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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Carioca, apaixonado pelo Rio de Janeiro, apreciador das artes, das viagens e das pessoas que têm algo a dizer.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Diário da Viagem - Capítulo 1

A ideia inicial era escrever os posts durante a viagem, como se fosse um diário. Eu chegaria no hotel à noite e iria relatar as aventuras do dia. Deu certo? Claro que não! Imagina andar o dia inteiro, chegar depois das 23 horas e ainda ficar acordado até 1 ou 2 da madrugada escrevendo! Não poderia dar certo mesmo. No primeiro dia até tentei mas parei pela metade. Sem contar que as fotos, em alta resolução, "pesam" e demoram até serem publicadas. Em casa tenho um programa que reduz o tamanho da foto. Neste primeiro post da viagem, vocês poderão conferir, no texto abaixo, como seria esse "Diário da Viagem". Estou deixando o texto na íntegra, sem modificações. Apenas acrescentei mais fotos. Boa Viagem!!
*****
Istanbul, 19 de agosto de 2014


Hoje é terça-feira, são 22h15. Estou em Istanbul, instalado num  pequeno quarto do Hotel Kupeli, e a ficha ainda não caiu. As semanas que antecederam a viagem foram tensas e intensas, muito trabalho e assuntos diversos para resolver. No final, tudo deu certo.
A viagem do Rio até Istanbul foi tranquila, sem sobressaltos, salvo o episódio "mala retida em Paris". Espero que cheguem amanhã pela manhã. Mas, como não sou marinheiro de primeira viagem,  tenho roupa para passar uma semana, que veio na mala de mão.
Decidi fazer este diário em tempo real e que começará a ser publicado a partir do dia 28 de setembro. E isso me poupará o tempo de fazer vários posts na volta.
Espero que dê certo. A proposta é contar meu dia a dia nessa viagem pela Turquia e pela França. Apertem os cintos e vamos embarcar!
 A viagem de Paris até Istambul durou aproximadamente 3h30, do alto já sentia o astral da cidade.




Enfim, em solo turco. O chato de as malas não terem chegado é o tempo que se perde. O guia que me aguardava já estava cansado de tanto esperar. Aliás, quando saí do aeroporto era um mar de guias com placas diversas aguardando passageiros. Sensação de déjà vu total, este é o meu trabalho e me coloquei no lugar deles.

Parece meio bobo, mas essa imagem de táxis amarelos me impressionou...talvez tenha sido a conversa dos taxistas e dos passageiros, aquela língua incompreensível, mas ao mesmo tempo familiar.
Mudança de papéis, agora turista, dentro da van que me trouxe até o Hotel Kupeli na Cidade Velha (Sultanahmet). É bom deixar de ser guia para ser guiado. No trajeto Aeroporto/Hotel a paisagem é muito bonita.
E o passeio pela história já começa com esta maravilha da foto acima: as muralhas de Constantino.
Os meus olhos não estavam acreditando nas coisas que estava vendo. Quando nos aproximamos do hotel, entramos numas ruas com muitas lojas de tapetes, vendedores de frutas puxando carrinhos, uma certa confusão...só ficou o registro na cabeça, pois nem dava para fotografar. E enfim, o Hotel Kupeli, onde fui recebido com o largo sorriso do Özgur, o recepcionista. 

E subi para conhecer o apto 104, como já disse, é minúsculo, porém silencioso. Özgur prometeu outro quarto maior daqui a dois dias ou antes. 

Instalado, banho tomado, vamos sair!
Por conta das malas que não chegaram, perdi pelo menos 1 hora para resolver a questão... mas isso não é problema. Não considerei o dia de hoje no roteiro. Dediquei o final da tarde para reconhecimento da região e localização dos principais pontos de interesse da Cidade Velha.
Saí do Hotel e entrei na primeira Mesquita que encontrei. Um lugar tranquilo, de muita paz.
 São mais de 2000 Mesquitas...
Na parte externa dessa mesquita bicas e banquinhos.... purificação?

Uma das portas do Grand Bazaar ... e que bom que estava fechado. Em menos de meia-hora, fui parado por dezenas de comerciantes, cujas lojas ficam fora do Grand Bazaar

 Quando vi esta edificação de longe, pensei ser mais uma Mesquita... mas

Trata-se do Túmulo de Mahmud II. Entrei e visitei este Cemitério que não parece um cemitério...


E a noite começou a cair já passava das 20h00 e procurei um lugar para jantar, estava cansado..

Nas ruas o assédio é grande, os garçons te buscam na esquina e mostram cardápios e vão te seduzindo... e acabei parando neste restaurante. 
Esses tomatinhos inocentes estavam temperadíssimos, mas muito gostoso e o pão era uma maravilha. O prato principal chegou, um espetinho de carneiro muito bom. Tão gostoso que esqueci de fotografar..

E ao final, é costume, é tradição, o Çayi (chá)
A sobremesa eu deixei para escolher numa das mil e uma lojas de delícias turcas...estou perdido. Segurei a onda e comi tâmaras recheadas com nozes...
Saí do paraíso dos doces e caminhei um pouco mais acompanhando o movimento que era intenso...e descobri uma bela praça com belas edificações e que vou explorar amanhã...já passa da meia-noite e eu ainda estou escrevendo...será que amanhã vou conseguir? 

Viajando com Jorge Fortunato

Quer saber tudo o que aconteceu na minha viagem deste ano? Para onde fui, por onde andei? Então vá visitar o mais novo Blog de Viagens, "Viajando com Jorge Fortunato". Lá estão reunidos todos os posts de sobre viagens que foram publicados aqui no "Acabou o Caviar?".
E o Caviar? Acabou? Nao, de jeito nenhum. Aqui continuam as publicações obre o Rio de Janeiro, os eventos da cidade, cinema, televisão, teatro, muita cultura e diversão!
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segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Começando pelo fim

Estou de volta ao Brasil depois de 40 dias de viagem. E foi tudo excelente, para dizer o minimo. O título deste post te deixou curioso não foi? Vou começar a contar a minha viagem pelo final... e a continuação você vai acompanhar num novo Blog, a partir do dia 30...
Nos últimos 14 dias, os pilotos da Air France iniciaram uma greve. A princípio, seria do dia 15 até o dia 22 de setembro. Meu vôo de retorno para o Brasil estava marcado para o dia 24. Sabia que algo poderia acontecer, mas passei a acompanhar pela internet o movimento dos voos. Na véspera de viajar, fui informado pela minha agência aqui do Rio que o meu voo havia sido cancelado, mas eles já haviam feito reservas em novos voos e meu nome estava em listas de espera. Ficar mais uma noite em Paris? Ótimo?? Sim, quando você tem onde ficar. E não era o meu caso, pois deveria entregar o apartamento que aluguei até às 18hs do dia 24.
FAchada do Studio que alugo há três anos no Marais
Na manhã do dia 24, tentei falar por telefone com a Air France e fui informado que estava confirmado num voo do dia 25, fiquei aliviado e comecei a procurar um hotel para passar a noite. Alugo o Studio no Marais há três anos e, pela primeira vez, no dia da minha saída havia outro locatário chegando. Mas, graças a Deus, em 30 minutos, encontrei o Hotel Leonard de Vinci, a 20 minutos a pé da Place des Vosges. E havia apenas 1 apartamento disponível para uma noite.
Quarto 303 do Hotel Leonard de Vinci - 22, rue des Trois Bornes
Estava comemorando e liguei para a agência no Rio, pois segundo a atendente da Air France, a agência deveria me passar o novo E-ticket. E aí fico sabendo que a reserva havia sido cancelada - e depois o voo. O que fazer? Esperar. Conseguiram me colocar no voo do dia 26 direto para o Rio, sexta-feira na parte da manhã. Só fiquei tranquilo quando recebi o E-ticket enviado pela agência. Saí do apartamento logo após o almoço e me mudei para o Hotel Leonard de Vinci. Ao chegar, informei que precisaria ficar duas noites. A recepcionista respondeu que o hotel estava cheio, mas caso houvesse alguma desistência eu teria prioridade. Suspense.
Depois de instalado, saí para arejar um pouco e aproveitar a noite. Ansiedade e cansaço se misturavam. E ainda precisava encontrar outro hotel, pois não poderia contar com alguma desistência. Como num milagre, vi um hotelzinho na rue de Turenne e resolvi entrar e perguntar sobre a disponibilidade de quartos. Havia um quarto disponível para o dia seguinte. A senhora da recepção disse que eu poderia voltar, caso precisasse. Peguei o cartão do hotel  e saí dali bem confiante. Ia viajar no dia 26 e já estava com um hotel garantido, caso não houvesse desistência no Leonard de Vinci.
O charme das arcadas da Place des Vosges no Marais
Só restava fazer do limão uma limonada! E fui passear pela Place des Vosges. Havia sido convidado pela nova amiga - Dorothéa -  para jantar  ali perto e aproveitei para ficar fazendo hora.
 
Fiquei quase duas horas no Café Nectarine e depois segui para o jantar, que foi ótimo. Ao retornar ao Leonard de Vinci, o "bonsoir" do recepcionista foi :"sinto muito, mas amanhã o senhor terá que procurar outro hotel. Não houve desistências". Na hora, peguei o cartão do Hotel, cujo nome nem sabia até então e pedi para o recepcionista ligar e fazer a reserva. É chato ter que fazer  mudança, principalmente pelo fato de ter que esperar até meio-dia para entrar no novo hotel. Mas, ao menos um lugar para dormir mais uma noite estava garantido.
 
Place de la République
Acordei cedo e fui tomar o café da manhã. O dia estava  bonito e aproveitei para andar um pouco pela République e Canal de Saint-Martin.

A rue des Trois Bornes vista do meu quarto no Hotel Leonard de Vinci

Retornei ao Hotel  e recebo uma mensagem da Dorothéa, informando que o voo do dia 26 - ela também retornaria nesse voo - havia sido cancelado. Nem acreditei. O que fazer? Liguei para a Air France e depois de uns 40 minutos de tentativas consegui falar, expliquei toda a situação. Mesmo assim, enquanto aguardava ser atendido ao telefone, passei mensagens para minha agência no rio e o mais importante: usei o Twitter. Passei mensagens diretas para a Air France via Twitter. Consegui, falar com um atendente que ouviu toda a minha queixa, registrou tudo e disse que iria passar o meu caso para um departamento resolver e que eu aguardasse um contato. Deixei o número do hotel e o celular da Dorothéa para contato. Porém, alguns minutos depois que terminei a ligação recebi a mensagem via Twitter, que reproduzo:
"Bjr Jorge,vous êtes reporté demain 26/9 de CDG/ Lima sur lAF480. Puis sur Avianca sur Rio AV6647. Votre mail svp pr vs envoyer votre billet."
Aí respirei. Passei o meu e-mail e recebi minutos depois o E- ticket para viajar no dia 26 de setembro às 13h40 com destino à Lima e conexão para o Rio. Porém, nem tudo estava resolvido. Minha mala estava muito pesada e eu teria que levar duas malas com 23kg cada uma, embora tivesse direito a 32kg. Mas nem quis discutir isso, o jeito seria comprar outra mala para dividir o peso.  Deixei o Leonard de Vinci e me mudei para o Hotel Meteore - 115, rue de Turenne. Ao chegar no Hotel uma surpresinha: "sem elevador" e o quarto ficava no terceiro andar. E lá vamos nós subir escada com uma mala que passava dos 40 kg. Só pensava numa coisa: a história chegaria ao fim no dia seguinte e voltaria para casa.
Deixei as coisas no Hotel e fui encontrar Dorothéa, que estava numa loja da Air France, tentando resolver sua situação. Assim que recebi meu E-ticket para viajar para Lima, enviei mensagem para Dorothéa para que ela, também, tentasse esse voo. Mas a atendendte da Air France a colocou num voo da Alitalia. Disse que era mais garantido, e "pelo menos não era voo AF, pois o seu sendo AF não sabemos. Por enquanto seu voo amanhã para Lima está garantido, mas não podemos ter certeza". Saí da loja com a Dorothéa e fui comprar a nova mala. Passando pelo Boulevard Saint-Michel encontrei uma filial de uma loja que havia conhecido há poucos dias - depois teremos post sobre - e que vende tudo barato. Entrei e achei a mala da foto abaixo por um preço excelente!
 
E fui do Bouvlevard Saint-Michel caminhando, arrastando a nova mala até a île de Saint-Louis. Já passava das três da tarde, a fome aumentava e parei no Les Fous de l'Îe (33, rue des Deux Ponts) para almoçar.
 
 Entrada: Póêlé de champignon
Prato principal: Filet de canette, sauce poivre et purée de pommes de terre. Tudo maravilhoso.
Retornei ao Hotel Meteore, refiz as malas tentando equilibrar os 23 kg para cada mala. De fato, não sei como consegui carregar quase 46 kg numa mala só. Tomei um banho e fui passear pelo Marais, era minha última noite em Paris. Estava cansado, mas confiante em que ia embora no dia seguinte. Falei com Dorothéa e marcamos um encontro no Éclair de Génie (14, ure Pavée). Precisávamos adoçar um pouco nossa despedida. Estes dois dias foram de tensão...mas ainda restava algum glamour.

Dá vontade de provar todos.
E assim me despedi de Paris, com um passeio pela Île de Saint-Louis, como sempre faço e tendo essa imagem linda para guardar.
 
Nos despedimos, Dorothéa e eu, desejando uma boa viagem para nós dois.
Fachada do Hotel Meteore
Acordei cedo no dia 26. Estava ansioso para chegar ao Aeroporto. Quando saí do Hotel para tomar café, encontrei um táxi parado a poucos metros, nem pensei duas vezes e pedi ao motorista que me aguardasse. Era cedo e cheguei ao Aeroporto antes das oito da manhã! Um exagero, o voo era às 13h40. Mas a ansiedade era maior, queria ter logo nas minhas mãos o meu cartão de embarque.  
Aguardando o embarque no Terminal 2E do CDG
 
 E o melhor momento,  a entrada no avião rumo à Lima. 
Foram 12 horas de viagem até Lima e  mais cinco horas até o Rio.
Quando cheguei ao Balcão da Avianca para apanhar o cartão de embarque recebo a notícia que o meu assento não havia sido confirmado pela Air France e que teria que aguardar o encerramento do check-in para ver se haveria lugares livres. Só faltava essa!!! Não desesperei, mantive a calma. Procurei a Air France e a resposta foi a mesma, eu teria que aguardar. Suspense no ar. Uma verdadeira novela essa volta. Outros passageiros estavam na mesma situação. Uma senhora estava aflita, desesperada e só reclamava. Preferi dar uma volta, ver as lojas e depois voltei ao balcão da Avianca. Em menos de cinco minutos estava com meu cartao de embarque na mão. Agora sim, eu volto!!! A mesma sorte não tiveram outras pessoas. Só para citar um caso, num grupo de quatro pessoas, dois embarcaram e dois ficaram em Lima. Eu estava agradecido a Deus.
Aguardando feliz meu embarque para o Rio de Janeiro!!!!!
Foi uma epopéia, uma maratona cansativa, mas com final feliz. Diferentemente do que muitos pensam, não é tão simples relaxar e ficar curtindo Paris. Os hotéis estavam cheios, qualquer alteração nos bilhetes só podia ser feita com 24 horas. Escolher companhia para voltar? Nem pensar. A Air France que dava as regras e o jeito era seguir. No Charles de Gaulle conheci um casal que estava há uma semana tentando voltar para Santiago.
A viagem que fiz este ano foi maravilhosa e até mesmo este pequeno incidente no final me fez aprender muitas coisas e ter uma nova visão para outras. A gente sai sempre ganhando. E vocês irão acompanhar tudo, ver as fotos, conhecer as cidades que visitei num novo Blog só para viagens que estou fazendo, a partir do dia 30. Até lá!