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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Carioca, apaixonado pelo Rio de Janeiro, apreciador das artes, das viagens e das pessoas que têm algo a dizer.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Recesso

Queridos amigos e leitores,

Faremos um recesso e, em breve, voltaremos com novidades. Aguardem!

Abraços

Jorge Fortunato

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Marlene Dietrich - As Pernas do Século



Assim que as luzes do palco se apagam e os aplausos calorosos invadem a sala, a sensação é a de ter passado uma agradável noite com uma velha amiga. Foi o que senti após assistir ao espetáculo "Marlene Dietrich - As Pernas do Século".
Atriz e cantora, alemã de nascimento, mas naturalizada americana por conta do nazismo que dominou a Alemanha, Marlene Dietrich certamente foi um dos personagens mais interessantes do século XX. E será eternamente lembrada pela sua personalidade forte, carisma, elegância, sensualidade e sofisticação.

O espetáculo estreou em 2010  e retorna ao Rio de Janeiro após tournée por várias cidades do Brasil. A montagem é cheia de acertos. Elenco enxuto, três músicos e cenário simples e de bom gosto. Em seu apartamento em Paris, Marlene bate um longo papo com um entregador de bebidas, conta suas histórias, seus amores, seus sucessos. A conversa é recheada de canções, projeções de imagens e histórias deliciosas. Resultado de um texto caprichado de Aimar Labaki e da direção competente de William Pereira e Direção Musical de Roberto Bahal. E todo o conjunto é acompanhado pelso belos figurinos de Marcelo Marques.

O elenco é composto por Sylvia Bandeira no papel de Marlene Dietrich, José Mauro Brant intérprete do entregador de bebidas, além de Marciah Luna Cabral e Silvio Ferrari que fazem diversos personagens. Os atores cantam muito bem e os arranjos para as 23 canções do espetáculo estao perfeitos. Destaque para Lili Marlene, Ruins of Berlin, Where have all the flowers gone e Ne me quitte pas. O elenco está muito afiado e todos tem ótimo rendimento. Porém, não dá para ser diferente, Sylvia Bandeira é a grande estrela do espetáculo! Sua presença e voz dominam o palco e contagia a platéia. É perceptível o cuidado e o estudo que atriz fez para interpretar Marlene Dietrich. Na peça Marlene está com 90 anos, e Sylvia faz uma Marlene incrível, humana,  com a sabedoria que o tempo dá às pessoas que vivem muito. É um espetáculo imperdível!
No final da sessão meu encontro com Sylvia Bandeira, meu querido amigo José Mauro Brant e Silvio Ferrari.

*****
Anote:
Onde: Teatro Miason de France
Quando: Qui e Sex (19h30) Sab (20h00) Dom (18h00) - Até 21 de setembro.
Quanto: Qui e Sex (R$ 60) Sab (R$ 80) e Dom (R$ 70)

domingo, 10 de agosto de 2014

Silêncio!

Muitas vezes vou ao teatro por conta da presença de certos atores em cena. Seja pela admiração que sinto ou pelo talento de determinado ator, pouco me importo com o texto ou tema do espetáculo. O simples fato de conferir a atuação já é um grande prazer. E assim, ontem,  fui ao SESC de Copacabana para ver Suzana Faini, atriz brilhante, que faz a diferença sempre, seja no teatro ou na televisão. 
Ingresso comprado, pego o programa para saber do que se trata a peça. O texto de Renata Mizrahi é sobre um tema ainda considerado tabu na comunidade judaica: "as polacas". Assim eram chamadas as jovens judias que vieram do Leste Europeu no final do século XIX  e inicio do século XX, atraídas pela promessa de casamento com homens ricos, mas que por fim terminaram como prostituas. A autora se inscreveu,  em 2010, num edital da Secretaria de Cultura do Estado para Pesquisa e Criação Artística. Foi contemplada, fez a pesquisa e escreveu a peça, agora em cartaz. Além de autora, Renata Mizrahi assina a direção em parceria com Priscila Vidca.
O espetáculo tem uma estrutura simples, adequada à Arena do SESC de Copacabana. A ação se passa na casa de Débora, neta do patriarca David. A noite festiva do Shabat e o aniversário de Regina, filha de David, é o cenário de muitas revelações, que provocam indignação e brigas.
A autora apresenta ao público alguns dos rituais judaicos, através de rezas, canções e gestos, conhecidos por parte da plateia - ouso dizer que ontem (09/08), 70% da audiência era da comunidade judaica. O texto é bom e seduz a plateia desde o início, e no ápice do espetáculo, a emoção contagia parte do público e os lencinhos de papel entram em ação. A direção conduz bem o trabalho dos atores, mas talvez por um descuido, há uma mudança brusca no comportamento de Regina, mãe de Débora, que fica um pouco inverossímil, mas não chega a prejudicar o todo.
No elenco estão Suzana Faini, que brilha no papel de Esther - a matriarca da família. Jitmam Vibranovski interpreta David e Alexandre Mofati como Beto, o marido de Regina, personagem de Verônica Reis. Karen Coelho e Gabriela Estevão dão vida às irmãs Clara e Débora, respectivamente e Vicente Coelho faz Flávio, noivo de Débora. 
"Silêncio!", pode não ser uma obra-prima, mas de maneira muito simples fala de um assunto pouco conhecido ou comentado e que faz parte da história desse país e de um povo que aqui veio para reconstruir suas vidas. Além disso, deixa uma mensagem através da fala do personagem David: "De onde vem o respeito por uma pessoa? De onde ela vem ou de quem ela é?". Vale a pena conferir.

***
Anote:
Onde: Arena do Espaço SESC Copacabana
Quando: Quinta a Sábado (20h30), Domingo (19h30) até 24 de agosto
Quanto: $20