participação que deixa o blog muito envaidecido!

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Prometi ao amigo Jorge Fortunato que faria um relato em primeira mão da Ópera NORMA com a Soprano Sondra Radvanovisky, que está em cartaz no Metropolitan Opera de Nova Iorque.
Jorge e eu compartilhamos a admiração por esta grande soprano. Eu já a havia assistido em Il TROVATORE e, posteriormente, em TOSCA. Jorge, além de assisti-la em Tosca, guarda recordação de uma foto autografada (veja aqui).
Acalentei assistir uma apresentação de Norma, nunca tendo coincidido. Norma é uma Ópera em dois atos, de Vincenzo Bellini, com libreto de Felice Romani. Sua estreia ocorreu no La Scalla de Milão, em Dezembro de 1891.
Trata-se de Ópera em estilo bel canto, ou seja, com ênfase nas qualidades vocais e no virtuosismo. Por isso uma Ópera que exige muito, especialmente da soprano no papel principal. Grandes nomes resgataram, para além do virtuosismo, um estilo dramático, conectando voz e interpretação. Callas é a maior referência. Depois dela Joan Sutherland, e mais recentemente Gruberova.
Quando li que Sondra estrearia Norma no Metropolitan, imediatamente procurei conciliar minha agenda.
Sondra tem uma emissão vocal impressionante. Ao vivo tem presença de palco impar. Assisti-la no papel de Norma seria um grande prazer e eu estava com enorme expectativa.
Um pouco sobre Sondra. Nascida em 1969 é americana. Estudou arte dramática na Califórnia. Sua principal escola foi mesmo o Metropolitan Opera em NY. Especialista nas personagens de Verdi.
Photo by Marty Sohl © 2013 The Metropolitan Opera
Um pouco sobre a Ópera Norma: os principais personagens em cena são Pollione (romano); Adalgisa (aspirante a sacerdotisa); Norma (sacerdotisa Druída) e Oroveso (pai de Norma).
A história pode ser resumida no confronto de valores: amor, traição, desejos conflitantes, entrega e retidão.
Um pouco sobre a montagem: observo que o Metropolitan mantém produções impecáveis. Minimalistas. Lembram quadros de Matisse. Os figurinos também são caprichados e a luz mantém a dramaticidade e o clima da peça. A orquestra, dessa vez conduzida pelo maestro italiano Ricardo Frizza, é um espetáculo a parte.
Foram três distintos cenários, iniciando com a enorme lua e o palco levemente inclinado. A principal e mais conhecida ária, Casta Diva, vem logo no primeiro Ato. Mas os duetos de Norma e Adalgisa são igualmente famosos e exuberantes.
Sondra rouba todas as cenas. Encanta a platéia que desaba em aplausos. Domina integralmente a cena. Sondra é Norma. Inteiramente Norma.
Sua voz tem um volume incrível. Mas não é só a voz. Ela tem expressão. Interpreta Norma e não apenas faz coreografias vocais. É Norma.  Adalgisa, nesse caso a Mezzo-soprano Kate Aldrich, faz o possível. O que em Sondra soa natural, parece extremamente difícil para a intérprete de Adalgisa. Ainda assim uma boa Mezzo-soprano. Aleksandrs Antonenko, o tenor, é convincente como Pollione.
A peça, com duração de aproximadamente 3 horas, em nenhum momento chega a ser cansativa. A sequência dramática prende o ouvinte. Norma, ao saber da traição de Pollione, decide se matar. Para evitar que seus filhos sejam levados para Roma, planeja matá-los enquanto dormem. A cena é perfeita. E a tortura mental entre o certo e o errado se reproduz na voz e na música.
Outra sequência perfeita entre dramaticidade, voz e musica são os diálogos entre Norma e Adalgisa.
Photo by Marty Sohl © 2013 The Metropolitan Opera
A cena final, novamente, reconecta o sentido da Ópera. A mãe zelosa só decide o seu destino após ter certeza de que seus filhos serão cuidados por seu pai (Oroveso) que, inicialmente, resiste, mas cede aos apelos da filha.
Certo de que Norma entregaria e sacrificaria Adalgisa, Pollione se entrega para salvá-la.
O povo está confuso. Ora Norma conclama a paz. Ora chama a guerra. Por fim, após tomar a sua mais dramática decisão, pede novamente pela paz entregando-se a si própria (e, portanto, poupando Adalgisa) e Pollione para o sacrifício final.
A cena é dramaticamente perfeita no enlace da luz, cenografia, vozes, música.
Penso que Norma também fala de ética. Mas isso é outra história.
O MetOpera tem um programa de divulgação da Opera, transmitindo-a para cinema e imortalizando em gravação DVD. Aguardo com ansiedade poder rever esse espetáculo e espero que vocês também possam assistir.

domingo, 20 de outubro de 2013

Paris é uma festa!

E Hemingway estava coberto de razão, Paris é uma festa em todos os sentidos. Na temporada do ano passado vivi momentos muito agradáveis, como o encontro - relâmpago - com o "presidente" Eymard, que conhecia virtualmente através do blog Conexão Paris. No Blog, o chamamos dessa maneira carinhosa, visto sua elegância e diplomacia. 
Foi uma coincidência feliz estarmos na cidade na mesma época. Eymard havia chegado há poucos dias, depois de um período na Itália, viajando na companhia da esposa e do casal Eduardo e Débora. Sabendo que estaríamos em Paris, organizamos esse encontro, um drink no célebre "Les Deux Magots", teatro de conversas de personagens como Hemingway, Sartre, Simone de Beauvoir, Joyce e tantos outros. E naquele sábado de maio/2012, "Les Deux Magots" recebeu a nossa ilustre visita...rs
Da esquerda para direita: Eymard, Eduardo, Débora, Lourdes e eu, brindando um encontro há muito esperado. Um começo de noite espetacular! Eymard e Lourdes, assim como Eduardo e Débora, são pessoas ótimas, amantes das viagens e da boa gastronomia. Nesta noite já estavam com reservas para o "Zé Kitchen", daí a brevidade do encontro. Mas valeu. O papo foi ótimo com os temas que amamos: óperas, viagens e essas conexões virtuais que tornam-se reais. 
***
Quem também estava em Paris era  Beatriz e Jorge Moreno, que não puderam comparecer no encontro com o Eymard. Daí marcamos no mesmo local no dia seguinte. Conheci Beatriz e Jorge no Réveillon de 2010, que passamos em Paris no Alcazar, e que vocês podem conferir aqui.
Bia e Jorge fizeram uma parada rápida em Paris, pois estavam indo para Singapura.
E já que estávamos em Saint Germain, fomos até o  famoso "Café de Flore", outro palco frequentado por intelectuais e artistas,  por isso procuradíssimo por turistas do mundo inteiro e pessoas que gostam de ver e serem vistas.
***
Posso dizer que estes dois encontros deram um sopro a mais de alegria à viagem. É muito bom estar em outro país e encontrar amigos queridos, tomar um café, bater um papo descontraído. Não tem preço!
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Anote:
Les Deux Magots
6, place Saint-Germain-des-Prés

Café de Flore
172, Boulevard Saint-Germain

Metro: Saint-Germain-des-Prés - Linha 4

sábado, 12 de outubro de 2013

Do Virtual para o Real - em Paris!

Já falei aqui dos diversos encontros que tive com amigos virtuais e que depois tornaram-se reais. Esse é o lado mágico e bom da internet. Depois que criei o Blog conheci muitas pessoas e até já fui reconhecido em restaurantes e nas ruas - achei isso incrível. No ano passado, tive a oportunidade de conhecer Milena e Sylvain em Paris. Ela é brasileira e ele francês. Foi Milena quem descobriu o "Acabou o Caviar?" quando fazia pesquisas sobre Praga. Na troca de e-mail descobri o "Viver Plenamente Paris", o blog da Milena - que é ótimo! Daí iniciamos uma troca de informações, pois queria dicas de Veneza. Dicas passadas, Milena pediu para que se passasse por Paris a procurasse para tomarmos um café. E foi assim que aconteceu o nosso encontro.

Milena já mora em Paris há um bom tempo e por isso conhece os lugares bons e com preços justos, como gosta de dizer. Por isso escolheu um restaurante no bairro boêmio de Montmartre, o "Le Relais Gascon", especializado na cozinha do Sudoeste da França, além disso serve saladas ótimas.

A foto foi a terceira tentativa da garçonete, ficou um pouco tremida mas foi a que ficou melhor.
Quando vi no cardápio que tinha Cassoulet, não resisti e pedi! E quando chegou, que maravilha, perfumado, quentinho e com carnes tenras. Perfeito. Para quem não sabe, o Cassoulet é o equivalente a nossa feijoada, mas um pouco mais leve, se é possível dizer isso.
O nosso papo foi ótimo, conservamos como se fôssemos três velhos amigos. E é essa a diferença quando conhecemos as pessoas pela internet. Os assuntos? Paris, as viagens e a vida na França....
Sylvain, o marido da Milena é uma simpatia.
Na sobremesa, não dispensei a Tarte Tatin, mesmo depois do cassoulet...
Milena fez uma surpresa ao final do nosso jantar me presenteando com...
Vários produtos da L'Occitane!
A noite foi muito agradável e a nossa amizade dura até hoje. Certamente, vocês já devem ter visto comentários da Milena aqui no Blog. 
Porém, o melhor de tudo foi a surpresa que tive poucos dias depois da meu retorno ao Rio de Janeiro. Milena publicou no seu blog um belo post sobre esse encontro e vocês podem conferir clicando aqui.
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Anote:
Le relais Gascon
6, rue des Abesses
Metrô Abesses

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Visitando a Mesquita de Paris num final de dia perfeito

Por mais vezes que você tenha visitado uma cidade, sempre deixa de conhecer algum lugar. Há anos venho prometendo visitar a Mesquita de Paris, mas sempre deixava para a "próxima vez".  A oportunidade de conhecer a Mesquita, finalmente, chegou com o convite que recebi da Rafaella, filha da minha amiga Vera Regina. Rafaella é médica e estava fazendo residência em Paris. A sugestão foi marcarmos na Mesquita, pois eu ainda não conhecia. Aliás, não conhecia pessoalmente a Rafaella.

O local é extremamente calmo e acolhedor. Silencioso e transmite muita paz. 
Observando essa fotos, nem parece que estava em Paris. 

A Mesquita, propriamente dita, não pode ser visitada, pois é um lugar de oração e está aberta apenas aos praticantes. Mas é possível entrar em algumas salas, como a Biblioteca, por exemplo.


 
  
Aí está a Rafaella que nessa foto até parece uma praticante da religião, pois está toda coberta. 
O fato é que ficar nos jardins da Mesquita não dá mesmo vontade de sair. 

Continuamos nosso papo no Salão de Chá da Mesquita, onde é servido um delicioso chá de hortelã e uns doces incríveis.

Depois de todos os bons momentos na Mesquita de Paris, continuamos nosso passeio caminhando tranquilamente até a Bastille! E essa é a vantagem do horário de verão, muita luminosidade, sol brilhando e o céu eternamente azul.
Da Bastille decidimos ir para o Louvre para ver o pôr do sol da Pont des Arts e as fotos falam mais que mil palavras!

 
Até hoje não recebemos o nosso cachê para fazer essa foto para a coleção de uma grife de óculos... (ficou muito foto de catálogo...rs)

 
Foi um espetáculo! O sol dando seu show, dourando as águas do Sena. Só faltou aplaudir, mas não estava no Arpoador...

E fechamos a noite com um jantar numa Creperie em Saint Germain, cujo nome não lembro mais. As Galettes estavam deliciosas e a cidra perfeita. Que dia!